Da Redação
Diante de desempenho fraco nas pesquisas no Nordeste, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro escalou o senador Rogério Marinho como integrante da coordenação de sua campanha, em uma tentativa de fortalecer sua atuação no Nordeste e ampliar palanque político na corrida eleitoral de 2026.
O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou suas articulações políticas para as eleições de 2026 ao escalar o senador Rogério Marinho (PL-RN) para integrar a coordenação de sua campanha com foco especial na região Nordeste, tradicional reduto eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) e onde ele apresenta desempenho significativamente inferior ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto.
A decisão ocorre em meio a levantamentos eleitorais que mostram Lula com larga vantagem em estados do Nordeste, com mais de 60% das intenções de voto em vários cenários, enquanto Flávio Bolsonaro aparece no patamar de 13% a 15% na região segundo levantamento divulgado recentemente por instituto de pesquisa.
Marinho, que até então estava se preparando para disputar o governo do Rio Grande do Norte, abriu mão dessa candidatura a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para se somar à campanha presidencial do filho. A mudança de planos foi justificada como um gesto de “lealdade e gratidão” aos valores políticos que associam o grupo à derrota do PT no país, conforme comunicado dele à imprensa.
O senador potiguar passou a acompanhar Flávio Bolsonaro em agendas políticas e de pré-campanha, especialmente com interlocução junto a lideranças regionais do Nordeste. A expectativa nos bastidores é que sua experiência política e seu conhecimento da dinâmica da região possam reforçar a presença de Flávio Bolsonaro num território onde o nome do PT costuma ser dominante.
A estratégia também está alinhada à tentativa de reduzir a lacuna eleitoral no Nordeste, onde Flávio Bolsonaro tem dificuldades em ganhar adesão além de sua base tradicional de apoiadores. Em outras regiões do país — como o Sul, o Centro-Oeste e parte do Sudeste — ele apresenta números mais competitivos em comparação com Lula, mas a disparidade no Nordeste é um ponto de fragilidade que a campanha busca enfrentar com a inclusão de Marinho.
A escolha de Marinho como coordenador reflete também o peso político do senador no Partido Liberal (PL) e em setores do chamado bolsonarismo, sendo um nome disposto a atuar como articulador nos estados nordestinos e amplificar a mensagem da campanha em bases onde o desempenho ainda não é expressivo.
Analistas políticos observam que a aproximação com Marinho não garante automaticamente uma virada nas intenções de voto, mas representa uma tentativa de diversificar o palanque eleitoral e aproximar o candidato de lideranças regionais que possuem alguma capilaridade local. Nesse cenário, o trabalho de Marinho nas redes de apoio político e nas articulações com aliados também pode influenciar a estratégia de campanha, principalmente em disputas proporcionais e deputados federais e estaduais no Nordeste.
A inclusão de Marinho na campanha ocorre em um momento em que Flávio Bolsonaro busca ampliar sua presença pelo Brasil e responder aos desafios que pesquisas mais recentes têm revelado, ajustando o roteiro de viagens e eventos e tentando tornar sua pré-candidatura mais competitiva especialmente em segmentos eleitorais que lhe são menos favoráveis.


