Da Redação
A candidatura de Luizianne Lins (Rede) ao Senado está definida, mas a composição de suas suplências revela que a negociação em torno da vaga não terminou com a escolha da ex-prefeita de Fortaleza. Chagas Vieira (PDT) será o primeiro suplente, enquanto Rodrigo Oliveira (MDB), filho do deputado federal Eunício Oliveira, ficará com a segunda suplência.
A composição foi confirmada nesta quinta-feira (6) pelo jornal O POVO. Com as escolhas, a chapa governista ao Senado fica completa: além de Luizianne, Cid Gomes (PSB) disputa a reeleição, tendo Júnior Mano (PSB) como primeiro suplente e Julio Ventura (PSB) como segundo.
A definição de Rodrigo Oliveira encerra uma disputa que vinha ocorrendo de forma reservada dentro da base governista. Relatos de bastidores obtidos pela Atitude Popular apontam que diferentes setores da aliança buscavam ocupar a segunda suplência de Luizianne, considerada um espaço relevante na composição política da chapa.
A solução encontrada contempla diretamente o MDB de Eunício Oliveira. Rodrigo é filho do deputado federal e ex-presidente do Senado, que chegou a ser apontado durante a pré-campanha como possível candidato à própria vaga de senador. A indicação confirma o espaço reservado ao MDB no acordo eleitoral da base de Elmano. O CN7 também informou nesta quinta-feira que a escolha de Rodrigo fecha a chapa e resulta do entendimento entre PT e MDB.
A primeira suplência, por sua vez, ficou com Chagas Vieira, ex-secretário da Casa Civil do Governo do Ceará e um dos auxiliares mais próximos do núcleo governista.
Nos bastidores, porém, a escolha de Chagas é interpretada também a partir do futuro político de Luizianne. Interlocutores ouvidos pela Atitude Popular observam que, caso ela seja eleita senadora e posteriormente deixe o mandato para disputar outro cargo, será Chagas quem assumirá a cadeira no Senado.
Essa possibilidade ganha significado particular diante de Fortaleza. Luizianne já governou a capital por dois mandatos e permanece como uma das principais lideranças políticas da cidade. Por isso, a identidade do primeiro suplente interessa não apenas à eleição de 2026, mas também aos movimentos políticos posteriores. Não há, neste momento, anúncio de Luizianne sobre uma eventual candidatura municipal futura.
A disputa pela segunda suplência foi ainda mais reservada. As negociações indicavam movimentações de diferentes forças da base para ocupar o posto. O desfecho com Rodrigo Oliveira mostra que Eunício conseguiu preservar participação direta na chapa mesmo sem concorrer ao Senado.
O nome do advogado e professor Marcelo Uchôa também circulou de forma orgânica, sem que ele tenha participado formalmente das negociações pela suplência. Seu nome chegou a ser mencionado como uma possibilidade capaz de provocar reação política dentro da própria base, evidenciando o grau de disputa existente em torno da composição. Uchôa manifestou publicamente apoio à candidatura de Luizianne e avaliou que a decisão dela de deixar o PT e buscar a candidatura pela Rede terminou fortalecendo também a chapa governista.
A composição final permite uma leitura mais ampla da negociação. Luizianne conquistou a candidatura ao Senado depois de meses de tensão com setores do grupo governista, mas as duas posições imediatamente abaixo dela ficaram com representantes de outras forças políticas da aliança.
Chagas Vieira ocupa a primeira suplência. O MDB de Eunício fica com a segunda por meio de Rodrigo Oliveira. Luizianne encabeça a candidatura, enquanto parte importante da linha sucessória de seu eventual mandato fica distribuída entre grupos que participaram da negociação que levou à formação da chapa.
Com o encerramento das convenções, a disputa deixa de ser apenas sobre quem ocuparia a segunda vaga governista ao Senado. A composição das suplências mostra que a negociação alcançou também uma pergunta menos visível durante a pré-campanha: quem ficará com a cadeira caso Luizianne seja eleita e, em algum momento dos oito anos de mandato, deixe o Senado.


