Da Redação
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a fazer críticas à política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva durante viagem aos Estados Unidos. Em transmissão realizada nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o presidente brasileiro “lambe as botas da China” e anunciou que defenderá junto ao governo de Donald Trump a criação de uma ampla zona de livre comércio nas Américas, proposta que batizou de Afta (Americas Free Trade Agreement). A iniciativa faz referência direta à antiga proposta da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), negociada entre os anos 1990 e o início dos anos 2000, mas que acabou sendo rejeitada por diversos países sul-americanos, entre eles o Brasil.
As declarações foram feitas poucos dias depois de Flávio participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), destinada a discutir as tarifas impostas a produtos brasileiros. Durante a viagem, o senador afirmou que pretende apresentar às autoridades norte-americanas uma proposta para aprofundar a integração econômica do continente.
“Vim aos EUA proteger o Brasil das tarifas e também do Lula. Todo mundo está vendo o vexame que o Lula está sendo na arena internacional”, declarou o senador durante a transmissão. Em seguida, afirmou que o presidente brasileiro “coloca a ideologia acima dos interesses do povo brasileiro” e “lambe as botas da China e taca pedra nos EUA”.
Proposta retoma debate da antiga Alca
A principal novidade apresentada por Flávio Bolsonaro foi a defesa da criação de um acordo continental de livre comércio denominado Americas Free Trade Agreement (Afta).
Segundo o senador, a iniciativa aproximaria economicamente os países do continente americano e fortaleceria as relações comerciais com os Estados Unidos. A proposta lembra diretamente a antiga Alca, projeto defendido por Washington no final dos anos 1990 que buscava estabelecer uma grande área de livre comércio entre praticamente todos os países das Américas.
A Alca acabou não sendo implementada após enfrentar forte resistência de governos latino-americanos, especialmente durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, Néstor Kirchner, Hugo Chávez e outros líderes da região, que argumentavam que o acordo favoreceria desproporcionalmente a economia norte-americana.
Críticas à aproximação com a China
Durante sua manifestação, Flávio também criticou a estratégia internacional adotada pelo governo Lula, especialmente a intensificação das relações comerciais e diplomáticas com a China.
Na avaliação do senador, o governo brasileiro teria priorizado alinhamentos ideológicos em detrimento da aproximação com os Estados Unidos. Ele afirmou que pretende defender uma política externa que fortaleça os vínculos econômicos com Washington e reduza atritos entre os dois países.
Declarações ocorrem em meio à crise comercial
As declarações acontecem num momento de elevada tensão entre Brasília e Washington.
Os Estados Unidos avaliam medidas tarifárias sobre produtos brasileiros, enquanto o governo Lula mantém negociações diplomáticas para tentar evitar novas restrições comerciais. Ao mesmo tempo, grandes empresas norte-americanas têm pressionado a administração Trump para que não amplie as tarifas, alertando para impactos negativos sobre cadeias produtivas e consumidores dos próprios Estados Unidos.
Política externa no centro da disputa eleitoral
A fala de Flávio Bolsonaro evidencia que a política externa passou a ocupar espaço relevante na disputa política brasileira.
De um lado, o governo Lula sustenta uma estratégia baseada na diversificação de parceiros comerciais, fortalecimento do BRICS, aproximação com China, União Europeia, África e países do Sul Global. De outro, o senador defende uma reaproximação prioritária com os Estados Unidos e propõe maior integração econômica continental sob liderança norte-americana.
O debate ocorre em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas entre grandes potências, reorganização das cadeias globais de produção e crescente competição por mercados, tecnologia e influência diplomática. Nesse contexto, as diferentes visões sobre os rumos da política externa tendem a ganhar ainda mais destaque ao longo da campanha presidencial de 2026.


