Programa Move Brasil 2 prevê R$ 21,2 bilhões em financiamento, amplia prazo para autônomos e inclui ônibus e implementos rodoviários
O presidente Lula anunciou, no Palácio do Planalto, novas medidas de crédito para aquisição de caminhões, ônibus e implementos rodoviários dentro do Move Brasil 2, programa voltado à renovação da frota nacional, à redução de custos logísticos e ao fortalecimento da indústria brasileira.
As informações foram apresentadas durante cerimônia transmitida pelo canal do governo no YouTube, com a participação de ministros, representantes de bancos públicos, lideranças dos caminhoneiros, dirigentes da indústria e do setor automotivo.
O programa amplia a primeira fase do Move Brasil, que, segundo o governo, contratou R$ 9,24 bilhões em financiamentos em menos de quatro meses. Na nova etapa, serão R$ 14,5 bilhões em recursos do Tesouro, com aporte adicional de R$ 6,7 bilhões do BNDES, chegando a R$ 21,2 bilhões.
A nova versão reserva R$ 2 bilhões para caminhoneiros autônomos, com condições diferenciadas de prazo, carência e juros, além de outros R$ 2 bilhões para linhas de ônibus, segmento que não estava contemplado na primeira fase. Também haverá taxas menores para quem entregar veículo velho para reciclagem.
O ministro Márcio Macêdo afirmou que a medida não se limita a uma operação financeira. “Esse não é apenas um programa de crédito, é política industrial”, disse. Segundo ele, cada caminhão ou ônibus financiado representa encomenda para a indústria nacional, com impacto sobre emprego, renda e infraestrutura.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o novo programa melhora as condições para autônomos e frotistas. “O primeiro Move foi um sucesso, o segundo Move não tem motivo para não ser sucesso”, declarou. Ele destacou a redução dos juros para faixas entre 11,3% e 12,4%, além da ampliação do prazo de pagamento para dez anos.
Durigan também anunciou aporte de R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos, o FGI, com potencial de alavancar cerca de R$ 16 bilhões em crédito para pequenos e médios empreendedores.
Representando o BNDES, Maria Fernanda Coelho afirmou que o banco cumpriu praticamente toda a dotação prevista na primeira fase do programa, com mais de 5 mil frotistas e autônomos atendidos. Segundo ela, o fundo garantidor é decisivo para que micro, pequenas e médias empresas consigam acessar crédito.
O Banco do Brasil e a Caixa também anunciaram participação na operação. Gilson Bitencur, do Banco do Brasil, disse que a instituição atuará diretamente e também por meio do Banco Votorantim, ampliando o acesso nas revendas espalhadas pelo país. Carlos Vieira, presidente da Caixa, afirmou que o banco retomou a integração operacional com o BNDES após mais de dez anos sem trabalhar com esses recursos.
Entre os caminhoneiros, o anúncio foi recebido como conquista de uma pauta antiga. João Paulo, o Paulinho, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística, afirmou que o financiamento em 120 meses era uma reivindicação considerada difícil de viabilizar. “Tudo que nós pedimos, nós estamos debatendo de manhã, tudo fomos contemplado”, disse.
Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que o Move Brasil 2 consolida o diálogo do governo com os caminhoneiros autônomos. “Hoje se coroa o fato do presidente Lula ter sido aquele que mais fez pelos caminhoneiros no Brasil”, declarou. Ele também citou medidas recentes, como a MP do piso do frete, a suspensão de multas consideradas ilegítimas no pedágio Free Flow, pontos de parada e descanso e políticas voltadas à saúde dos caminhoneiros.
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o Move Brasil 2 é maior e mais abrangente que a primeira fase. Segundo ele, o programa passou de R$ 10 bilhões para R$ 21,2 bilhões, dobrou a reserva para autônomos, incluiu ônibus e implementos rodoviários, ampliou a carência e reduziu juros.
Alckmin também defendeu a renovação da frota como política de segurança viária e saúde pública. “Um caminhão novo polui 40 vezes menos do que um caminhão com mais de 20 anos”, afirmou, ao relacionar o programa à redução de acidentes e à melhoria ambiental.
Em seu discurso, Lula afirmou que a razão de existir do governo é enfrentar problemas concretos da sociedade. Ele cobrou dos bancos públicos atenção especial aos caminhoneiros autônomos, que tiveram baixa participação na primeira fase do programa.
“O que nós percebemos no Move 1 é que atendeu com muito mais precisão e muito mais rapidez as transportadoras. Os autônomos foi muito pouco”, disse Lula. Segundo ele, dos R$ 1 bilhão disponíveis para esse público, apenas R$ 200 milhões haviam sido liberados quando o problema foi identificado.
O presidente pediu à Caixa, ao Banco do Brasil e ao BNDES que tratem os autônomos “com carinho”, para evitar que o crédito fique concentrado nos setores com maior capacidade financeira. “Vamos ver se a gente consegue dar um exemplo de que uma vez na vida os mais pobres são tratados como os outros mais ricos”, afirmou.
Lula também relacionou a renovação da frota à agenda dos biocombustíveis. Ao comentar viagem à Alemanha, disse que testes indicaram desempenho ambiental superior do biodiesel brasileiro em relação ao combustível europeu. Para ele, o Brasil pode se tornar referência global em combustível renovável.
Ao final, Lula defendeu que políticas de investimento devem envolver trabalhadores nas mesas de negociação. “Toda vez que a gente tiver que fazer uma política de investimento para ajudar um setor a desenvolver, nós temos que ter os trabalhadores na mesa de negociação”, afirmou.












