Movimento entrega documento de reivindicações ao governador Elmano de Freitas e lança a Carta de Fortaleza, com propostas por territórios livres de mineração e democratização da renda mineral
Na manhã desta quinta-feira (28/08), o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) realizou uma marcha em Fortaleza com a participação de cerca de duas mil pessoas, entre indígenas, quilombolas, ribeirinhos, assentados rurais, camponeses e moradores de áreas impactadas pela atividade mineral. O ato saiu da estátua de Iracema em direção ao Palácio da Abolição, sede do governo cearense, para entregar ao governador Elmano de Freitas (PT) um documento de reivindicações sobre a problemática mineral no Ceará e no Brasil.
O protesto marcou o encerramento do II Encontro Nacional do MAM, que ocorreu entre os dias 24 e 28 de agosto no campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC), reunindo delegações de todas as regiões do país. Com o lema “Lutar pelo território, controlar o subsolo”, o encontro promoveu dias de debates sobre a necessidade de um novo modelo mineral, defendendo controle popular sobre os territórios e a gestão do subsolo brasileiro.
Segundo Charles Trocate, da direção nacional do movimento, a marcha e a Carta de Fortaleza sintetizam o horizonte político que o MAM pretende construir. “Essa carta publiciza o que o MAM quer para um novo modelo mineral para o Brasil, é uma síntese das ideias e do que queremos construir para o futuro”, afirmou.
A Carta de Fortaleza
O documento lançado pelo movimento denuncia o que chama de “problema mineral brasileiro”: uma dinâmica de exploração organizada de fora para dentro, baseada em decisões antidemocráticas e que, segundo o MAM, aprofunda o “desenvolvimento do subdesenvolvimento”. A carta também relaciona a emergência climática às imposições externas de descarbonização, que, no entendimento dos participantes, funcionam como uma nova rodada de precificação da natureza.
O texto critica a expansão de tecnologias intensivas em recursos naturais, associando-as à indústria bélica e ao controle global sobre minerais críticos e estratégicos. Diante desse cenário, o MAM convoca a sociedade brasileira a intervir nas decisões sobre mineração e transição energética, sob o risco de comprometimento da soberania nacional.
A Carta de Fortaleza reafirma ainda a defesa de territórios livres de mineração, da democratização da renda mineral e do controle social sobre o modelo mineral do país. “Decidirmos juntos o que, como e onde minerar”, destaca o documento, que aponta para a necessidade de uma reorganização do setor sob controle popular.


