Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pretende utilizar inteligência artificial em sua campanha eleitoral e defendeu o avanço de regras mais rígidas para limitar o uso da tecnologia durante as eleições. Segundo o presidente, a relação entre candidatos e eleitores deve continuar baseada no contato direto, na transparência e na autenticidade, e não em conteúdos sintéticos produzidos por algoritmos.
A declaração foi feita durante agenda pública na Bahia e ocorre em um momento em que a inteligência artificial generativa se consolida como uma das principais ferramentas tecnológicas capazes de alterar profundamente a comunicação política.
“Um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política. Se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar no olho do povo e permitir que o povo olhe no olho dele para saber quem está mentindo”, afirmou Lula.
Defesa de novas restrições
Além de afirmar que não utilizará IA em sua campanha, Lula sugeriu que o Congresso Nacional discuta novas medidas para restringir o uso da tecnologia durante os períodos eleitorais.
Segundo o presidente, a inteligência artificial representa um avanço extraordinário para áreas como saúde, ciência, educação e inovação, mas seu emprego na disputa política pode favorecer a produção de conteúdos enganosos e dificultar a identificação do que é verdadeiro.
Para Lula, a democracia exige que o eleitor possa avaliar diretamente quem disputa seu voto, sem depender de imagens, vozes ou vídeos produzidos artificialmente.
TSE já endureceu regras
O debate ocorre poucos meses depois de o Tribunal Superior Eleitoral aprovar novas normas para disciplinar o uso da inteligência artificial nas eleições de 2026.
As regras determinam que conteúdos produzidos ou modificados por IA devem ser claramente identificados durante a campanha. Também foi proibida a divulgação, o impulsionamento e a republicação de materiais gerados por inteligência artificial nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao encerramento de cada turno das eleições.
O objetivo é reduzir o risco de circulação de deepfakes, manipulações audiovisuais e campanhas de desinformação em um período no qual há pouco tempo para contestação pública.
O desafio da democracia digital
O avanço da inteligência artificial generativa transformou o debate eleitoral em diversos países.
Hoje já é possível produzir vídeos hiper-realistas, clonagem de voz, fotografias sintéticas e discursos inteiramente artificiais com elevado grau de realismo. Essa capacidade tecnológica tornou mais difícil distinguir conteúdos autênticos de materiais fabricados digitalmente.
Especialistas em comunicação política alertam que esse fenômeno amplia o risco de desinformação em larga escala e pode comprometer a confiança pública nas instituições democráticas.
Tecnologia exige novas regras
Embora reconheça o potencial transformador da inteligência artificial, Lula defende que sua utilização eleitoral seja cercada por mecanismos de controle capazes de preservar a integridade do processo democrático.
O presidente argumenta que eleições dependem da confiança entre candidatos e eleitores e que essa confiança pode ser enfraquecida quando imagens, falas ou comportamentos deixam de corresponder à realidade.
O debate acompanha uma tendência internacional. Diversas democracias vêm discutindo mecanismos de transparência, identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e responsabilização pelo uso indevido da inteligência artificial em campanhas políticas.
Debate tende a crescer
À medida que as ferramentas de IA se tornam mais acessíveis e sofisticadas, cresce também a pressão para atualização da legislação eleitoral.
O desafio colocado às democracias não é impedir o avanço tecnológico, mas estabelecer regras capazes de conciliar inovação, liberdade de expressão e proteção da vontade livre do eleitor.
Nesse contexto, a posição defendida por Lula amplia um debate que deverá permanecer no centro das eleições de 2026: até onde a inteligência artificial pode participar da comunicação política sem comprometer a autenticidade do processo democrático.


