Atitude Popular

Flávio Bolsonaro ataca Lula, STF e Macron em entrevista a canal francês de ultradireita

Da Redação

Em uma entrevista transmitida em horário nobre por um dos principais canais de notícia da França com perfil alinhado à ultradireita, o senador Flávio Bolsonaro lançou ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Supremo Tribunal Federal e ao presidente da França, declarando que o Brasil “não vive uma democracia plena” e criticando a atuação das instituições brasileiras diante do público francês.

Em segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro foi entrevistado durante cerca de meia hora no horário nobre de um canal de notícias francês com perfil editorial associado à ultradireita. Ao longo da conversa, o parlamentar brasileiro usou a plataforma internacional para criticar duramente o presidente Lula, questionar a atuação do Judiciário brasileiro e fazer ataques ao presidente da França, Emmanuel Macron.

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil não vive “uma democracia plena”, acusando o governo atual de perseguições políticas e questionando decisões do Judiciário, em particular ao citar repetidamente o ministro Alexandre de Moraes do STF como símbolo dessa suposta crise institucional. Essas declarações refletem uma narrativa de polarização política que o senador tem adotado internamente, mas que agora foi levada a um público estrangeiro em um contexto de mídia internacional.

O senador também direcionou forte crítica a Emmanuel Macron, qualificando o presidente francês como “incompetente” e sugerindo que sua atuação no Brasil — incluindo visitas à Amazônia — teria sido superficial. Flávio argumentou que tanto o Brasil quanto a França estariam à beira de mudanças políticas, colocando de forma retórica sua própria candidatura presidencial em contraposição às lideranças atuais em ambos os países.

Ao abordar temas internacionais, Flávio Bolsonaro cometeu erros factuais ao mencionar conflitos que não correspondem à realidade geopolítica, evidenciando aproximações simplistas com narrativas de direita e pontos de vista alinhados com a ultradireita europeia. Esse alinhamento ficou ainda mais explícito quando ele publicou nas redes sociais fotos ao lado de figuras de destaque do campo conservador europeu, reforçando a integração de agendas políticas entre setores da direita brasileira e aliados ideológicos no exterior.

A entrevista foi transmitida por um canal de televisão francês que lidera a audiência entre noticiosos por assinatura e é frequentemente comparado a redes de mídia populistas de outros países por conceder espaço significativo a políticos e ideias de extrema direita. O uso dessa plataforma internacional para atacar instituições brasileiras e autoridades estrangeiras marca uma escalada da comunicação de Flávio Bolsonaro, que tem buscado ampliar sua visibilidade global enquanto consolida sua posição como pré-candidato nas eleições de 2026.

Do ponto de vista político interno, a postura adotada na entrevista pode acirrar ainda mais a polarização existente no Brasil, ao projetar discursos de contestação das instituições democráticas além das fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, a exposição internacional de críticas a outros chefes de Estado e a líderes institucionais pode repercutir no debate político doméstico, especialmente em um ano eleitoral. A entrevista reflete não apenas tensões internas, mas também um esforço por construir uma narrativa internacional que ressoe com públicos conservadores e setores da direita global.