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Ramagem é preso nos EUA após alerta da Interpol

Da Redação

Ex-diretor da Abin e aliado de Bolsonaro é detido pelo ICE após pedido de extradição do Brasil, em caso que envolve condenação por tentativa de golpe.

A prisão do ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, nos Estados Unidos marca um novo capítulo na responsabilização internacional de envolvidos na tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Ramagem foi detido pelo serviço de imigração norte-americano (ICE) após ter seu nome incluído na lista da Interpol, medida solicitada pelo Supremo Tribunal Federal como parte do processo de execução de sua pena.

Condenado a mais de 16 anos de prisão por crimes como organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e participação em trama golpista, o ex-parlamentar havia deixado o Brasil de forma clandestina antes do fim do julgamento.

A fuga ocorreu em setembro de 2025, quando Ramagem atravessou a fronteira por Roraima, seguiu até a Guiana e, de lá, embarcou para os Estados Unidos, onde permaneceu até ser localizado pelas autoridades.

A inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol foi decisiva.

Esse mecanismo transforma o indivíduo em procurado internacional e permite que forças policiais de outros países realizem sua captura, ampliando o alcance da Justiça brasileira para além das fronteiras nacionais.

A prisão ocorre em meio ao andamento do pedido de extradição formalizado pelo governo brasileiro no início de 2026. A documentação já havia sido enviada ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, e o caso segue agora sob análise das autoridades norte-americanas.

Nos bastidores, o episódio é interpretado como altamente simbólico.

Ramagem não é uma figura periférica.

Ele foi chefe da Abin durante o governo Bolsonaro e apontado pelas investigações como um dos articuladores centrais do esquema que buscava romper a ordem democrática no país.

Sua captura em território estrangeiro sinaliza uma nova fase.

A internacionalização da responsabilização penal de envolvidos nos atos de 8 de janeiro e na trama golpista passa a ganhar concretude, rompendo a lógica de impunidade baseada na fuga para outros países.

Há ainda um elemento político relevante.

Aliados de Ramagem chegaram a afirmar que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos, estratégia que poderia dificultar sua extradição. A prisão, no entanto, altera completamente esse cenário e coloca o ex-deputado sob controle direto das autoridades americanas enquanto o pedido brasileiro é analisado.

Além disso, o caso pode abrir precedente.

Outros investigados ou condenados que deixaram o Brasil podem enfrentar situação semelhante, especialmente se forem incluídos em mecanismos de cooperação internacional como a Interpol.

No fim, a prisão de Ramagem ultrapassa o caso individual.

Ela representa um recado claro.

A tentativa de ruptura democrática no Brasil não será tratada como um episódio doméstico isolado.

Ela passou a ser tratada como crime com repercussão internacional.

E isso muda o jogo.

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