Da Redação
Melina Fachin, professora e diretora da Faculdade de Direito da UFPR, foi xingada e cuspida por um homem enquanto saía da universidade; episódio repercute como mais um caso de violência política e intolerância.
Na manhã de sexta-feira, 12 de setembro de 2025, Melina Girardi Fachin, professora e diretora do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e filha do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, foi vítima de agressão verbal e física ao deixar a faculdade. Um homem branco, não identificado, aproximou-se dela, cuspiu em seu rosto e proferiu insultos, chamando-a de “lixo comunista”.
O episódio ocorreu na praça Santos Andrade, no centro de Curitiba. O marido de Melina, o advogado Marcos Gonçalves, publicou relato nas redes sociais denunciando a agressão, classificando o ato como “covarde” e destacando que ele não é evento isolado, mas parte de um ambiente de escalada de violência física e política no país.
Segundo os relatos, o incidente pode estar ligado às tensões institucionais geradas por um evento na universidade dias antes, cujo tema era “Como o STF tem alterado a interpretação constitucional?”. Esse evento, promovido por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, havia sido programado para o prédio da Faculdade de Direito da UFPR, mas foi cancelado após manifestações de segurança e bloqueio estudantil.
A UFPR, por sua vez, divulgou nota informando que está analisando o ocorrido. A situação será discutida no próximo encontro do Conselho de Planejamento e Administração (COPLAD) da universidade. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também manifestou solidariedade, repudiando o ato como atentado a princípios democráticos, à liberdade acadêmica e ao convívio pacífico no ambiente universitário.
Para colegas de Melina Fachin e especialistas ouvidos, o caso coloca em evidência o risco crescente de que o debate político seja marcada pela hostilidade pessoal, desrespeito e linguagem de ódio, inclusive nos espaços acadêmicos, que deveriam ser protegidos como loci de liberdade de expressão racional. O episódio reacende questionamentos sobre segurança, monitoramento institucional, prevenção da violência política e responsabilidades de universidades e poderes públicos.


