Da Redação
O MEC divulgou que aproximadamente 70% dos inscritos no Enem 2025 participaram dos dois domingos de exame; foram registradas 1,7 mil eliminações, além de mudanças logísticas e técnicas que antecipam uma nova era de avaliação no ensino médio para 2026.
O balanço do Enem 2025, realizado nos dias 9 e 16 de novembro — com exceção de alguns municípios do Pará, que terão aplicação em outras datas — mostra uma participação global de cerca de 70% dos candidatos confirmados nos dois dias de prova, segundo dados divulgados pelo MEC. Essa presença se aproxima das médias históricas da prova em anos recentes e ainda é considerada preliminar, com os dados definitivos sendo programados para divulgação apenas em janeiro de 2026.
De acordo com o MEC, dos mais de 4,8 milhões de inscritos confirmados, cerca de 70% estiveram presentes nos dois domingos de aplicação. No primeiro dia as ausências ficaram em torno de 27%, e o segundo dia manteve uma presença similar à do primeiro. O ministro da Educação enfatizou que essa taxa de comparecimento “se assemelha aos resultados dos anos anteriores” e avaliou o exame como tendo sido “aplicado de forma regular”. Foram registradas cerca de 1,7 mil eliminações por comportamento inadequado ou violação de regras ao longo da aplicação do segundo dia.
Em termos de logística e operação, o exame foi aplicado em todas as 27 unidades da federação, em aproximadamente 165 mil salas de prova distribuídas em cerca de 12 mil locais, atendendo a mais de 4,8 milhões de candidatos. Em uma novidade técnica, nesta edição foi utilizada a metodologia chamada “testlet”, que agrupa questões de forma temática e centrada em um mesmo texto — segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), isso permitiu “melhor aferir o letramento dos nossos estudantes”. Todas as salas foram equipadas com detectores de metais para evitar fraudes, reforçando os mecanismos de segurança.
Outro aspecto relevante do balanço é a reaplicação da prova em certos casos especiais: municípios que enfrentaram interrupções graves — como falta de energia ou desastres naturais — tiveram direito a solicitação de reaplicação entre 17 e 21 de novembro, com aplicação marcada nos dias 16 e 17 de dezembro para os casos autorizados. O MEC destacou especificamente um caso no Rio de Janeiro, onde um tiroteio afetou o acesso ao local de prova, e municípios no Paraná destruídos por tornado também obtiveram tratamento especial.
O exame também teve implicações para certificação: cerca de 100 mil candidatos se inscreveram para usar o Enem como meio de obter a certificação do ensino médio, uma modalidade que estava retomando com mais clareza nesta edição. O ministro lembrou que a prova segue sendo o principal meio de ingresso no ensino superior via programas como o SiSU, o ProUni e o FIES, e que cada vez mais o Enem se torna central para políticas de acesso e avaliação educacional.
Além disso, foi revelado que o MEC e o Inep estão estudando utilizar o Enem como instrumento de avaliação do ensino médio a partir de 2026, substituindo ou complementando o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica). A justificativa é que — conforme explicado pelo ministro — os estudantes demonstram maior motivação para o Enem do que para o SAEB, o que permitiria “uma aferição mais fidedigna da qualidade da educação básica”. Também está em estudo a aplicação da prova em língua portuguesa em três capitais de países do Mercosul no ano de 2026 — Buenos Aires, Assunção e Montevidéu — para candidatos brasileiros e estrangeiros, o que marcaria uma internacionalização da prova.
Apesar dos avanços, persistem questionamentos e desafios. A abstenção de cerca de 30% em ambas as etapas continua sendo um ponto de atenção — o que levanta dúvidas sobre os fatores que levam à falta nas provas e se essa taxa se distribui de forma equilibrada entre as diferentes regiões, redes de ensino público ou privado, ou grupos socioeconômicos. Há ainda a necessidade de que os dados definitivos sejam divulgados com regionalização — por estado e rede de ensino — para permitir análise aprofundada de equidade, desempenho e acesso. Outro ponto de atenção refere-se ao papel da certificação via Enem, que embora retomado, ainda carece de clareza sobre os impactos nas redes públicas estaduais e no ensino médio de jovens adultos.
Em termos de segurança e aplicação, embora o número de eliminações tenha sido relativamente baixo frente ao universo de milhões de candidatos, a incidência de casos em locais com alta vulnerabilidade — como o tiroteio no Rio de Janeiro ou o impacto de tornado no Paraná — evidencia que fatores externos continuam a influenciar a aplicação da prova em unidades federadas. A adaptação logística para estes casos especiais é elogiável, mas mostra que há fragilidades operacionais que precisam ser monitoradas para garantir igualdade de condições de prova.
Para o Brasil, onde o acesso à educação superior e a melhoria da qualidade do ensino médio permanecem entre os grandes desafios nacionais, o Enem 2025 representa uma combinação de continuidade e transformação. Por um lado, mantém seu papel crítico como mecanismo de acesso e aferição; por outro, se prepara para um salto de função — como instrumento de avaliação nacional para o ensino médio e possível internacionalização. Resta agora ao MEC e ao Inep converterem essas intenções em políticas concretas, com cronograma claro, alocação de recursos e indicadores transparentes.
O desempenho dos estudantes, assim como a divulgação dos resultados (que ocorrerá em janeiro de 2026), serão acompanhados de perto por estados, redes escolares e universidades. A partir deles, será possível avaliar se as decisões tomadas — como adoção do testlet, equipagem de detectores de metais, certificação e internacionalização — realmente se traduzem em melhoria no ensino e acesso. Em última instância, o Enem 2025 deixa uma pergunta aberta: ele será apenas mais uma edição de prova ou o ponto de partida para um novo patamar da avaliação e do ensino médio no Brasil?
