Da Redação
Após acordo sobre o diesel, equipe econômica avalia ampliar ações para reduzir preços do gás de cozinha e do combustível de aviação, em resposta à crise global provocada pela guerra no Oriente Médio.
O governo federal já trabalha com a possibilidade de ampliar as medidas de contenção de preços dos combustíveis para além do diesel, alcançando também o gás de cozinha e o combustível de aviação. A sinalização foi feita pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, em meio à escalada dos custos energéticos provocada pela guerra no Oriente Médio.
A estratégia marca uma nova fase da política econômica emergencial adotada pelo governo. Depois de fechar acordo com os estados para subsidiar o diesel e reduzir seu impacto na inflação e na logística nacional, o foco agora se expande para outros setores críticos da economia e do cotidiano das famílias brasileiras.
Segundo Durigan, a lógica é clara: se o conflito internacional continuar pressionando os preços, o governo poderá avançar com medidas específicas para o gás liquefeito de petróleo, utilizado no botijão de cozinha, e para o querosene de aviação, essencial para o setor aéreo.
A fala revela um ponto central da estratégia do governo: construir uma política escalonada de resposta à crise energética global. Em vez de uma intervenção única e ampla, a ideia é atuar por etapas, conforme os impactos da guerra se espalham pela economia.
No caso do gás de cozinha, a preocupação é imediata e social. O produto tem peso direto no orçamento das famílias, especialmente as de baixa renda. O governo já estuda medidas como subsídios, compensações a distribuidoras e mecanismos para reduzir o preço final do botijão, evitando que a alta internacional seja integralmente repassada ao consumidor.
Já no setor de aviação, o impacto é mais amplo, atingindo diretamente o custo das passagens e a operação das companhias aéreas. O querosene de aviação representa até 40% dos custos operacionais das empresas, o que significa que qualquer alta significativa tende a ser rapidamente repassada ao consumidor ou gerar redução de rotas e voos.
O pano de fundo dessa movimentação é a crise global do petróleo. A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel elevou os preços internacionais e criou um ambiente de forte volatilidade, afetando diretamente países importadores ou parcialmente dependentes, como o Brasil.
Diante disso, o governo tenta equilibrar dois objetivos que frequentemente entram em tensão: proteger a população e a economia dos choques externos, sem comprometer o equilíbrio fiscal ou repetir políticas de controle artificial de preços do passado.
Durigan foi explícito ao defender esse equilíbrio. Segundo ele, o país não pode voltar a “represar preços” de forma desorganizada, mas também não pode ficar completamente exposto às oscilações internacionais.
A solução proposta passa pelo uso de “mecanismos inteligentes”, que combinam desoneração tributária, subsídios temporários e incentivos à oferta, como já ocorreu no caso do diesel. A ideia é amortecer o impacto sem distorcer completamente o funcionamento do mercado.
Outro elemento importante é a utilização de receitas extraordinárias. Com a alta do petróleo, o governo arrecada mais com exportações e tributos, o que abre espaço para financiar parte dessas medidas sem pressionar excessivamente as contas públicas.
Essa abordagem revela uma leitura estratégica mais ampla. O governo reconhece que a crise não é doméstica, mas importada. E, portanto, a resposta precisa ser calibrada para mitigar efeitos sem comprometer a estrutura econômica interna.
Ao mesmo tempo, a ampliação das medidas para gás de cozinha e aviação mostra que o impacto da guerra já ultrapassou o transporte de cargas e começa a atingir diretamente o custo de vida e setores estratégicos da economia.
No fim, o movimento indica que o Brasil está construindo uma política de defesa econômica diante de um cenário global adverso. Uma política que combina intervenção seletiva, coordenação federativa e pragmatismo fiscal para tentar proteger a população de uma crise que não começou no país, mas já bate à porta de todos os brasileiros.






