Atitude Popular

Brasil inaugura primeiro laboratório de produção de terras raras no hemisfério Sul

Da Redação

Iniciativa pioneira em Minas Gerais fortalece cadeia industrial e impulsiona autonomia tecnológica

O Brasil deu um passo estratégico importante ao inaugurar o primeiro laboratório-fábrica de ímãs e ligas de terras raras do hemisfério Sul, localizado em Lagoa Santa, Minas Gerais. Essa iniciativa marca o início da produção nacional de materiais com alto valor agregado a partir de recursos minerais que o país possui em abundância, mas que até agora eram exportados quase que exclusivamente na forma bruta.

O laboratório, conhecido como LabFab ITR, foi desenvolvido originalmente pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), entre os anos de 2015 e 2023. No final de 2023, o espaço foi adquirido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) por cerca de 35 milhões de reais, integrando-se ao seu ecossistema de inovação com mais de 200 pesquisadores dedicados ao desenvolvimento tecnológico na área.

Segundo o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, “a aquisição do laboratório LabFab ITR é um grande passo para o futuro das terras raras em Minas Gerais. O laboratório está pronto e a operacionalização vai para a iniciativa privada”. Para ele, o projeto tem potencial para transformar o Brasil de mero exportador de minério em produtor de insumos estratégicos para setores como tecnologia, saúde e energia limpa.

Marco Antônio Castello Branco, ex-presidente da Codemge, ressaltou o caráter inovador da iniciativa: “É um projeto inovador no Brasil. Queremos atrair as indústrias para o ecossistema de ímãs de terras raras, desenvolvendo uma cadeia produtiva que antes não existia.” Ele acredita que o laboratório pode ser o embrião de um polo tecnológico capaz de competir internacionalmente.

A instalação conta com um investimento em infraestrutura que ultrapassa 100 milhões de reais e possui capacidade de produção inicial de 23 toneladas por ano, com projeção de crescimento para até 100 toneladas anuais em uma década. A operação está agora a cargo do Centro de Inovação e Tecnologia do Senai (CIT Senai), que integra o laboratório à sua rede especializada em química, metalurgia, materiais e meio ambiente.

Além disso, a FIEMG estabeleceu parcerias com empresas australianas do setor de mineração e tecnologia, com o objetivo de fomentar pesquisa e desenvolvimento na planta piloto de ímãs de terras raras, fortalecendo assim a cadeia produtiva nacional.

No campo da pesquisa, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) recebeu um aporte de mais de 10 milhões de reais para avançar no desenvolvimento de materiais inovadores à base de terras raras. Lucy Takehara, coordenadora do projeto, destacou que “essa parceria contribui diretamente para a capacitação de especialistas altamente qualificados, fortalecendo o setor no país”. Já o professor Sérgio Michielon de Souza ressaltou que “além de impulsionar a ciência nacional, essa iniciativa permite formar especialistas e desenvolver tecnologias diretamente na Amazônia, contribuindo para a independência do Brasil em setores estratégicos”.

Especialistas apontam que o mercado global de terras raras, atualmente avaliado em cerca de 6 bilhões de dólares anuais, deve crescer em ritmo acelerado até ultrapassar os 14 bilhões em poucos anos. Nesse contexto, o Brasil surge como um ator estratégico, não só pela sua vasta reserva mineral, mas também pela capacidade de transformar essas matérias-primas em produtos finais de alta tecnologia, como ímãs para turbinas e equipamentos biomédicos.

Essa iniciativa coloca Minas Gerais na vanguarda do desenvolvimento tecnológico nacional, ao criar uma infraestrutura robusta que pode atender a uma demanda crescente, reduzir a dependência de importações e posicionar o país como fornecedor confiável no cenário internacional.

Em resumo, o LabFab ITR representa a convergência entre investimentos públicos e privados, ciência, tecnologia e inovação, consolidando uma nova era para o Brasil no segmento das terras raras. É uma vitória para a indústria nacional, para a pesquisa e para a soberania tecnológica, mostrando que o país pode – e deve – agregar valor aos seus recursos naturais para construir um futuro mais autônomo e sustentável.