Da Redação
Ex-diretor da PRF, condenado pelo STF por tentativa de golpe, rompe monitoramento eletrônico, foge do Brasil e é detido em Assunção enquanto tentava embarcar com passaporte irregular rumo a El Salvador.
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso nesta sexta-feira, no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, após romper a tornozeleira eletrônica que utilizava no Brasil e tentar fugir do país. A prisão ocorreu enquanto ele tentava embarcar em um voo internacional, encerrando uma fuga iniciada na madrugada da véspera de Natal e confirmando, para as autoridades brasileiras, o risco concreto de evasão já apontado pelo Supremo Tribunal Federal.
Silvinei Vasques havia sido condenado recentemente pela Primeira Turma do STF a 24 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e outros delitos associados ao plano de desestabilização institucional que se seguiu às eleições presidenciais de 2022. A condenação se baseou em um amplo conjunto de provas reunidas pela Procuradoria-Geral da República, que apontam o uso indevido da estrutura da PRF para interferir no processo eleitoral, especialmente por meio de operações direcionadas a dificultar o deslocamento de eleitores em regiões estratégicas do país.
Mesmo diante da condenação e das medidas cautelares impostas pela Justiça, Vasques estava em liberdade provisória, submetido ao uso de tornozeleira eletrônica e à proibição de deixar o território nacional. Na madrugada do dia 25 de dezembro, o sistema de monitoramento indicou a interrupção abrupta do sinal do dispositivo, revelando que a tornozeleira havia sido rompida de forma deliberada. Pouco depois, ele deixou sua residência em Santa Catarina e cruzou a fronteira brasileira de maneira irregular.
Segundo informações apuradas pelas autoridades, a fuga foi planejada com antecedência. Vasques teria deixado o país em um veículo alugado, levando consigo pertences pessoais e seu animal de estimação, o que reforçou a avaliação de que se tratava de uma tentativa de evasão definitiva. Com o passaporte brasileiro retido por ordem judicial, ele tentou embarcar no Paraguai utilizando documentação irregular, com a intenção de seguir para a América Central.
A prisão ocorreu após cooperação entre autoridades paraguaias e brasileiras, que identificaram o ex-diretor da PRF no aeroporto de Assunção. Diante da confirmação da fuga e da violação das medidas cautelares, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, decretou imediatamente a prisão preventiva de Silvinei Vasques, destacando o risco concreto de evasão e a necessidade de garantir a aplicação da pena.
O episódio ocorre em um contexto mais amplo de responsabilização judicial de agentes públicos e políticos envolvidos nas tentativas de ruptura institucional registradas no Brasil entre o final de 2022 e o início de 2023. Silvinei Vasques é considerado uma das figuras centrais desse processo, por ter comandado uma força policial federal em ações que, segundo o STF, extrapolaram completamente os limites legais e democráticos.
A detenção no Paraguai gerou ampla repercussão no Brasil, tanto no meio político quanto nas redes sociais, sendo interpretada por setores da sociedade como um símbolo do fracasso das tentativas de fuga e da efetividade da cooperação internacional no cumprimento de decisões judiciais. Ao mesmo tempo, o caso reacendeu o debate sobre a eficácia do monitoramento eletrônico em processos de alta complexidade e risco político.
Com a prisão, as autoridades paraguaias deram início aos trâmites para a expulsão imediata de Silvinei Vasques, que deverá ser entregue às autoridades brasileiras nos próximos dias. Ele será então conduzido ao sistema prisional para iniciar o cumprimento da pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal, encerrando um dos episódios mais emblemáticos da responsabilização judicial relacionada às tentativas de golpe contra a democracia brasileira.


