Da RT
Plano articulado por Marco Rubio propõe coalizão internacional para controlar o Estreito de Ormuz, aprofundando disputa geopolítica com China, Rússia e Irã.
Os Estados Unidos estão se movimentando para dar um passo ainda mais ousado na crise do Oriente Médio: assumir o controle estratégico do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do planeta para o fluxo de petróleo e gás.
Segundo informações recentes, o governo norte-americano prepara a apresentação de uma nova iniciativa internacional, articulada pelo secretário de Estado Marco Rubio, com o objetivo de reorganizar o controle e a segurança da região. A proposta envolve a criação de uma espécie de “estrutura” multinacional para operar no estreito — mas com um detalhe central: excluindo países considerados adversários, como China e Rússia.
Na prática, trata-se de muito mais do que segurança marítima.
O Estreito de Ormuz é um gargalo energético global. Em condições normais, cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo passa por ali. Quando essa rota é tensionada, o impacto é imediato nos preços da energia, na inflação e na estabilidade econômica global.
E é exatamente isso que está em jogo agora.
Desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, a região se tornou um campo de disputa direta. Após ataques militares e bloqueios, o estreito chegou a ser parcialmente fechado, com redução drástica do tráfego marítimo e aumento do risco para embarcações comerciais.
Diante desse cenário, Washington tenta reorganizar o tabuleiro.
A proposta liderada por Rubio busca envolver aliados em uma coalizão que combine pressão diplomática, presença militar e coordenação logística para garantir a circulação de navios. Ao mesmo tempo, o movimento reforça uma estratégia mais ampla: impedir que o Irã mantenha controle ou influência sobre a passagem, algo que os EUA classificam como inaceitável.
Mas há um problema.
Os principais aliados globais não estão totalmente alinhados. Países europeus e asiáticos já demonstraram resistência em se envolver diretamente no conflito, preferindo soluções diplomáticas e evitando um alinhamento automático com a estratégia militar norte-americana.
Isso revela uma fissura importante.
A tentativa dos EUA de construir uma coalizão global esbarra em um mundo cada vez mais multipolar, onde nem mesmo aliados tradicionais seguem automaticamente a liderança de Washington. Ao excluir China e Rússia, a proposta também reforça a divisão geopolítica, transformando o Estreito de Ormuz em mais um epicentro da disputa entre blocos.
Enquanto isso, o Irã joga seu próprio jogo.
Teerã já sinalizou disposição para reabrir o estreito, mas condiciona isso a negociações mais amplas, especialmente sobre seu programa nuclear. Ou seja, a rota energética virou moeda de troca em um tabuleiro muito maior.
No fundo, o que está acontecendo vai além de um conflito regional.
O controle do Estreito de Ormuz se tornou uma disputa estratégica global, envolvendo energia, comércio, poder militar e influência política. E cada movimento nessa região tem potencial para impactar diretamente a economia mundial.
O que Rubio está propondo não é apenas uma solução de segurança.
É uma tentativa de redefinir quem manda em uma das artérias mais vitais do planeta.
E isso, inevitavelmente, aumenta ainda mais o risco de escalada.












