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Diplomatas brasileiros alertam: EUA viram “animal perigoso”

Da Redação

Avaliação interna do Itamaraty vê Trump sem estratégia clara no Irã e alerta para risco de escalada global com potência acuada.

A escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma reação inédita e contundente dentro da diplomacia brasileira. Integrantes do corpo diplomático próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a expressar preocupação crescente com a condução da política externa norte-americana sob Donald Trump, descrevendo o atual comportamento de Washington como errático, perigoso e potencialmente desestabilizador para a ordem internacional.

A avaliação interna, revelada em meio ao agravamento do conflito, é de que os Estados Unidos operam sem uma estratégia clara diante do Irã. Segundo diplomatas brasileiros, há uma percepção de desorientação na condução da guerra, marcada por decisões abruptas, ameaças públicas e ausência de objetivos bem definidos.

Uma das declarações mais emblemáticas desse diagnóstico sintetiza o nível de preocupação: “uma superpotência em declínio e acuada é um animal perigoso”.
A frase, atribuída a uma fonte diplomática, não é apenas retórica. Ela expressa uma leitura geopolítica profunda: o risco não está apenas no poder dos Estados Unidos, mas na combinação entre poder militar e perda de capacidade de coordenação estratégica.

Esse diagnóstico ganha força diante dos acontecimentos recentes no campo de batalha. Desde o final de fevereiro, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar no Oriente Médio e conduziram ataques diretos contra o Irã em conjunto com Israel, inaugurando uma guerra de alta intensidade com impactos regionais e globais.

Ao mesmo tempo, a condução política do conflito tem sido marcada por sinais contraditórios. Em poucos dias, Washington alternou ameaças de destruição total de infraestrutura iraniana, imposição de prazos militares e, simultaneamente, sinais de negociação e recuo. Essa oscilação reforça a percepção de imprevisibilidade, considerada um dos fatores mais perigosos em cenários de guerra.

A preocupação brasileira também está diretamente ligada ao impacto global da crise. O Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo, tornou-se epicentro da tensão. O bloqueio parcial da região e a troca de ameaças entre Washington e Teerã já provocam instabilidade nos mercados e elevam o risco de uma crise energética global.

Nesse contexto, diplomatas brasileiros avaliam que a ausência de uma estratégia clara por parte dos Estados Unidos pode levar a uma escalada ainda mais grave. O temor é que novos bombardeios provoquem uma resposta ampliada do Irã, incluindo ataques a países vizinhos que abrigam bases militares norte-americanas, o que transformaria o conflito em uma guerra regional de grandes proporções.

Essa leitura dialoga diretamente com a capacidade militar iraniana. Com cerca de 92 milhões de habitantes e forças armadas que somam aproximadamente um milhão de integrantes entre ativos e reservistas, o país possui condições de sustentar uma guerra prolongada e de ampliar o alcance de suas operações.

Sob a perspectiva do Sul Global, o diagnóstico do Itamaraty revela uma preocupação estrutural: a de que guerras conduzidas por grandes potências sem legitimidade internacional tendem a produzir efeitos sistêmicos, afetando economias periféricas, cadeias energéticas e a estabilidade global.

A ideia de uma “potência em declínio” também é central nessa análise. Ela não se refere a uma perda imediata de poder militar, mas à erosão da capacidade política de liderar consensos internacionais. A dificuldade dos Estados Unidos em mobilizar aliados, como evidenciado na crise com a OTAN, reforça essa percepção.

Ao mesmo tempo, o comportamento mais agressivo pode ser interpretado como reação a esse próprio processo de perda de hegemonia. Em cenários históricos, potências em transição tendem a adotar posturas mais assertivas e, por vezes, mais arriscadas, justamente para preservar sua posição no sistema internacional.

Esse é o ponto de maior alerta para a diplomacia brasileira. A combinação entre poder militar elevado, isolamento político relativo e liderança considerada imprevisível cria um ambiente altamente instável, no qual decisões unilaterais podem desencadear efeitos em cadeia difíceis de controlar.

No limite, a avaliação dos diplomatas brasileiros não é apenas uma leitura conjuntural da guerra no Irã. Ela aponta para uma transformação mais profunda na ordem global: o enfraquecimento da capacidade de coordenação das potências tradicionais e o aumento do risco de conflitos conduzidos sem mediação internacional efetiva.

Nesse cenário, a guerra deixa de ser apenas um confronto regional e passa a operar como um catalisador de uma crise mais ampla — uma crise de governança global, de legitimidade e de equilíbrio de poder.

E é justamente por isso que a metáfora do “animal perigoso” ganha tanta força: ela traduz a percepção de que o maior risco não está apenas na guerra em si, mas na forma como ela está sendo conduzida.