Maurição Lima avalia o Carnaval no Brasil, critica a hegemonia da Globo e defende a força dos blocos de rua em Fortaleza e no Aracati
O Carnaval de 2026 ainda nem havia terminado quando o programa Café com Democracia, da rede Atitude Popular, abriu espaço para um balanço nacional da festa. Sob apresentação de Luiz Regadas, a edição de sexta-feira (27) recebeu o jornalista e diretor do bloco cearense É Só Isso Mesmo, Maurição Lima, que esteve na Marquês de Sapucaí e acompanhou também os festejos de rua no Ceará.
Durante a entrevista, Maurição analisou o desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua estreia no Grupo Especial do Rio de Janeiro. Para ele, independentemente do resultado, o desfile já entrou para a história.
“A Acadêmicos vai ficar no coração e na mente do povo por muitos e muitos anos. Ela fez história”, afirmou.
Sapucaí: emoção, política e desigualdade financeira
Maurição relatou a emoção de assistir ao desfile no Sambódromo. Segundo ele, a escola levou à avenida um enredo que narrava a trajetória de Lula, da infância em Garanhuns à migração para São Paulo como retirante.
“Foi muito emocionante ver de perto o desfile e a empolgação da escola. Cerca de 70% a 80% das pessoas no camarote cantavam o samba na ponta da língua”, contou.
Ele também destacou que a recepção nas arquibancadas foi calorosa, com manifestações favoráveis ao presidente, embora, segundo sua avaliação, a transmissão televisiva não tenha refletido essa atmosfera.
Sobre a queda da escola para o Grupo Ouro, Maurição relativizou as críticas da oposição e apontou fatores estruturais:
“Toda escola que sobe pela primeira vez tem grande chance de cair. A discrepância financeira é absurda.”
Ele citou como exemplo o faturamento de camarotes que chegam a arrecadar milhões por noite, evidenciando a desigualdade de recursos entre escolas tradicionais e estreantes.
Monopólio da transmissão
Questionado sobre a hegemonia da Rede Globo na transmissão do Carnaval, Maurição foi cético quanto a mudanças no curto prazo:
“A Globo hegemoniza os patrocinadores. Eu acho muito difícil quebrar essa hegemonia.”
Ele avaliou que apenas grandes plataformas de streaming poderiam disputar audiência, mas reconheceu que o custo dos direitos de transmissão é elevado demais para emissoras alternativas.
Fortaleza: blocos que andam e maturidade cultural
Ao falar do Carnaval de Fortaleza, Maurição celebrou a consolidação da festa de rua e destacou o crescimento do bloco É Só Isso Mesmo, que completará dez anos em 2027.
“Nós somos um dos poucos blocos que andam. Eu gosto do carnaval na rua, pé no chão, com charanga.”
Ele explicou que o bloco é independente e se mantém com a venda de camisas e apoio de amigos e pequenos patrocinadores. Em 2026, foram mais de 100 camisas vendidas, garantindo quatro saídas entre pré-carnaval e terça-feira.
Para ele, a capital cearense alcançou maturidade suficiente para comportar diferentes formatos:
“Tem espaço para todo mundo. Fortaleza já assumiu maturidade carnavalesca suficiente.”
Sobre a polêmica dos trios elétricos, Maurição afirmou não ser contrário, desde que haja planejamento e segurança.
Visibilidade para o carnaval cearense
Ao comentar a possibilidade de transmissão televisiva dos desfiles locais, ele demonstrou cautela:
“Eu tenho um certo receio, porque a comparação com o Rio pode ser cruel. A disparidade de investimento é muito grande.”
Em vez disso, defendeu a criação de um calendário cultural permanente que fortaleça escolas de samba e maracatus ao longo do ano.
Aracati e o bloco da quarta-feira
Maurição também falou sobre o tradicional bloco dos Loucos da Praça Dom Luís, em Aracati, realizado na quarta-feira de cinzas há mais de duas décadas.
“É um bloco para quem trabalhou no carnaval poder brincar também. Reúne cinco mil pessoas e mobiliza a cidade inteira.”
Ele destacou a evolução do evento, que passou de organização comunitária com contribuições individuais para uma estrutura com mini trio elétrico e patrocínios locais.
Carnaval com soberania
O enredo deste ano do bloco É Só Isso Mesmo foi “Carnaval com soberania na luta todo dia”, reforçando a dimensão política da festa. Maurição ainda convidou o público para uma manifestação na esquina da Rui Barbosa com Antônio Sales, defendendo o fim da jornada 6×1 e a renovação do Congresso.
Encerrando a entrevista, reforçou seu compromisso com a cultura popular e a participação cidadã:
“Pode chamar que eu estarei presente sempre.”
O programa destacou ainda a importância de apoiar a mídia independente e a comunicação popular, fortalecendo espaços alternativos de debate.
📺 Programa Café com Democracia
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 7h30 às 8h
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