Da Redação
A expansão do mercado de trabalho brasileiro no trimestre encerrado em agosto teve contribuição importante da indústria e da construção. Na comparação com o trimestre anterior, a indústria geral aumentou em 2% o número de trabalhadores, incorporando aproximadamente 265 mil pessoas. Na construção, o crescimento foi de 4,1%, com cerca de 306 mil novos ocupados. Juntos, os dois setores acrescentaram aproximadamente 571 mil ocupações no período.
O desempenho da indústria tem relevância que vai além do número direto de vagas. A atividade industrial movimenta uma cadeia ampla de fornecedores e serviços, com impactos sobre segmentos como logística, transporte, comércio e prestação de serviços especializados. Quando a produção cresce, esses setores também podem ser beneficiados pelo aumento da demanda.
Na construção, o efeito sobre o emprego tende a ser igualmente significativo. Trata-se de uma atividade com elevada utilização de mão de obra e que responde tanto aos investimentos privados quanto à execução de obras de infraestrutura, programas habitacionais e expansão do mercado imobiliário.
Os dados da PNAD Contínua, contudo, não permitem atribuir o avanço da ocupação a uma única medida ou política. O mercado de trabalho é influenciado por diferentes fatores, entre eles o ritmo da atividade econômica, os investimentos públicos e privados, o crédito, o consumo, os salários, a demanda externa e as decisões das empresas. O que os números mostram é que indústria e construção estiveram entre os setores que mais contribuíram para o aumento da ocupação no período.
Outro dado chama atenção: o emprego formal também atingiu um novo patamar. O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada chegou a 39,5 milhões, o maior resultado da série histórica da PNAD Contínua.
A combinação entre o crescimento da ocupação e o avanço do emprego com carteira indica que a expansão recente não ocorreu apenas por meio de atividades informais. Ainda assim, a informalidade permanece como uma das principais características estruturais do mercado de trabalho brasileiro.
Quase 39 milhões ainda estão na informalidade
Enquanto o número de trabalhadores com carteira assinada alcançou um recorde, 38,8 milhões de pessoas continuavam trabalhando na informalidade. A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, ante 37,3% no trimestre anterior.
O dado ajuda a dimensionar os limites da melhora observada. O desemprego está em um dos menores níveis já registrados e o emprego formal alcançou o maior número da série, mas mais de um terço dos trabalhadores ainda está fora das relações formais de trabalho.
A condição de informalidade pode significar, conforme o tipo de ocupação, ausência de garantias associadas ao emprego com carteira, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS e contribuição previdenciária regular. Por isso, a redução do desemprego e a expansão da formalização são fenômenos relacionados, mas não equivalentes.
O mercado de trabalho também apresenta uma redução importante no número de pessoas que desistiram de procurar emprego. O IBGE estima em aproximadamente 2,4 milhões o contingente de desalentados, formado por pessoas que gostariam de trabalhar, mas deixaram de buscar uma vaga por acreditar que não encontrariam uma oportunidade.
O número permaneceu estatisticamente estável na comparação trimestral, mas recuou 11,9% em relação ao mesmo período de 2025. Isso representa cerca de 317 mil pessoas a menos nessa condição em um ano.
A redução do desalento acompanha um cenário de maior disponibilidade de oportunidades e indica que parte das pessoas que haviam deixado de procurar trabalho voltou a participar do mercado.
Desemprego chega a 5,3%
A taxa de desocupação de 5,3% coloca o mercado de trabalho brasileiro em uma situação bastante diferente daquela observada em períodos de desemprego elevado, quando a taxa permanecia em dois dígitos.
Uma taxa baixa, porém, não significa ausência de desemprego nem encerra os problemas relacionados ao trabalho. Sempre existe algum nível de desocupação em uma economia em funcionamento, seja pela transição entre empregos, pela entrada de novos trabalhadores no mercado ou pela busca por uma vaga compatível com a experiência e a qualificação profissional.
Com o desemprego próximo dos menores níveis da série, ganham importância outros indicadores, como a qualidade das vagas, os rendimentos e o grau de proteção oferecido aos trabalhadores.
O cenário atual reúne, portanto, avanços expressivos e desafios que permanecem. O Brasil alcançou 103,5 milhões de pessoas ocupadas e 39,5 milhões de empregados do setor privado com carteira assinada. Ao mesmo tempo, 5,8 milhões de pessoas continuam desocupadas e 38,8 milhões trabalham informalmente.
A trajetória recente ajuda a dimensionar a mudança. Ao longo de 2026, o mercado de trabalho continuou incorporando trabalhadores, até alcançar o atual recorde de ocupação. O resultado ocorre em um ambiente no qual o rendimento médio real também vinha apresentando evolução.
A manutenção desse cenário dependerá do comportamento da atividade econômica, dos investimentos, do consumo e das condições de crédito. Com uma parcela cada vez maior da população ocupada, a dinâmica do mercado de trabalho passa a depender também da capacidade de gerar novas oportunidades e melhorar as condições das vagas existentes.
Os números divulgados nesta terça-feira registram uma marca relevante: 103,5 milhões de brasileiros ocupados e 39,5 milhões de empregados do setor privado com carteira assinada.
Ao mesmo tempo, os dados mostram que a informalidade continua alcançando uma parcela expressiva dos trabalhadores. A próxima etapa do mercado de trabalho brasileiro envolve, portanto, não apenas manter a expansão da ocupação, mas ampliar a formalização e acompanhar a evolução dos rendimentos e das condições de trabalho.
