Atitude Popular

“Os Estados Unidos vivem de guerra, eles precisam fazer guerra”

Em entrevista ao programa Café com Democracia, o professor Nelson Campos analisa o papel do Brasil e de Lula diante da escalada belicista de Donald Trump e da nova disputa geopolítica na América Latina

Durante o programa Café com Democracia, exibido em 27 de outubro de 2025 na TV Atitude Popular, o apresentador Luiz Regadas conversou com o professor Nelson Campos, mestre em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), sobre as tensões internacionais que se intensificaram após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Malásia e o reencontro diplomático com Donald Trump. A entrevista abordou os impactos de uma possível guerra articulada pelos Estados Unidos e o papel que o Brasil pode desempenhar na defesa da soberania latino-americana.

Segundo o professor Campos, Lula tem reafirmado uma postura de firmeza e habilidade diplomática, buscando reequilibrar as relações comerciais e políticas com os Estados Unidos sem submeter o país à lógica imperialista de Washington. “Lula é um batalhador, um negociador muito hábil. Ele tem essa característica de não se deixar curvar”, afirmou o professor, destacando a disposição do presidente brasileiro em manter diálogo, mas sem abrir mão da soberania nacional.

O retorno de Trump e o risco de uma nova guerra

A análise de Campos parte da constatação de que a política externa norte-americana, especialmente sob o comando de Trump, baseia-se em um modelo de dominação econômica e militar. Para ele, o ex-presidente republicano “não quer ser apenas presidente dos Estados Unidos, quer ser dono do mundo”. Essa ambição, segundo o entrevistado, explica as sucessivas intervenções dos EUA em outras nações e a tentativa de enfraquecer governos progressistas na América Latina.

“O capitalismo norte-americano se alimenta da guerra. Cada míssil lançado representa milhões de dólares. A indústria bélica é quem mais lucra, enquanto o povo paga a conta”, argumentou Campos, ao relacionar o aumento dos gastos militares à manipulação de conflitos regionais e à criação de inimigos imaginários — prática que, em sua visão, alimenta tanto o ódio quanto a desinformação.

Venezuela e a hipocrisia da política externa

Ao comentar as pressões contra a Venezuela, o professor foi categórico: “Os Estados Unidos acusam a Venezuela de ditadura, mas foram eles que espalharam ditaduras pela América Latina inteira”. Para ele, o interesse norte-americano nas reservas de petróleo venezuelanas explica as reiteradas tentativas de desestabilização política do país.

Campos destacou que Lula vem atuando como mediador e defensor da autodeterminação dos povos. “O que o presidente defende, e sempre defendeu, é o direito de cada nação decidir seu destino sem interferências externas”, disse. Ele ressaltou ainda que o papel do Brasil, nesse contexto, é reafirmar a liderança regional e funcionar como fiador da paz no continente.

A sombra do bolsonarismo e a submissão colonial

Em diversos momentos da entrevista, Nelson Campos criticou duramente a herança deixada pelo bolsonarismo, que segundo ele submeteu o Brasil aos interesses dos Estados Unidos. O professor relembrou declarações de Flávio Bolsonaro, pedindo intervenção militar norte-americana no Rio de Janeiro, e classificou o episódio como “injustificável e antinacional”.

“É o cúmulo da submissão. O governador é o responsável pela segurança do estado, não uma potência estrangeira. Esse tipo de discurso entrega nossa soberania e naturaliza a dependência colonial”, afirmou. Campos também apontou o envolvimento da família Bolsonaro com corrupção e milícias, qualificando-a como “uma estrutura de poder sustentada por mentiras e medo”.

América Latina entre dois caminhos

A conversa também abordou o avanço da extrema direita na América Latina, com destaque para a vitória eleitoral de Javier Milei na Argentina. Para o professor, o fenômeno se explica por um cenário de descrença na política e manipulação midiática. “Milei é um maluco, literalmente um maluco. A Argentina ficou refém dos Estados Unidos, que condicionaram ajuda financeira à vitória de seu aliado político”, disse.

Campos comparou o comportamento da direita latino-americana ao fascismo europeu e ao nazismo alemão, lembrando que “a extrema direita vive de mentiras e precisa sempre inventar um inimigo para justificar suas ações”. Ele alertou que a disseminação do ódio e da desinformação nas redes sociais é hoje o principal combustível desses movimentos.

O papel de Lula e o novo lugar do Brasil no mundo

Ao final da entrevista, o professor Nelson Campos enfatizou que Lula devolveu ao Brasil o protagonismo diplomático perdido durante o governo anterior. Para ele, o país voltou a ser respeitado por sua defesa da paz e do multilateralismo. “A soberania e a democracia, segundo Lula, são inegociáveis. Ele está mostrando ao mundo que não se governa com bajulação nem subserviência”, declarou.

Campos defendeu que o Brasil tem condições de se tornar um mediador global e um exemplo de resistência à política de guerra permanente. “Lula é hoje o grande líder mundial da paz. O Brasil pode e deve ser o fiador da estabilidade latino-americana”, concluiu.

📺 Programa Café com Democracia
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 7h30 às 8h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 33.829.340/0001-89

🔗 Assista à entrevista completa no YouTube

compartilhe: