Atitude Popular

“Estamos vivendo um período de ruptura da realidade”

No Democracia no Ar, o coordenador político Roberto Gomes denuncia o sequestro de brasileiros por Israel e critica o silêncio da grande imprensa diante da violência no Oriente Médio

O programa “Democracia no Ar”, transmitido pela TV Atitude Popular, abordou nesta edição de 10 de outubro um dos temas mais delicados da conjuntura internacional recente: o sequestro de brasileiros por forças de Israel, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), durante a missão humanitária da Flotilha pela Liberdade. O episódio contou com apresentação de Sara Goes, comentários de Sousa Júnior e entrevista com Roberto Gomes, coordenador político estadual do mandato da parlamentar.

O programa se propôs a romper o cerco de desinformação que encobre a tragédia humanitária em curso. Roberto Gomes destacou que o caso de Luizianne, assim como o dos demais ativistas brasileiros detidos, expõe o uso da força de Israel contra missões civis que tentam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

“Estamos vivendo um período de ruptura da realidade”, disse o coordenador. “Genocídio é chamado de guerra, sequestro é tratado como interceptação, e patriotismo virou bater continência para a bandeira de um país imperialista. Nossa tarefa é falar a verdade e mostrar o que de fato o povo precisa saber.”

A inversão dos sentidos

A denúncia feita por Roberto ecoa a crítica mais ampla da imprensa popular ao modo como os grandes veículos noticiam o conflito. No caso da deputada Luizianne Lins, reconhecida historicamente por sua militância feminista, socialista e pacifista, a cobertura foi marcada por eufemismos e distorções que minimizam o caráter político do ataque.

Sousa Júnior reforçou essa crítica ao afirmar que “falar a verdade é um ato de resistência”, especialmente quando a mídia corporativa tenta desviar o foco das violações de direitos humanos praticadas por Israel.

Durante a transmissão, Sara Goes lembrou que Luizianne carrega uma trajetória de coragem desde os tempos de movimento estudantil na Universidade Federal do Ceará, quando liderava o Diretório Central dos Estudantes nos anos 1980. A jornalista narrou, com humor e emoção, como o nome de Luizianne se tornou sinônimo de rebeldia: “Eu ouvia no rádio, ainda adolescente, falarem daquela menina que não se calava. O motorista da Kombi dizia: ‘Essa tal de Luizianne é uma arangueira!’ e eu achava o máximo.”

O contexto da missão humanitária

A Flotilha pela Liberdade é uma iniciativa internacional formada por parlamentares, jornalistas e ativistas de direitos humanos que tenta romper o bloqueio marítimo imposto por Israel à Faixa de Gaza. O grupo, que partiu em missão pacífica, foi interceptado por forças israelenses em águas internacionais — episódio que, na visão de juristas e entidades de solidariedade, configura violação grave do direito internacional.

Segundo Roberto Gomes, “o sequestro de parlamentares e civis em missão humanitária não pode ser tratado como incidente diplomático, mas como um ato de guerra contra o direito internacional e a soberania dos povos.”

O coordenador lembrou ainda que Luizianne Lins tem uma longa trajetória de defesa da paz e da autodeterminação dos povos, e que o Brasil deve assumir posição firme diante da escalada da violência. “É hora de o governo brasileiro fazer valer sua tradição de política externa independente e condenar essas práticas”, afirmou.

A disputa pela verdade

O programa também abriu espaço para o público se manifestar sobre o tema. Nos comentários, ouvintes relataram indignação com a ausência de cobertura crítica na grande mídia e celebraram o papel de veículos como a Atitude Popular na defesa da informação soberana.

Sousa Júnior aproveitou o encerramento do programa para compartilhar uma boa notícia: pela primeira vez, a TV Atitude Popular fará parte de um pool nacional de veículos de comunicação popular — ao lado de CartaCapital, TVT, GGN, DCM e Barão de Itararé — para entrevistar o presidente do IBGE, Márcio Pochmann. “É um reconhecimento do nosso trabalho coletivo e da força da imprensa alternativa”, afirmou.

O chamado à lucidez

Encerrando o debate, Roberto Gomes propôs transformar a indignação em mobilização:

“Diante de tanta distorção, o melhor antídoto é a verdade. Precisamos reagir à guerra semântica e à inversão de valores que tenta transformar vítimas em agressores. A luta é por humanidade e por soberania.”

Sara Goes finalizou o programa reafirmando o compromisso do Democracia no Ar com o jornalismo popular e a solidariedade internacional:

“A comunicação livre é a trincheira da democracia. E, diante de todo apagamento, é nosso papel manter acesa a chama da verdade.”

🔗 Assista à entrevista completa no YouTube

📺 Programa Democracia no Ar
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 10h às 11h
📺 Ao vivo em: youtube.com/TVAtitudePopular
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