Da Redação
A organização Aryan Freedom Network, inspirada na ideologia nazista, ganhou força e expandiu sua atuação nos EUA, impulsionada por retórica e políticas permissivas de Trump.
Segundo uma investigação da Reuters, a Aryan Freedom Network (AFN) — um grupo neonazista fundado e comandado por Dalton Henry Stout e sua parceira — vem ganhando impulso nos Estados Unidos. A organização cultua símbolos ligados à SS nazista e defende abertamente a ideia de uma “Guerra Santa Racial”. Desde a reeleição de Donald Trump, seus líderes afirmam ter observado um crescimento exponencial em recrutamento e coordenação com outras facções de extrema direita.
A retórica presidencial, especialmente em temas como imigração, multiculturalismo e “valores ocidentais”, serviu como combustível para a propagação dos ideais supremacistas brancos. As anistias concedidas após o ataque ao Capitólio e a redução do foco das agências federais no combate ao extremismo doméstico reforçaram uma percepção entre grupos como a AFN: as estruturas do Estado estariam menos dispostas a reprimi-los.
Embora a AFN ainda opere na periferia do espectro político — amplamente rejeitada inclusive por conservadores mainstream —, seu protagonismo em manifestações públicas, rituais como queima de cruzes e eventos de recrutamento elevou seu perfil e sua capacidade de ação. Membros e ex-afiliados foram vinculados ao acúmulo de armamento, levantando alerta sobre o potencial de violência, mesmo quando a organização afirma atuar legalmente.
Expertos em extremismo apontam que a linha entre o discurso de Trump e a narrativa extrema desses grupos vem se tornando cada vez mais tênue. Termos uma vez considerados radicais, como noções de ameaça imigratória e nacionalismo étnico absoluto, migraram para o centro da discussão pública e foram absorvidos por correntes conservadoras. Como resultado, o contexto permissivo atual pode estar erodindo barreiras e ampliando o alcance de movimentos neonazistas nas bases sociais.


