Atitude Popular

OCDE aponta salto de confiança dos brasileiros no governo federal

Da Redação

Relatório da OCDE mostra que a confiança da população no governo federal subiu de 26% em 2022 para 38% em 2025. A pesquisa também aponta melhora significativa na percepção dos serviços públicos, sinalizando que o país avança no fortalecimento institucional e no realinhamento de expectativas do cidadão.

A leitura da OCDE e o novo ciclo de confiança

Segundo a Revisão de Integridade da OCDE sobre o Brasil 2025, houve uma mudança marcada na percepção dos brasileiros sobre o governo federal: a confiança cresceu consideravelmente, saltando de 26% em 2022 para 38% em 2025. A análise da OCDE destaca que esse movimento está acima da média da América Latina e do Caribe, que registra confiança em cerca de 35%.
Além disso, o relatório mostra que a confiança nos serviços públicos federais também evoluiu: o índice subiu de 24% para 41% no mesmo período, superando a média regional (32%). Na saúde, confiança foi de 33% para 44%; na educação, de 30% para 45%. Já no sistema eleitoral, foi observada confiança de 48%, o maior patamar da região.

Esses dados não são meros números: são indicativos de que o governo federal está recuperando espaço de legitimidade institucional — um elemento crucial para política pública eficaz, para governança democrática e para ação estatal orientada ao bem comum.


O que está por trás desse crescimento

A OCDE identifica vários elementos que contribuíram para esse ganho de confiança:

  • Reforço de normas de integridade pública, transparência e combate à corrupção, que fortalecem a credibilidade das instituições federais.
  • Melhora nos indicadores de prestação de serviços públicos — saúde, educação, infraestrutura — gerando na população percepção de mudança real.
  • Mudança de narrativa e posição diplomática do Brasil no cenário global, reforçando o papel do Estado como agente de desenvolvimento e soberania.
  • Maior articulação entre governo, sociedade civil e setores privados na formulação de políticas públicas — o que gera efeito de legitimidade.

O relatório da OCDE afirma que o Brasil “entrou em novo ciclo de confiança” a partir de 2023, com políticas que reafirmam a responsabilidade pública e a articulação institucional.


Por que isso importa para o Brasil

A confiança no governo federal é mais do que uma questão de popularidade: ela é insumo essencial para a política pública, para o investimento público-privado e para o funcionamento do Estado democrático.
Quando as pessoas confiam no governo, elas têm mais disposição a aceitar reformas, colaborar com políticas públicas, esperar resultados e engajar-se em processos coletivos. Isso reduz o custo social de ação estatal e melhora a eficácia da administração.

No contexto brasileiro, marcado por profundas desigualdades, crise de confiança institucional e descontinuidade de políticas, esse avanço assume papel simbólico e prático: o Estado mostra que pode funcionar de forma mais previsível, confiável e voltada ao interesse público.


Os riscos que permanecem

Apesar do avanço, o relatório também enfatiza que há muito caminho a percorrer. A confiança ainda está em 38% — significativamente abaixo de patamares desejáveis em democracias maduras.
Alguns riscos vigentes:

  • A manutenção dessa confiança exige entrega: serviços públicos precisam continuar a melhorar e a política precisa se sustentar em institucionalidade — não apenas no discurso.
  • A confiança não se distribui igualmente: regiões com menor acesso a infraestrutura ou com histórica precariedade ainda podem não sentir os efeitos da mudança, o que pode gerar contraste e frustração.
  • A economia, os juros, a inflação e a desigualdade continuam desafios fortes. Se os resultados sociais não acompanharem, a confiança pode se dissipar.
  • O governo federal ainda precisa consolidar mecanismos de integridade, transparência e participação social de modo a blindar o avanço de retrocessos.

Em resumo: houve avanço, mas não é momento de acomodação.


O cenário político e institucional

Politicamente, o aumento da confiança dá ao governo federal margem maior para agir — para implementar políticas, negociar reformas, mobilizar apoio. Mas essa margem não é ilimitada.
Institucionalmente, reforça-se a necessidade de manter o compromisso de governança: transparência, accountability, participação social e autonomia das instituições.
O relatório da OCDE sugere que o Brasil atue com “abordagem de toda a sociedade” para consolidar a integridade pública — ou seja: governo, setor privado, sociedade civil e academia atuando em conjunto.

4 – Conclusão

O crescimento da confiança dos brasileiros no governo federal, como apontado pela OCDE, é notícia positiva e representa uma mudança estrutural relevante no Brasil de 2025.
Mas confiança não é substituto para ação: ela abre espaço, mas exige entrega. O governo federal enfrenta agora o desafio de transformar esse capital político em resultados concretos: serviços públicos melhores, desigualdade diminuída e Estado funcional.
Se conseguir, o Brasil poderá consolidar um ciclo virtuoso de governança, desenvolvimento e justiça social. Se falhar, a confiança alcançada poderá virar terreno frágil para frustrações e retrocessos.
O importante é: o novo ciclo de confiança precisa ser convertido em nova era de resultados.



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