Da Redação
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, reagiu às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre sua dificuldade de conquistar o voto feminino. Em publicação nas redes sociais, Gleisi afirmou que o problema do parlamentar não seria de comunicação, mas de identidade política: para ela, as mulheres rejeitam Flávio porque reconhecem o que ele representa.
A declaração ocorre em meio à disputa antecipada pelo eleitorado feminino nas eleições de 2026. Flávio Bolsonaro tem sido apontado como um dos nomes do bolsonarismo para a sucessão presidencial, mas enfrenta resistência entre mulheres, segmento decisivo nas últimas eleições e considerado estratégico para qualquer candidatura nacional. Segundo Gleisi, a rejeição não decorre de falha na forma de apresentar suas propostas, mas da associação direta do senador ao legado político de Jair Bolsonaro e a um histórico de declarações ofensivas contra mulheres.
A dirigente petista também criticou a demora de Flávio em se posicionar sobre falas de um aliado político ligado ao grupo bolsonarista que está nos Estados Unidos ao lado de Eduardo Bolsonaro. Para Gleisi, o episódio revela uma postura incompatível com a defesa dos direitos e da dignidade das mulheres. A deputada ainda relembrou declarações de Jair Bolsonaro que provocaram forte reação pública ao longo dos anos, incluindo falas sobre mulheres, parlamentares e jornalistas.
O embate evidencia uma das frentes centrais da disputa política em 2026. Desde 2018, o voto feminino tem sido um ponto sensível para o bolsonarismo, especialmente pela rejeição de parte significativa das eleitoras ao discurso agressivo, ao conservadorismo de costumes e à postura de lideranças associadas ao ex-presidente. Para o campo progressista, esse eleitorado será decisivo não apenas pela quantidade, mas pela capacidade de influenciar debates sobre democracia, direitos sociais, violência política, igualdade de gênero e políticas públicas de cuidado.
Ao afirmar que Flávio Bolsonaro representa “retrocesso”, Gleisi tenta deslocar o debate da comunicação para o conteúdo político. A mensagem central é que o senador não enfrentaria apenas um problema de imagem, mas de trajetória, alianças e projeto. A resposta também antecipa a estratégia petista para 2026: confrontar o bolsonarismo no campo dos direitos das mulheres, associando seus candidatos ao histórico de ataques, omissões e declarações controversas acumuladas pelo grupo político nos últimos anos.
O episódio reforça que a sucessão presidencial não será disputada apenas em torno de economia, segurança pública ou alianças partidárias. A relação entre candidaturas e eleitorado feminino deve ocupar posição central na campanha. Para o bolsonarismo, o desafio será reduzir a rejeição entre mulheres sem romper com sua base mais conservadora. Para o PT e seus aliados, a aposta será apresentar essa rejeição como resultado de uma memória política acumulada, e não como simples ruído de comunicação.
