Atitude Popular

Lula afirma que chegou a hora de “impor nova derrota aos negacionistas” na COP30

Da Redação

Na cerimônia de abertura da COP30, em Belém, Lula denunciou o avanço da desinformação climática, alertou para os interesses que “fabricam mentiras” sobre a emergência ambiental e apresentou o Brasil como protagonista de uma virada histórica na agenda global do clima.

O discurso-chave de Belém

Durante a abertura oficial da COP30, o presidente Lula assumiu um tom duro e simbólico: afirmou que “é momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”. A frase serviu para marcar o compromisso brasileiro com a verdade científica, com o multilateralismo e com a ação climática efetiva — e também para colocar a Amazônia, o Pará e, por extensão, o Sul Global no centro da cena ambiental mundial.

O presidente destacou que a conferência acontece em momento decisivo — entre catástrofes recentes, aumento das desigualdades e tentativas de regime climático que penalizam o Sul. Ele lembrou que antes do evento em Belém já foram adotados compromissos importantes — como o manejo integrado do fogo, o direito à terra dos povos indígenas, a criação de coalizões para mercado de carbono — e afirmou que tudo isso reforça a necessidade de vencer o “negacionismo”.

Negacionismo: o inimigo declarado

Lula abordou três frentes do que chamou de “negacionismo climático”:

  1. O desprezo da ciência: ele criticou a rejeição das evidências sobre aquecimento, eventos extremos e perda de biodiversidade;
  2. A desinformação e os algoritmos: afirmou que “obscurantistas controlam algoritmos, semeiam o ódio, espalham o medo, atacam as instituições, a ciência e as universidades”;
  3. A negação política dos compromissos internacionais: lembrou que, sem o Acordo de Paris, o mundo estaria “caminhando para 5 °C de aquecimento até o fim do século” e que, apesar dos esforços, ainda estamos no ritmo errado para manter o limite de 1,5 °C.

Segundo Lula, a batalha climática não é apenas técnica, nem tecnológica — é uma “questão de poder”, de narrativa e de quem define o futuro. Ele considerou que derrotar o negacionismo é parte essencial de construir uma governança global mais robusta e justa.

O Brasil como palco e ator principal

Ele aproveitou o momento para reforçar o protagonismo brasileiro: a COP30 na Amazônia marca não apenas uma sede, mas uma transição simbólica do país de coadjuvante a ator central na governança ambiental mundial. O discurso ressaltou que Belém e a floresta amazônica têm vocação para ser referência global de conservação, bioeconomia e justiça climática.

O presidente anunciou que será proposto um Conselho do Clima vinculado à Assembleia Geral da ONU — com o objetivo de dar maior “estatura política” à emergência climática — e reafirmou que a justiça ambiental, a luta contra a fome e a desigualdade estão intrinsecamente ligadas.

Os desafios que o governo brasileiro reconhece

Lula foi transparente: admitiu que a ação global ainda caminha “na direção certa, mas na velocidade errada”. Ele reconheceu que os efeitos dos furacões, tornados, secas e enchentes atingem primeiro os mais vulneráveis e que é preciso colocar a vida cotidiana das pessoas no centro da agenda climática, não apenas os relatórios técnicos.

Ao contrastar o desempenho atual com o que poderia ter sido sem o Acordo de Paris, apontou que o Brasil vive uma janela de oportunidade única — mas que esta só será aproveitada se houver coragem política, financiamento real e renegociação das regras que historicamente penalizam o Sul.

Significado para o Sul Global

Do ponto de vista geopolítico, o discurso de Lula reforça que o “negacionismo” não é apenas antipolítica ambiental: é uma das vias pelas quais o Norte Global tenta manter sua hegemonia, ignorando os impactos crescentes nos países tropicais. Ao se colocar como porta-voz de uma virada natal dos trópicos, o Brasil fortalece o Sul Global.

Para muitos países vulneráveis, a iniciativa de Belém funciona como mensagem: não aguardem que o Norte resolva por vocês — façam aliança entre si, valorizem suas florestas, suas populações tradicionais, sua biodiversidade, e reivindiquem protagonismo.

O que está em jogo

Se a COP30 for marcada pelo discurso de derrota ao negacionismo, o teste será a implementação. A batalha agora não é apenas de palavras, mas de recursos, de regras, de governança.
Se o Brasil e seus aliados não conseguirem transformar essa retórica em mecanismos reais de financiamento, de proteção das florestas, de valorização dos povos tradicionais e de controle da desinformação, o discurso ficará vazio.

Ao contrário, se as parcerias se firmarem — com mecanismos como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que foi lançado na semana anterior —, a frase de “derrota aos negacionistas” poderá se tornar símbolo de uma nova era.


4 – Conclusão

O discurso de Lula na abertura da COP30 marcou um momento simbólico importante: a chamada para derrotar o negacionismo climático como parte de uma estratégia de soberania, justiça ambiental e liderança do Sul Global.
Mas foi mais do que simbólico — foi programático. Ele coloca o Brasil não apenas como anfitrião de uma conferência, mas como protagonista de uma virada global.
Agora, o país precisa honrar esse papel: vencendo o negacionismo com ação, financiamento, legislação e alianças reais. E mostrar que não basta sediar; é preciso liderar.