Atitude Popular

“Bolsonaro é um leão que perdeu os dentes”

Professor Roberto analisa na Atitude Popular o colapso político e jurídico do ex-presidente após a violação da tornozeleira eletrônica


O programa Democracia no Ar, apresentado por Sara Goes na TV Atitude Popular, recebeu nesta segunda-feira (24) o professor Roberto Cardoso, do canal Pensando Alto, para discutir os desdobramentos da prisão preventiva de Jair Bolsonaro e o impacto da sua tentativa fracassada de violar a tornozeleira eletrônica.

Sara abre o programa lembrando que Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão, aguardava em regime domiciliar o trânsito em julgado do processo. A normalidade desse estágio foi interrompida quando, à meia-noite de sábado, o ex-presidente rompeu a tornozeleira com um ferro de solda, provocando a ida imediata da Polícia Federal à sua residência.
“Falou tanto do presidente Lula, presidiário, e agora é ele quem está na situação de presidiário”, provocou a apresentadora no início da transmissão.

“A gente não pensa como ele porque a gente não é bandido”
Para Roberto Cardoso, a chave para entender o episódio é reconhecer, antes de tudo, a lógica criminosa que move o ex-presidente.

“A gente não consegue pensar com a cabeça do Bolsonaro porque ele é um bandido, um vagabundo sem vergonha”, disse o professor, em uma das falas mais contundentes da entrevista.

Segundo ele, a cena não foi um ato impulsivo, mas um gesto desesperado e planejado para provocar um tumulto político — um “mini 8 de janeiro” — capaz de reacender o debate sobre anistia na Câmara e tensionar o STF às vésperas do trânsito em julgado.

“Ele não queria fugir. Fugir para onde? Ninguém quis receber: nem Trump, nem a Hungria, nem Milei. O objetivo era provocar confusão. Era o último fim de semana dele em casa.”

Roberto lembra que Bolsonaro já tentou deixar o país em três ocasiões — Estados Unidos, embaixada da Hungria e Argentina — e fracassou em todas. Por isso, a hipótese de fuga era improvável.
O ex-presidente, afirma o professor, buscava criar um ambiente de confronto do qual pudesse extrair algum benefício político:

“Se alguém fosse morto naquela vigília, melhor ainda. O Bolsonaro sempre buscou um cadáver entre os deles para se fazer de vítima.”

O vídeo que desmontou o mito
Um dos pontos mais comentados da entrevista foi o impacto do vídeo gravado pelos policiais federais ao amanhecer de sábado. Na imagem, Bolsonaro tenta justificar o cheiro de plástico queimado e diz ter agido “por curiosidade”.
Para Sara Goes, o vídeo revela uma fragilidade diferente daquela explorada eleitoralmente pela família durante anos.

“Tudo desmonta a imagem do macho valentão. Há ali um desespero que talvez tenha tido mais impacto do que qualquer decisão judicial.”

Roberto concordou:

“Bolsonaro é um leão que perdeu os dentes. Ele era valente com uma caneta na mão e dinheiro público no bolso. Agora não tem mais nada.”

A suspeita de manipulação e o papel do entorno
Ao longo da conversa, Sara levantou a hipótese de que o ex-presidente tenha sido manipulado por alguém próximo: pela sua condição psiquiátrica, pelo uso de medicamentos ou pela própria fragilidade física decorrente das múltiplas cirurgias abdominais.

“Uma pessoa com o abdômen destruído por intervenções cirúrgicas não passa horas agachada com um ferro de solda sem se queimar. Aquilo não combina com as limitações dele.”

Roberto admitiu a possibilidade:

“Isso foi planejado por alguém do entorno. A vigília convocada pelo Flávio e o vídeo da Michele, já pronto, fazem parte desse plano.”

Segundo ele, a ausência de Michele — que estava no Ceará em evento do PL Mulher — somada à reação rápida e ao discurso religioso no vídeo da ex-primeira-dama, também reforçam a tese de coreografia planejada.

A família Bolsonaro como organização criminosa
O professor analisou ainda o papel dos filhos no colapso político do pai.

“A gente não pode pensar na família Bolsonaro como família. É organização criminosa. E no crime, quando a casa cai, cada um segura o seu BO.”

Roberto lembrou episódios como:

a disputa de Carluxo contra a própria mãe, Rogéria Bolsonaro, para tirá-la da política;

a fuga de Ana Cristina Valle para a Noruega alegando que o ex-marido queria matá-la;

a sabotagem sistemática dos filhos contra qualquer nome externo para 2026.

Segundo ele, Bolsonaro jamais faria o sacrifício de entregar seu capital eleitoral a terceiros:

“Ele prefere perder com um filho a vencer com Tarcísio. Se esses votos forem para outro, não voltam nunca mais.”

O fim da linha: Papuda à vista
Do ponto de vista jurídico, Roberto não deixou dúvidas:

“É o último prego do caixão. Acabou. Provavelmente amanhã ou quarta-feira sai a ordem de prisão.”

Ele explica que, após o trânsito em julgado, Bolsonaro será transferido para a Papuda, onde:

fará cadastro no sistema prisional;

terá foto de preso;

receberá uniforme;

e só depois poderá pedir eventuais benefícios.

Mas um retorno ao regime domiciliar é improvável:

“Depois de romper a tornozeleira, quem vai concordar com prisão domiciliar? Nem os bolsonaristas defendem mais.”

Direita abandona Bolsonaro — e Bolsonaro abandona a direita
Para Roberto, há uma ironia adicional:

“Quem mais quer o Bolsonaro preso é a própria direita.”

Tarcísio, Zema, Caiado e até Nikolas dependem do enfraquecimento definitivo do ex-presidente para ter viabilidade eleitoral. E Bolsonaro, por sua vez, nunca defendeu pautas de direita — apenas o próprio clã.

“Ele não está nem aí para a direita. A agenda dele é Deus, família e beneficiar a família. Ele é contra a esquerda, mas isso não o faz de direita.”

O país segue, Bolsonaro não
A parte final da entrevista reflete um cenário político em mudança:
Os temas centrais hoje são segurança pública, economia e governabilidade — não mais Bolsonaro.

Como disse o professor:
“Ele só ainda é assunto porque tem votos. Se tivesse alguém mais forte na direita, Bolsonaro já estaria no lixo da história.”

Sara encerra lembrando que, mesmo com a divulgação do episódio da tornozeleira, não houve comemorações ou grande repercussão nas ruas de Fortaleza:

“As pessoas simplesmente não se importam mais.”

O ciclo iniciado em 2018 está, definitivamente, chegando ao fim.

https://www.youtube.com/watch?v=hRX3ZCKsEvk
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