Ministro da Fazenda detalha novo Desenrola com descontos de até 90% nas dívidas

Programa amplia renegociação de dívidas, prevê descontos de até 90%, juros reduzidos e parcelamento em até 48 meses para brasileiros com renda de até cinco salários mínimos

Da Redação

O governo federal anunciou uma nova etapa do programa Desenrola Brasil, ampliando a política de renegociação de dívidas para diferentes públicos. O destaque é o Desenrola Famílias, considerado o principal eixo da iniciativa, mas o pacote também contempla estudantes com contratos do FIES, pequenos empresários e agricultores familiares.

As informações foram apresentadas durante cerimônia de anúncio das novas medidas de incentivo à adimplência e detalhadas pelo ministro da Fazenda, Dario Duringan, que explicou o funcionamento das modalidades do programa e as condições de renegociação oferecidas às instituições financeiras e aos consumidores.

Segundo o governo, a estratégia busca reduzir o peso do endividamento sobre milhões de brasileiros, oferecendo descontos expressivos, taxas de juros inferiores às atualmente praticadas no mercado e prazos mais longos para pagamento.

Quatro modalidades do programa

O novo Desenrola está dividido em quatro frentes:

  • Desenrola Famílias
  • Desenrola FIES
  • Desenrola Empreendedor
  • Desenrola Rural

Cada modalidade atende um público específico, mas todas têm como objetivo facilitar a regularização financeira e ampliar o acesso ao crédito.

No caso do Desenrola Famílias, considerado o carro-chefe da iniciativa, poderão participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos que possuam dívidas bancárias.

Renegociação começa diretamente com os bancos

O governo orienta que os interessados procurem a instituição financeira onde possuem a dívida para iniciar o processo de renegociação.

O programa contempla principalmente débitos relacionados a:

  • cartão de crédito;
  • cheque especial;
  • crédito pessoal (CDC);
  • empréstimos consignados.

A proposta é substituir contratos considerados praticamente impagáveis por novas operações com condições significativamente mais favoráveis.

Durante a apresentação, foi utilizado o exemplo de uma dívida de R$ 10 mil no cartão de crédito. Em razão dos juros elevados, que podem chegar a cerca de 15% ao mês, esse débito cresce rapidamente, tornando-se difícil de ser quitado.

Segundo o governo, o novo modelo pretende interromper esse ciclo de endividamento.

Descontos médios de 65%

A equipe econômica informou que o desconto médio esperado nas renegociações será de aproximadamente 65%.

Na prática, uma dívida de R$ 10 mil poderá cair para cerca de R$ 4,5 mil, dependendo das condições do contrato e do tempo de atraso.

Além da redução do valor principal, o programa prevê:

  • juros de 1,99% ao mês sobre a nova operação;
  • parcelamento em até 48 meses;
  • prazo de 30 dias para formalização da renegociação junto ao banco.

A expectativa é reduzir significativamente o valor das prestações mensais, tornando o pagamento compatível com a renda das famílias.

Limite para evitar distorções

O governo estabeleceu um limite de até R$ 150 mil em dívidas renegociadas por pessoa, medida que busca concentrar o benefício nas famílias de menor renda e impedir que pessoas com elevado patrimônio utilizem o programa.

Segundo a equipe econômica, o desenho adotado permitirá atender mais de 90% da população brasileira que se enquadra nos critérios definidos.

Descontos variam conforme o tipo e o tempo da dívida

Os percentuais mínimos de abatimento foram negociados com as instituições financeiras e variam conforme a modalidade de crédito e o período de inadimplência.

Para cartão de crédito e cheque especial, os descontos mínimos previstos são:

  • 40% para dívidas com atraso entre 90 e 120 dias;
  • até 90% para débitos com atraso entre um e dois anos.

Já para operações de crédito pessoal (CDC sem garantia), os percentuais começam em:

  • 30% para atrasos entre 91 e 120 dias;
  • até 80% para dívidas com atraso entre um e dois anos.

O governo ressaltou que esses percentuais representam pisos mínimos. Em negociações específicas, os bancos poderão oferecer condições ainda melhores.

Calculadora permitirá simular descontos

Outra novidade anunciada é o desenvolvimento de uma calculadora digital que permitirá aos consumidores verificar previamente o desconto estimado para sua dívida.

A ferramenta deverá ser disponibilizada nos próximos dias e facilitará a consulta das condições oferecidas antes da formalização da renegociação.

Segundo o governo, a simplificação do acesso foi uma das principais lições obtidas com a primeira edição do Desenrola Brasil. A nova fase busca tornar o processo mais rápido, reduzir barreiras burocráticas e ampliar o alcance da política de recuperação financeira das famílias brasileiras.

Leia também