Da Redação
Pesquisa publicada na Lancet Global Health estima que, entre 1971 e 2021, sanções unilaterais impostas por EUA e União Europeia resultaram em cerca de 564 mil mortes anuais, mortalidade comparável a conflitos armados.
Uma análise publicada recentemente na Lancet Global Health estima que 564.258 mortes em excesso por ano, entre 1971 e 2021, foram associadas a sanções unilaterais — especialmente as impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia. O número representa, em média, um impacto letal anual semelhante ou superior ao causado por guerras e conflitos armados.
Para chegar a essa cifra, os pesquisadores usaram indicadores específicos de mortalidade por faixa etária em 152 países, empregando métodos econométricos avançados para isolar o efeito das sanções nas mortes. Já as sanções multilaterais da ONU não apresentaram associação estatisticamente significativa com aumento da mortalidade.
Nos anos 1970, cerca de 8% dos países sofriam sanções unilaterais; entre 2010 e 2022 esse número subiu para 25%. Esse aumento reflete uma mudança estrutural na política internacional, em que medidas econômicas substituem ou complementam confrontos diretos, mas com consequências devastadoras.
O estudo também mostra que as sanções não afetam apenas governos, mas sobretudo a população civil, limitando o acesso a medicamentos, alimentos e bens essenciais. Exemplos como a dificuldade de tratamento para doenças crônicas em países como Irã e Venezuela evidenciam o impacto humano dessas medidas.
Especialistas argumentam que, em vez de serem utilizadas como último recurso, as sanções se tornaram instrumentos sistemáticos de pressão, gerando efeitos letais invisíveis e prolongados, em especial sobre as camadas mais vulneráveis das sociedades atingidas.


