Atitude Popular

“O repórter continua importante”

Eliézer Rodrigues defende retomada do Prêmio ACI de Jornalismo como incentivo à reportagem, à ética profissional e à defesa da democracia no Ceará

O programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, recebeu nesta terça-feira o jornalista Eliézer Rodrigues, presidente da Associação Cearense de Imprensa, para tratar do lançamento do Prêmio ACI de Jornalismo 2025/2026. Excepcionalmente apresentado por Antônio Ibiapino, o programa discutiu a retomada da premiação, a história da ACI e o papel da reportagem em meio à desinformação e às mudanças tecnológicas.

A entrevista foi a fonte principal desta matéria. Segundo informações divulgadas pela própria ACI, o lançamento oficial da edição 2025/2026 ocorre no dia 6 de maio de 2026, às 9h, no Comitê de Imprensa da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, a Alece. As inscrições serão abertas após o lançamento e os vencedores serão conhecidos no segundo semestre.

Eliézer Rodrigues afirmou que a retomada do prêmio representa uma tentativa de recolocar a reportagem no centro da atividade jornalística. A premiação, segundo ele, volta após mais de uma década sem realização e terá espaço para profissionais e estudantes.

“A ACI retoma o prêmio de jornalismo que há mais de uma década não estava acontecendo. Na nossa gestão, estamos resgatando para a imprensa cearense, para os profissionais, a realização do concurso de jornalismo, de reportagens, de entrevistas e de todo o material produzido pelos nossos colegas profissionais de imprensa”, afirmou.

A nova edição contempla trabalhos em texto, áudio, vídeo, fotografia e jornalismo universitário, com materiais veiculados em jornal impresso, rádio, televisão, sites, podcasts e outras plataformas. A ACI também informou que profissionais e estudantes de Comunicação do Ceará poderão participar com reportagens, apresentações, vídeos, áudios e imagens.

Durante a entrevista, Eliézer destacou que o lançamento no Comitê de Imprensa da Alece tem valor simbólico e institucional. Para ele, a Assembleia Legislativa é parceira no resgate da premiação, que pretende valorizar a produção jornalística comprometida com a realidade social, ambiental e econômica do Ceará.

“O prêmio tem esse objetivo: respeitar os direitos humanos, a justiça e a democracia desse país”, disse.

O presidente da ACI também situou a premiação dentro da trajetória centenária da entidade. Fundada em 1925, a Associação Cearense de Imprensa completou 100 anos em 2025 e, segundo Eliézer, sempre manteve relação direta com a vida cultural, política e democrática de Fortaleza.

“A ACI tem um histórico muito importante na vivência da cidadania fortalezense. Desde a sua fundação, lá em 1925, ela tinha uma participação muito ativa com as recreações da cidade”, afirmou.

Ele lembrou que, antes da consolidação dos sindicatos, a vida pública de Fortaleza era marcada pela atuação de associações. Nesse contexto, a ACI abrigou debates, cursos, movimentos estudantis, atividades culturais e também experiências ligadas à formação de jornalistas. Segundo Eliézer, o próprio Sindicato dos Jornalistas nasceu dentro da entidade.

“A ACI foi o embrião das primeiras aulas de jornalismo. Dentro da estrutura do prédio da ACI, começaram a ser realizados cursos de jornalismo”, disse.

Outro ponto destacado foi a relação da entidade com o patrimônio histórico de Fortaleza. Eliézer lembrou que a ACI coordenou a mobilização para arrecadar recursos destinados à construção do monumento a José de Alencar, instalado na praça de mesmo nome. Para ele, o abandono atual da escultura revela a falta de cuidado público com a memória urbana da capital cearense.

“Aquela peça tem um valor inestimável e hoje está abandonada, pichada. É uma obra de arte, é a memória da cidade”, afirmou.

