Pesquisa mostra maior disposição para votar entre apoiadores de Caiado, enquanto eleitorado de Augusto Cury aparece mais aberto à mudança de voto e registra a maior aprovação ao governo Lula entre os três grupos analisados
Da Redação
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro pelo segundo turno começa a deslocar parte da atenção para os milhões de eleitores que escolheram outros candidatos no último domingo. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (8) mostra que a maioria dos eleitores de Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos pretende comparecer novamente às urnas em 25 de outubro, mas revela diferenças importantes no grau de mobilização, na definição do voto e na avaliação do atual governo.
O grupo com maior disposição declarada para participar da segunda votação é o dos eleitores de Ronaldo Caiado. Entre eles, 74% afirmam que certamente irão às urnas e outros 16% dizem que provavelmente comparecerão. Somadas as duas respostas, 90% demonstram tendência de participar do segundo turno. Apenas 2% dizem que certamente não irão votar, enquanto 3% afirmam que provavelmente ficarão fora e 5% ainda não sabem se comparecerão.
Esse eleitorado também apresenta um grau relativamente elevado de decisão sobre o próximo voto. Segundo o levantamento, 57% dos que escolheram Caiado no primeiro turno afirmam já ter sua preferência totalmente definida para a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Outros 25% dizem estar quase decididos, mas admitem possibilidade de mudança. Há ainda 12% bastante indefinidos e 6% totalmente indecisos.
O cenário é diferente entre os eleitores de Augusto Cury. Nesse grupo, 68% afirmam que irão votar no segundo turno e 14% dizem que provavelmente comparecerão. Outros 7% ainda não decidiram se voltarão às urnas, enquanto 6% provavelmente não participarão e 5% dizem ter certeza de que não votarão.
É justamente entre os eleitores de Cury, entretanto, que aparece o maior espaço para movimentação durante as duas semanas restantes de campanha. Apenas 22% afirmam ter o voto totalmente definido. Outros 52% dizem que sua escolha está quase definida, mas ainda pode mudar. Há também 14% que se declaram totalmente indecisos.
Isso transforma esse grupo em um eleitorado particularmente móvel. Não porque esteja necessariamente mais próximo de um dos dois candidatos, mas porque uma parcela majoritária admite que ainda pode rever a escolha antes de 25 de outubro.
Eleitores de Cury registram maior aprovação a Lula entre os três grupos
A pesquisa também perguntou como esses segmentos avaliam o governo Lula. Entre os eleitores de Augusto Cury, 44% aprovam a atual administração e 56% desaprovam. Apesar de a avaliação negativa continuar majoritária, esse é o maior índice de aprovação registrado entre os eleitores dos três candidatos eliminados analisados pelo instituto.
Entre os apoiadores de Ronaldo Caiado, a distância é bem maior: 22% aprovam o governo e 78% desaprovam.
O eleitorado de Renan Santos apresenta a avaliação mais negativa. Apenas 16% dos entrevistados desse grupo aprovam o governo Lula, enquanto 84% desaprovam.
Os resultados mostram que a origem do voto do primeiro turno não determina automaticamente o comportamento no segundo. Aprovação ou desaprovação do governo é apenas uma das variáveis envolvidas na escolha, e o levantamento divulgado não permite concluir, somente a partir desses percentuais, como cada segmento distribuirá seus votos entre Lula e Flávio Bolsonaro.
No caso dos eleitores de Cury, por exemplo, a combinação é peculiar: trata-se do grupo que mais aprova Lula entre os três pesquisados, mas ainda assim a maioria desaprova o governo. Ao mesmo tempo, é o segmento no qual mais entrevistados admitem que sua escolha ainda pode mudar.
Eleitorado de Renan está mais decidido, mas menos mobilizado
Entre os eleitores que escolheram Renan Santos no primeiro turno, 50% afirmam que certamente participarão da segunda votação e 19% dizem que provavelmente irão às urnas. Outros 16% ainda não sabem se comparecerão. Os que provavelmente não irão somam 8%, e 7% afirmam ter certeza de que ficarão fora.
Embora a disposição para comparecer seja menor que entre os eleitores de Caiado e Cury, o grupo de Renan apresenta o voto mais consolidado.
Nada menos que 77% afirmam que sua escolha para o segundo turno já está totalmente definida. Outros 10% dizem estar quase decididos, embora ainda possam mudar. Também 10% se consideram bastante indefinidos e apenas 3% totalmente indecisos.
É uma combinação que diferencia esse eleitorado dos demais: proporcionalmente menos pessoas garantem presença nas urnas, mas, entre aquelas pesquisadas, a decisão sobre em quem votar aparece muito mais cristalizada.
Esse dado interessa às duas campanhas porque mostra que disputar determinado segmento não depende apenas de convencer o eleitor a escolher um candidato. Em alguns grupos, a tarefa passa antes por levá-lo novamente à urna; em outros, o principal desafio é mudar uma preferência já estabelecida.
A campanha eleitoral entra, portanto, numa fase em que mobilização e persuasão passam a operar ao mesmo tempo.
Pesquisa ouviu grupos específicos
O levantamento do Real Time Big Data entrevistou 1.600 pessoas entre 6 e 7 de outubro. Foram ouvidos 400 eleitores de Augusto Cury, 400 de Renan Santos, 400 de Ronaldo Caiado e 400 entrevistados pertencentes ao grupo de abstencionistas analisado pelo instituto.
A margem de erro informada é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
É importante observar que o estudo não representa simplesmente uma pesquisa nacional de intenção de voto entre todos os brasileiros. Seu objetivo é examinar grupos específicos que ganharam importância depois da eliminação de seus candidatos no primeiro turno e compreender como esses eleitores estão se comportando diante da escolha agora restrita a Lula e Flávio Bolsonaro.
Os dados ajudam a mostrar também por que o segundo turno não pode ser interpretado apenas como a repetição da votação de domingo com dois nomes a menos na urna.
Milhões de eleitores precisam reorganizar sua escolha. Alguns já decidiram para onde irão. Outros avaliam se irão votar. Uma parcela significativa admite que pode mudar de posição ao longo das próximas semanas.
Entre os grupos examinados, o eleitorado de Caiado apresenta maior disposição para comparecer, o de Renan Santos aparece com a escolha mais consolidada e o de Augusto Cury concentra a maior parcela de votos ainda sujeitos a mudança.
É nesse espaço que as duas campanhas entram agora: não apenas tentando conquistar quem votou em outro candidato, mas descobrindo quem ainda está disposto a ouvir, quem já tomou sua decisão e quem sequer pretende voltar à urna no dia 25.






