Coordenador do Fuaspec critica perdas salariais, expansão de isenções fiscais e defende unidade do funcionalismo no Ceará diante de cenário político desafiador
O professor Nilson Cardoso, novo coordenador-geral do Fuaspec, afirmou que os servidores públicos estaduais do Ceará seguem enfrentando um cenário de avanços limitados, especialmente no que diz respeito à valorização salarial e às condições de trabalho. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular.
O Fuaspec, Fórum Unificado das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos Estaduais do Ceará, reúne cerca de 35 entidades representativas do funcionalismo e atua na articulação coletiva das principais pautas da categoria, como recomposição salarial, direitos trabalhistas e condições de trabalho.
Na entrevista, Nilson apresentou um balanço crítico da atual gestão estadual. Segundo ele, houve uma mudança em relação ao governo anterior no que diz respeito ao diálogo institucional, mas os resultados concretos ainda estão aquém do necessário. “A gente avança, mas avança muito pouco”, afirmou, ao comentar a situação do funcionalismo.
Um dos principais pontos levantados é a defasagem salarial acumulada ao longo dos últimos anos. De acordo com o coordenador, os servidores iniciaram o atual governo com perdas próximas de 37%, e, mesmo após negociações, o percentual ainda gira em torno de 32%. “Recuperamos pouco mais de 3% ou 4%, o que está sendo chamado de ganho real, mas na verdade é uma reposição muito pequena diante das perdas”, explicou.
Além da questão salarial, Nilson destacou a precarização crescente no serviço público, com o avanço da terceirização em diversas áreas. Em alguns setores do Estado, segundo ele, o número de servidores efetivos já é minoritário, o que compromete a estabilidade do serviço e fragiliza as condições de trabalho.
Outro aspecto criticado é a política de incentivos fiscais adotada pelo governo estadual. O coordenador apontou que as isenções concedidas a empresas cresceram significativamente nos últimos anos, alcançando cifras superiores a R$ 6 bilhões. Para ele, essa política revela uma contradição na gestão dos recursos públicos.
“A gente pergunta quanto desse dinheiro volta para o Estado. Porque o servidor não é rentista, ele não aplica no exterior. Ele consome, movimenta a economia local”, argumentou, defendendo que a valorização do funcionalismo também tem impacto direto no desenvolvimento econômico.
A entrevista também abordou os desafios da organização sindical em um contexto político cada vez mais polarizado. Nilson destacou que o Fuaspec busca manter independência crítica em relação ao governo, sem abrir espaço para instrumentalização por setores da extrema direita.
Segundo ele, o papel das entidades sindicais é apontar contradições e cobrar avanços, mesmo quando se trata de governos alinhados ao campo progressista. “A gente não pode se omitir de fazer denúncias e cobranças, mas também não pode cair na armadilha de fortalecer quem ataca a democracia”, afirmou.
Nesse cenário, a unidade entre trabalhadores e trabalhadoras do serviço público aparece como elemento central. O Fuaspec pretende organizar, nos próximos meses, um amplo debate envolvendo servidores estaduais, municipais e federais, com foco em temas estruturais como reforma administrativa, terceirização e valorização profissional.
A ideia é construir uma agenda comum que possa ser apresentada aos candidatos nas eleições de 2026, estabelecendo compromissos claros com o fortalecimento do serviço público. Para Nilson, o momento exige mobilização e clareza política.
“Essas eleições colocam em cheque a nossa continuidade”, alertou, ao mencionar riscos como novas reformas que podem atingir direitos previdenciários e trabalhistas, além de ameaças mais amplas ao papel do Estado.
Ao final, o coordenador reforçou a importância dos servidores públicos na garantia de direitos fundamentais da população. Para ele, o desenvolvimento do Ceará precisa necessariamente passar pela valorização daqueles que sustentam, no cotidiano, políticas públicas nas áreas de saúde, educação, segurança e assistência social.
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