O presidente da ACI também citou a sede da entidade, localizada no Centro de Fortaleza, como uma construção de relevância arquitetônica. Segundo ele, o prédio João Perboyre e Silva, sede da Associação, é considerado por arquitetos um dos primeiros edifícios de Fortaleza com traços modernistas, mas ainda aguarda reconhecimento formal como patrimônio histórico.

A entrevista avançou para a transformação do jornalismo nas últimas décadas. Eliézer Rodrigues comparou a época do jornal impresso, marcada pela apuração presencial e pela reportagem de rua, com o ambiente atual, atravessado por internet, redes sociais, inteligência artificial e circulação acelerada de informações.

“O repórter ia atrás da notícia. Ele gastava sola de sapato para ir ao encontro da notícia”, lembrou.

Para Eliézer, a retomada do Prêmio ACI também funciona como estímulo à apuração rigorosa. Ele criticou a prática de produzir jornalismo apenas por reprodução de informações disponíveis na internet e defendeu que a comissão julgadora valorize trabalhos que demonstrem pesquisa, esforço e compromisso público.

“A comissão julgadora vai julgar aqueles trabalhos que realmente representam o esforço, a dedicação e a capacidade do repórter”, afirmou.

Ao comentar a inteligência artificial, o presidente da ACI defendeu que a reportagem humana continua sendo base indispensável para qualquer sistema de informação. Segundo ele, as máquinas dependem de bancos de dados alimentados por textos, reportagens e registros produzidos por profissionais.

“O repórter continua importante. A fonte das máquinas é a produção humana”, disse.

Eliézer também alertou que informações incorretas podem se multiplicar quando a base consultada por sistemas digitais já nasce incompleta ou errada. Por isso, afirmou, a produção de reportagens bem apuradas é também uma forma de preservar memória pública e qualificar os dados que circulam na internet.

“Se você produzir boas reportagens, com ética e pesquisa, essa produção vai para um banco de dados e passa a servir como fonte”, explicou.

O lançamento do Prêmio ACI de Jornalismo 2025/2026, segundo Eliézer, marca a reabertura de um espaço de valorização profissional em um momento de ataques à democracia, disseminação de mentiras e precarização da informação. A Alece também registrou que a nova edição será lançada em 6 de maio, às 9h, no Comitê de Imprensa da Casa. ([Alece][3])

Para o presidente da ACI, defender o jornalismo é defender uma forma qualificada de mediação pública. E, no Ceará, essa defesa passa pela valorização dos profissionais, dos estudantes e das reportagens capazes de investigar, contextualizar e registrar os conflitos reais da sociedade.

“Fica aqui o convite para amanhã, às 9 da manhã, lá no Comitê de Imprensa da Assembleia, para o lançamento do nosso Prêmio ACI de Jornalismo 2025/2026”, concluiu.

Serviço

Prêmio ACI de Jornalismo 2025/2026
Realização: Associação Cearense de Imprensa

Categorias

Prêmio ACI de Jornalismo em Texto
Voltado para reportagens publicadas em jornais, revistas, portais e sites de notícias sediados no Ceará, abordando temas ligados à realidade social, ambiental e econômica cearense.

Prêmio ACI de Jornalismo em Vídeo
Destinado a reportagens exibidas em emissoras de televisão aberta, canais por assinatura ou plataformas digitais de jornalismo audiovisual.

Prêmio ACI de Jornalismo em Áudio
Abrange produções jornalísticas veiculadas em rádios ou plataformas de podcast, desde que realizadas por profissionais da área.

Prêmio ACI de Jornalismo em Fotografia
Categoria voltada para foto isolada, séries fotográficas e ensaios com até cinco imagens, publicados em veículos impressos ou digitais e produzidos por repórteres fotográficos profissionais.

Prêmio ACI de Jornalismo Universitário
Aberto a estudantes de Jornalismo, individualmente ou em grupo, com trabalhos publicados em veículos laboratoriais de instituições de ensino superior, mediante declaração assinada por professor orientador.

Premiação total estimada: cerca de R$ 39 mil

Mais informações:
Associação Cearense de Imprensa

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