Da Redação
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, indicou a aliados que não pretende concorrer a um cargo eletivo no estado de São Paulo, mesmo diante de pressões internas do Partido dos Trabalhadores (PT). A posição dele ocorre em meio às articulações do campo governista para fortalecer a estratégia eleitoral nas eleições de 2026, especialmente na disputa no principal colégio eleitoral do país.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tem sinalizado, nos últimos dias, que não deseja disputar um cargo eletivo no estado de São Paulo, mesmo diante de pressões de setores do PT para que aceite entrar na corrida ao Palácio dos Bandeirantes em 2026 caso perca o posto de candidato a vice na chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo relatos de aliados e apuração de veículos nacionais, Alckmin tem deixado claro que sua prioridade é permanecer na chapa presidencial com Lula e continuar desempenhando o papel de vice-presidente, cargo que ocupa desde 2023 e que, na avaliação de sua base política, proporcionou a ele relevância nacional e interlocução com setores empresariais e moderados do eleitorado.
A movimentação política ocorre em meio a um debate estratégico dentro da base aliada do governo sobre como montar um palanque competitivo para o PT e seus partidos coligados no estado de São Paulo — o maior colégio eleitoral do Brasil e um dos fatores determinantes para o desempenho presidencial na reta final da campanha.
Internamente, há setores do PT e de partidos aliados que defendem que Alckmin poderia disputar o governo paulista caso fique fora da chapa presidencial, reforçando a presença da aliança governista diante de uma oposição que continua forte no estado. Entretanto, aliados próximos ao vice afirmam que ele não está disposto a enfrentar esse desafio eleitoral, especialmente após consolidar sua atuação ao lado de Lula e reforçar sua projeção dentro da administração federal.
A posição de Alckmin se insere num quadro maior de negociações para definir perfis competitivos para as eleições estaduais e federais de outubro. O PT tem explorado diversas possibilidades, incluindo possíveis candidaturas de ministros ou de outras lideranças, como o ministro da Fazenda Fernando Haddad, que também tem sido considerado uma opção para disputar o governo paulista, embora ele próprio já tenha manifestado relutância em entrar na disputa.
Aliados próximos a Alckmin ressaltam, porém, que a relação construída com Lula desde a campanha de 2022 — quando era filiado ao PSB e coordenou apoios estratégicos — é um fator que tende a mantê-lo ao lado do presidente, preferindo permanecer no cargo de vice ou atuar de forma central na campanha presidencial em vez de se lançar candidato estadual.
Por outro lado, dirigentes do PT reforçam que a definição final sobre nomes competitivos para São Paulo deve ocorrer nas próximas semanas, com conversas entre lideranças e possíveis candidatos, também levando em conta a necessidade de equilíbrio com o plano nacional da chapa e o objetivo de fortalecer a base governista no maior eleitorado do país.
O cenário ilustra a complexidade da costura político-eleitoral em 2026, com figuras de destaque como Alckmin sendo avaliadas não apenas por sua experiência ou histórico eleitoral, mas também pela importância estratégica de manter a aliança coesa e competitiva em diferentes níveis da disputa. A opção dele por não disputar São Paulo pode ter reflexos nas negociações internas do campo governista, abrindo espaço para outras lideranças disputarem cargos majoritários ou reforçando o trabalho de coordenação de campanha, mesmo sem uma candidatura formal.