Federação avalia neutralidade na eleição presidencial e amplia dificuldades do senador para construir uma aliança nacional
Da Redação
A federação formada por União Brasil e PP avalia retirar o apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e adotar uma posição de neutralidade na disputa de 2026. O movimento atinge diretamente a estratégia do senador, que vinha negociando uma aliança nacional com os dois partidos para ampliar o palanque do PL.
A possibilidade de rompimento ganhou força após uma sequência de atritos envolvendo Flávio e dirigentes das duas legendas. A insatisfação cresceu com a postura do senador diante de investigações que atingiram aliados do PP e do União Brasil e com disputas regionais nas quais os interesses dos partidos colidem com a estratégia eleitoral do PL.
A federação reúne uma das maiores bancadas do Congresso e possui presença significativa nos estados. Perder seu apoio reduziria o tempo de propaganda eleitoral, a estrutura partidária disponível para a campanha e a possibilidade de construção de palanques conjuntos para Flávio.
Meses atrás, o cenário era diferente. Em abril, dirigentes do PP e do União Brasil sinalizavam disposição para apoiar Flávio, desde que ele mantivesse um discurso mais moderado e restringisse a influência dos setores mais radicais do bolsonarismo sobre a campanha. Agora, a tendência de neutralidade indica que as negociações perderam força.
Estados pesam na decisão
As eleições estaduais estão entre os principais fatores da crise. Dirigentes da federação avaliam que um apoio nacional obrigatório a Flávio poderia dificultar alianças locais consideradas estratégicas.
No Rio de Janeiro, setores do União Brasil avaliam que a neutralidade permitiria maior liberdade para negociar a disputa estadual, inclusive diante da candidatura de Eduardo Paes ao governo. Na Bahia, ACM Neto mantém aproximação com Ronaldo Caiado, que também disputa espaço na corrida presidencial.
A crise no Rio se agravou após a prisão de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil. Dirigentes da legenda demonstraram irritação com a falta de apoio de Flávio ao aliado e com a percepção de que setores do PL passaram a trabalhar para reorganizar a disputa pela vaga ao Senado no estado.
O episódio aumentou a resistência a um compromisso nacional com o senador. Para os dirigentes da federação, uma aliança presidencial precisa considerar também as disputas por governos estaduais, Senado e Câmara dos Deputados.
Flávio ainda não unificou a direita
A ameaça de desembarque expõe uma dificuldade que acompanha Flávio desde o lançamento de sua pré-candidatura: transformar a influência política do sobrenome Bolsonaro em uma coalizão partidária ampla.
O senador possui o apoio do PL e procura apresentar-se como herdeiro eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro. Fora do partido, porém, governadores e dirigentes de outras legendas mantêm projetos próprios.
Ronaldo Caiado trabalha para consolidar sua candidatura presidencial. Romeu Zema também busca espaço nacional. Tarcísio de Freitas continua sendo citado por setores empresariais e políticos da direita, mesmo diante das movimentações para sua reeleição em São Paulo.
A neutralidade de União Brasil e PP permitiria que seus diretórios estaduais negociassem com diferentes candidaturas e preservassem alianças locais. Para Flávio, o resultado seria o enfraquecimento de uma composição que vinha sendo tratada como fundamental para dar capilaridade nacional à campanha.
A decisão ainda não foi formalizada. As conversas internas continuam, mas o movimento mostra que a candidatura de Flávio enfrenta resistência entre partidos que, há poucos meses, sinalizavam disposição para acompanhá-lo na eleição presidencial de 2026.






