Evento reúne bancos comunitários, pesquisadores e gestores para discutir crédito popular, tecnologia social e desenvolvimento territorial
Fortaleza sediará, entre os dias 4 e 7 de maio, o VI Encontro Nacional da Rede Brasileira de Bancos Comunitários, reunindo iniciativas de finanças solidárias de diferentes regiões do país. As informações foram divulgadas pela organização do evento, que prevê uma programação voltada ao fortalecimento institucional da rede, ao intercâmbio de experiências e à formulação de estratégias conjuntas.
A abertura ocorre no dia 5 de maio, às 18h30, no Hotel Sonata, com uma atividade cultural envolvendo parceiros e apoiadores. Em seguida, a programação inclui a conferência de Manuel Rodríguez, da Fundação das Caixas Econômicas Alemãs, que apresentará o modelo de poupança e crédito adotado na Alemanha. Ainda na noite de abertura, está previsto o lançamento da plataforma “Palma da Mão”, sistema de pagamento que utiliza biometria como ferramenta de inclusão financeira, desenvolvido pela equipe do E-dinheiro Brasil.
No dia 6, os debates começam pela manhã com a mesa dedicada ao Sistema Nacional de Finanças Solidárias. Participam representantes de diferentes esferas institucionais e da própria rede, como Lidiane Freire, da Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária, vinculada ao Ministério do Trabalho, Vanderley Ziger, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e Joaquim Melo, uma das referências históricas dos bancos comunitários no país. A mesa também reúne nomes ligados à gestão de fundos solidários e à formulação de políticas públicas no campo da economia solidária.
Ainda pela manhã, uma segunda mesa discute os desafios contemporâneos da pesquisa aplicada, com foco na cooperação entre bancos comunitários, universidades e centros de pesquisa, incluindo o CENPES, da Petrobras. A pauta inclui a transição energética em bases justas e o papel das tecnologias sociais na reorganização produtiva de territórios periféricos. Pesquisadores como Karen Joyce Lírio Aragão e Joana Yglesias Silva integram esse debate, ao lado de representantes acadêmicos e de experiências territoriais.
À tarde, o encontro se volta para a relação entre bancos comunitários e mudanças climáticas. A terceira mesa aborda o potencial dessas iniciativas na mitigação de impactos ambientais, com relatos de experiências em projetos de energias renováveis conduzidos por bancos comunitários em estados como Pará, Paraíba, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. A discussão inclui o uso de moedas sociais vinculadas a práticas ambientais e estratégias de financiamento de iniciativas locais de transição energética.
A proposta do encontro não se limita à troca de experiências. A expectativa é consolidar diretrizes para ampliação do sistema de finanças solidárias, com ênfase na autonomia territorial, no acesso ao crédito e na articulação com políticas públicas. Também está prevista a participação de representantes de bancos comunitários de todo o país, o que amplia o alcance das discussões e reforça a dimensão nacional da rede.
Parte da programação será aberta ao público e transmitida ao vivo pelo canal do Instituto Palmas no YouTube, permitindo o acompanhamento remoto das atividades. A organização aposta na visibilidade do evento como forma de ampliar o debate sobre alternativas ao sistema financeiro tradicional, sobretudo em contextos marcados por desigualdades no acesso a crédito e serviços bancários.
O encontro ocorre em um momento em que a economia solidária volta ao centro de discussões institucionais, especialmente com a retomada de políticas públicas voltadas ao setor. Nesse cenário, os bancos comunitários aparecem como instrumentos de reorganização econômica local, articulando crédito, produção e consumo em bases territoriais.









