Da Redação
Presidente afirma que minerais estratégicos são centrais para o futuro do Brasil e defende soberania, industrialização e parcerias com transferência de tecnologia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom sobre a disputa global por recursos estratégicos ao afirmar que as terras raras e minerais críticos são uma questão de segurança nacional para o Brasil, colocando o tema no centro da agenda econômica e geopolítica do país.
A declaração foi feita após reunião com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, em Barcelona, e revela uma mudança importante de abordagem: o Brasil deixa de tratar seus recursos naturais apenas como commodities e passa a enquadrá-los como ativos estratégicos de poder.
Lula foi direto ao apontar o erro histórico do país.
Segundo ele, o Brasil já perdeu ciclos anteriores de riqueza, como o ouro e o minério de ferro, sem conseguir transformar esses recursos em desenvolvimento interno. A crítica é clara: exportar matéria-prima sem agregar valor significa manter o país em posição subordinada na divisão internacional do trabalho.
Dessa vez, a estratégia será diferente.
O presidente afirmou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais, mas com uma condição central: transferência de tecnologia e processamento dentro do território nacional. Ou seja, não basta extrair — é preciso industrializar, dominar a cadeia produtiva e capturar valor.
Esse ponto é decisivo.
As chamadas terras raras são essenciais para tecnologias do século XXI, como:
- baterias
- inteligência artificial
- energia renovável
- indústria militar
- eletrônicos
Ou seja, não se trata apenas de mineração.
Trata-se de poder tecnológico.
No plano geopolítico, a fala de Lula posiciona o Brasil dentro de uma disputa global crescente, marcada principalmente pela rivalidade entre Estados Unidos e China pelo controle dessas cadeias estratégicas.
Ao afirmar que “ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral”, o presidente reforça uma linha de soberania que dialoga diretamente com a agenda de reindustrialização e autonomia tecnológica do país.
Além disso, o tema já está institucionalizado.
Lula destacou a existência de um Conselho Nacional de Política Mineral, indicando que o governo trata o assunto de forma estruturada e estratégica, e não apenas como política setorial.
O movimento também se conecta a iniciativas recentes.
Brasil e Espanha firmaram acordos para cooperação em minerais críticos, com foco em inovação, industrialização e sustentabilidade — reforçando que o país busca parceiros, mas sob seus próprios termos.
No fundo, o que está em jogo é claro.
O Brasil está diante de uma encruzilhada histórica:
repetir o modelo colonial de exportação de riqueza
ou construir soberania tecnológica
E, desta vez, o discurso do governo indica uma tentativa explícita de não repetir o passado.












