Lula descarta contato direto com Trump antes do prazo para tarifaço e aposta em negociação técnica

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não fazer, neste momento, um contato direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar reverter a ameaça de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A estratégia do Palácio do Planalto é esgotar primeiro as negociações técnicas e diplomáticas conduzidas pelas equipes dos dois países antes de recorrer a uma interlocução entre os chefes de Estado.

Segundo integrantes do governo, a avaliação é que ainda existe espaço para uma solução negociada antes da entrada em vigor do chamado “tarifaço”. O Planalto também aposta na pressão exercida por empresas norte-americanas que mantêm relações comerciais com o Brasil e que poderão ser diretamente prejudicadas pelas novas tarifas.

Governo prioriza diplomacia técnica

A orientação do governo brasileiro é manter as conversas entre os ministérios, diplomatas e representantes do setor produtivo, evitando transformar a disputa comercial em um embate político direto entre Lula e Trump.

Na avaliação do Planalto, uma conversa presidencial antes do encerramento das negociações poderia reduzir a margem de atuação das equipes técnicas ou ser interpretada como um recurso prematuro, caso ainda existam alternativas para um entendimento.

O governo brasileiro considera que as tratativas diplomáticas continuam em andamento e espera que a Casa Branca reavalie a aplicação das tarifas diante dos impactos econômicos que elas também poderão produzir para empresas e consumidores norte-americanos.

Empresários pressionam por acordo

Outro fator considerado relevante pelo governo é a mobilização do setor empresarial.

Empresas brasileiras exportadoras e grandes companhias norte-americanas que importam produtos do Brasil têm intensificado articulações para evitar o aumento das tarifas. A preocupação é que a medida provoque aumento de custos, redução da competitividade e prejuízos às cadeias produtivas dos dois países.

Nos bastidores, interlocutores do governo avaliam que a pressão do setor privado dos Estados Unidos pode exercer influência maior sobre a decisão da Casa Branca do que um contato político realizado neste momento.

Relação comercial é estratégica

Os Estados Unidos permanecem entre os principais parceiros comerciais do Brasil, absorvendo parcela importante das exportações nacionais de produtos industriais, siderúrgicos, minerais, aeronáuticos e do agronegócio.

Uma eventual elevação das tarifas poderá afetar empresas brasileiras exportadoras, mas também aumentar custos para indústrias norte-americanas que utilizam matérias-primas e produtos brasileiros em suas cadeias de produção.

Contato entre presidentes não está descartado

Apesar de descartar uma ligação imediata, o governo brasileiro não exclui uma conversa entre Lula e Trump caso as negociações técnicas não avancem ou se aproximem do prazo final sem solução.

Nesse cenário, uma interlocução direta entre os presidentes poderá ocorrer como última tentativa de construir um entendimento político capaz de evitar a entrada em vigor das novas tarifas.

Enquanto isso, o Planalto mantém a estratégia de privilegiar os canais diplomáticos tradicionais, reforçando a atuação do Ministério das Relações Exteriores e das equipes técnicas responsáveis pelas negociações comerciais.