Da Redação
Fontes indicam que a Casa Branca estuda aplicar novas sanções econômicas e diplomáticas ao Brasil conforme o STF avança no julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe — uma pressão externa que pode ser acionada dependendo dos desdobramentos do processo.
Às vésperas do início do julgamento de Jair Bolsonaro e seus aliados no Supremo Tribunal Federal (STF), o governo brasileiro monitora com atenção o espectro de possíveis sanções que os Estados Unidos podem impor em tempo real, reagindo ao andamento do processo.
Segundo relatos de fontes oficiais do governo Lula, há uma lista de penalidades—que incluem tarifas comerciais adicionais e restrições diplomáticas—que poderiam ser ativadas imediatamente pela Casa Branca, dependendo das decisões tomadas durante o julgamento. O receio é de que reações automáticas aumentem a volatilidade diplomática e impactem setores sensíveis da economia.
Desde julho, os EUA já adotaram uma série de medidas duras: impuseram tarifas de 50% sobre importações brasileiras, sancionaram o ministro Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky e revogaram vistos de diversos integrantes do Judiciário brasileiro. Essas ações foram justificadas por Donald Trump como expressão de defesa da democracia, alegando que os processos judiciais em curso no Brasil configuram “perseguição política” ao ex-presidente.
Em resposta, o governo brasileiro iniciou um processo formal de consulta à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para avaliar contramedidas com base na recém-sancionada Lei de Reciprocidade Econômica. O prazo para conclusão deste estudo é de 30 dias, após o qual um grupo de trabalho definirá ações possíveis, como a imposição de tarifas retaliatórias. Paralelamente, o Brasil também pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e prepara contestação em cortes dos EUA.
O impacto político dessa escalada já reflete no plano interno. Declaradamente atribuído a Lula, o governo afirma que tais sanções representam uma violação da soberania nacional. Lideranças políticas e empresariais alertam para riscos de recrudescimento da crise diplomática, que pode interferir na recuperação econômica e prejudicar as negociações comerciais multilaterais, especialmente com parceiros como a União Europeia e os países do Sul Global.


