Da Redação
O presidente Donald Trump advertiu Vladimir Putin após a Rússia anunciar o teste de um míssil nuclear-motorizado, acusando-o de priorizar demonstrações de força em vez de encerrar a guerra na Ucrânia. A tensão nuclear reacende preocupações globais com escalada e corrida armamentista.
Nesta segunda-feira, 27 de outubro de 2025, o presidente norte-americano Donald Trump fez declarações firmes contra o governo russo, após a divulgação de que a Rússia teria testado com sucesso um míssil de propulsão nuclear — o denominado Burevestnik (também referido como SSC-X-9 Skyfall), que, segundo Moscou, percorreu cerca de 14 000 km em voo de teste.
Trump qualificou o teste como “inapropriado” e disse que Putin deveria dedicar-se a resolver a guerra na Ucrânia, “uma guerra que deveria ter durado uma semana” e já se estende por quase quatro anos. Ele disse ainda que os Estados Unidos não precisam de mísseis com alcance global porque possuem um submarino nuclear posicionado “bem próximo das costas russas”.
A denúncia e o contexto
O teste russo é interpretado por Washington como mais um passo na escalada nuclear e na demonstração de capacidade estratégica da Rússia. Para Trump, o foco deveria estar no fim do conflito ucraniano, ao invés de no desenvolvimento de armamentos com alcance quase ilimitado.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu que a Rússia age em conformidade com seus interesses nacionais, que não vê razão para que o teste represente um obstáculo às relações com os EUA e que continuará desenvolvendo suas capacidades de defesa.
Implicações geopolíticas
A declaração de Trump marca uma mudança de tom — de diplomacia restrita a atrito público — e ele implica que os EUA poderão adotar novas sanções setoriais se a Rússia persistir no prolongamento do conflito. Para o Sul Global, esse embate entre duas potências nucleares evidencia a forte assimetria nas relações globais e o risco de que armamentos estratégicos substituam o diálogo diplomático.
Especialistas alertam que, ainda que a viabilidade operacional do Burevestnik seja questionada, o valor simbólico é elevado: gera pressão sobre tratados internacionais, alimenta corrida armamentista e substitui mecanismos de paz por demonstrações de força.
Reflexo para o Brasil e o Sul Global
Para países do Sul Global, esse episódio reforça algumas lições importantes: a) a existência de armas estratégicas não significa segurança automática — significa risco constante; b) o protagonismo entre grandes potências consome recursos que poderiam ser aplicados em desenvolvimento humano; c) o Brasil, em sua diplomacia de autonomia, precisa manter postura clara: capacidade de diálogo com todos, mas sem se submeter a dinâmicas de escalada das potências.
No caso da Ucrânia, a insistência dos EUA em pressionar pela derrota da Rússia, ao lado dessa demonstração russa de poder, alimenta o ciclo de prolongamento do conflito — algo que o Sul Global vê com preocupação, pois conflitos longos criam instabilidade global, migratória e econômica.


