Com participação de Sâmia Bomfim, Leo Suricate, Jones Manoel e pesquisadores de diferentes áreas, formação promovida pelo DiraCom discutirá comunicação, juventude, redes sociais e estratégias de mobilização democrática
Da Redação
A disputa política não acontece apenas nas urnas, no Congresso ou nos governos. Ela também se desenvolve nas redes sociais, na produção cultural, no jornalismo e nas ideias que circulam diariamente na sociedade. É a partir dessa compreensão que Fortaleza receberá, entre os dias 6 e 8 de novembro, o curso gratuito “Contra-atacar: para entender e vencer a batalha cultural”, promovido pelo DiraCom (Direito à Comunicação e Democracia).
A atividade será realizada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e reunirá parlamentares, pesquisadores, jornalistas, comunicadores, produtores de conteúdo e representantes de movimentos sociais para discutir como a extrema dir
eita tem ampliado sua influência na disputa de valores e narrativas, especialmente entre os jovens, e quais caminhos podem ser construídos para enfrentar esse avanço.
A programação terá a participação da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), do deputado estadual eleito Leo Suricate (PSOL-CE), do historiador e comunicador Jones Manoel, além de pesquisadores e profissionais da comunicação do Brasil e de outros países latino-americanos.
Juventude no centro da disputa
Um dos pontos de partida do curso é a mudança no comportamento político das novas gerações. A pesquisa “Juventudes: Tarefa Pendente”, publicada em 2025 pela Fundação Friedrich Ebert, identificou que 38% dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos se posicionavam à direita, sendo 17% na extrema direita. Apenas 18% se identificavam com a esquerda.
O levantamento ajuda a dimensionar o desafio que será discutido na mesa “Como a extrema direita está ganhando a juventude e o que fazer?”, marcada para sábado (7), às 9h.
O debate abordará a influência das redes sociais, dos influenciadores digitais, do humor, dos games e das comunidades virtuais na formação de identidades políticas. A proposta é compreender como esses ambientes produzem identificação e engajamento e como iniciativas democráticas podem dialogar com esse público.
Participam da mesa Mércia Alves, pesquisadora do CEBRAP; Biana, produtora de conteúdo e integrante do DiraCom; Angela Abuk, graduanda em Ciências Sociais pela UFC e integrante da Fúria Juventude Ecossocialista; e Beatriz Mariano, dirigente do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) no Ceará.
Jornalismo e comunicação popular também entram no debate
Às 11h de sábado, o curso discutirá “O papel do jornalismo e da comunicação popular na disputa política”. A mesa reunirá experiências do jornalismo profissional, da comunicação dos movimentos sociais e de iniciativas independentes.
Entre os participantes estão Samira Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj); Ivan Moraes, jornalista e integrante do DiraCom; Aline Oliveira, do MST; Luan Tremembé, da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor); e Kamila Fernandes, professora da Universidade Federal do Ceará e realizadora do podcast As Cunhãs.
Às 14h, uma roda de conversa reunirá organizações e movimentos sociais para compartilhar experiências de enfrentamento à extrema direita, com atenção às estratégias de mobilização nos territórios e nas plataformas digitais.
Soberania digital e poder das big techs
O poder das grandes empresas de tecnologia será tema de outro debate importante da programação. No sábado, às 17h, a mesa “Políticas para enfrentar o poder das plataformas” discutirá regulação, transparência, direitos digitais e soberania tecnológica.
A deputada federal Sâmia Bomfim estará ao lado de Helena Martins, professora da UFC e secretária-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); Jamila Venturini, diretora-executiva da organização latino-americana Derechos Digitales; Jonas Valente, pesquisador do Oxford Internet Institute e professor da UFC; e do cacique Roberto Anacé, liderança do povo indígena Anacé, cuja participação está sujeita a confirmação.
A discussão ganha relevância diante da concentração de poder econômico e comunicacional nas plataformas, que controlam sistemas de distribuição de conteúdo, publicidade, dados e mecanismos de moderação. O desafio é discutir políticas públicas capazes de garantir que esses ambientes funcionem com respeito aos direitos e à democracia.
Da teoria à prática: oficinas encerram o curso
No domingo (8), às 10h, a programação será dedicada a oficinas práticas de comunicação e mobilização.
A oficina de narrativas para o YouTube será conduzida por Thiago Guimarães, roteirista, videomaker e criador de conteúdo. A atividade abordará produção audiovisual, posicionamento e circulação de conteúdos para disputar narrativas e alcançar novos públicos.
Marquinhos Abu, grafiteiro e integrante do Coletivo Aparecidos Políticos, conduzirá a oficina de mobilização com intervenção urbana, explorando cartazes, intervenções artísticas e ocupação criativa dos espaços públicos.
Já Renato Ribeiro, publicitário e pesquisador em Comunicação, ministrará a oficina “Luta ideológica: conteúdos para ganhar corações e mentes nas redes e além delas”, com atividades sobre análise de dados e produção de conteúdos voltados à disputa de ideias.
Inscrições gratuitas
Esta será a terceira edição do curso anual presencial promovido pelo DiraCom. A iniciativa conta com apoio do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e do Fundo Brasil de Direitos Humanos.
A formação é destinada a estudantes, profissionais da comunicação, integrantes de movimentos sociais, ativistas e demais interessados nos temas.
O curso será realizado de 6 a 8 de novembro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo Ambiente de Formação do DiraCom.
Serviço
Curso: Contra-atacar: para entender e vencer a batalha cultural
Data: 6, 7 e 8 de novembro de 2026
Local: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza (CE)
Inscrição: Gratuita, mediante inscrição prévia.
Público: Estudantes, profissionais de comunicação, integrantes de movimentos sociais, ativistas e demais interessados no tema.
Programação: Mesas de debate, rodas de conversa e oficinas sobre comunicação popular, juventude, disputa política, redes sociais e enfrentamento à extrema direita.
Inscrições e mais informações:
https://cursos.diracom.org/static/divulgacaocursopresencial2026fortaleza.html?courseid=16


