Da Redação
Em meio à ocupação das mesas diretoras no Congresso em protesto à prisão domiciliar de Bolsonaro, a deputada Júlia Zanatta protagoniza ato controverso ao aparecer com sua filha de 4 meses no colo, gerando reação institucional.
Nesta quinta-feira, 7 de agosto de 2025, completa-se o terceiro dia de obstrução política nos plenários da Câmara e do Senado. Parlamentares bolsonaristas mantêm a ocupação das mesas diretoras, em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, e exigindo pautar propostas como a anistia ampla aos envolvidos no 8 de janeiro, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e o fim do foro privilegiado.
Em meio à tensão, chamou atenção o gesto da deputada federal Júlia Zanatta (PL‑SC), que esteve no plenário com a filha de apenas quatro meses nos braços. Observadores apontam que a parlamentar estava usando a criança como “escudo humano” diante da incerteza sobre possíveis intervenções da polícia legislativa — uma ação amplamente criticada como exposição de risco à criança.
A situação levou parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da Câmara a acionar o Conselho Tutelar, solicitando investigação sobre possível “exposição indevida de criança a ambiente de instabilidade e risco físico” dentro do Congresso. A medida suscitou debates sobre responsabilidade política e ética diante da protagonização de menores de idade em atos de conotação radical.
Deputados da base do governo condenaram a manobra como gesto extremo e inapropriado. Líderes governistas classificaram a ocupação das mesas como chantagem e atentado à democracia, incluindo o presidente da Câmara e do Senado. Regressivamente, os trabalhos legislativos seguem bloqueados, embora reuniões de líderes estejam sendo articuladas para um possível acordo.
Autoridades também sinalizavam pressão por sanções disciplinares. Um parlamentar protocolou pedido de cassação de deputados envolvidos no motim, alegando violação do decoro parlamentar e abuso do direito de obstrução como instrumento de coação institucional.
Em meio à paralisação, eventos originalmente previstos nos plenários tiveram de ser remanejados para auditório, como a 2ª Cúpula Parlamentar sobre Mudança Climática e Transição Justa, em razão da impossibilidade de uso das mesas diretoras ocupadas.
A escalada de agressividade entre legisladores aumenta a preocupação com a institucionalidade do Poder Legislativo. Para críticos, levar um bebê ao plenário denúncia, caráter instrumental e simbólico do movimento, ultrapassando os limites entre protesto político e irresponsabilidade.
Enquanto isso, o Legislativo segue travado, e a decisão sobre como retomar as atividades depende da capacidade de negociação entre os opositores à esquerda e o centrão, chave para restaurar o funcionamento da primeira instituição republicana do país.


