Da Redação
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística publicou edital para processo seletivo com 9.590 vagas temporárias em todo o Brasil para nível médio, com inscrições abertas de 19 de novembro a 11 de dezembro de 2025 e provas marcadas para 22 de fevereiro de 2026.
O IBGE publicou novo edital para contratação temporária de quase dez mil profissionais que atuarão em pesquisas, levantamentos domiciliares e atividades de campo por todo o país. O processo seletivo nacional é uma das maiores iniciativas operacionais do instituto desde o pós-Censo e forma parte de uma estratégia de ampliação de equipes diante da demanda crescente por dados econômicos, demográficos e sociais.
As 9.590 vagas são todas para nível médio e estão distribuídas em dois cargos: Agente de Pesquisas e Mapeamento (APM) e Supervisor de Coleta e Qualidade (SCQ).
O edital estabelece que as inscrições estarão abertas até 11 de dezembro. A taxa é de R$ 38,50. A prova objetiva, única etapa do processo seletivo, ocorrerá em 22 de fevereiro de 2026.
Distribuição das vagas
Agente de Pesquisas e Mapeamento (APM)
• 8.480 vagas
• Salário inicial: R$ 2.676,24
• Realiza visitas domiciliares, entrevistas, preenchimento de questionários e apoio a levantamentos estatísticos e geográficos.
Supervisor de Coleta e Qualidade (SCQ)
• 1.110 vagas
• Salário inicial: R$ 3.379,00
• Exige ensino médio completo e CNH categoria B ou superior.
• Responsável por coordenar equipes, planejar estratégias de campo e monitorar qualidade dos dados coletados.
Benefícios
Os contratados terão:
• auxílio-alimentação
• auxílio-transporte
• férias proporcionais
• 13º proporcional
• treinamento inicial
Cotas e distribuição social
O edital reserva:
• 25% das vagas para candidatos pretos ou pardos
• 3% para indígenas
• 2% para quilombolas
• 5% para pessoas com deficiência
Essa é uma das seleções mais amplas em termos de inclusão social entre concursos recentes de nível médio.
Como serão os contratos
Os contratos são temporários, com duração inicial de até 1 ano, podendo ser prorrogados por até três anos, conforme a legislação federal vigente. A natureza temporária visa permitir ao IBGE reforçar suas equipes em ciclos de pesquisa contínua, sem necessidade de concurso efetivo.
Prova e conteúdo programático
A prova objetiva será composta por questões de:
• Língua Portuguesa
• Raciocínio Lógico
• Ética no Serviço Público
• Geografia
• Conhecimentos específicos do cargo
A prova será aplicada em municípios de todo o país, com horários diferentes para cada cargo.
Análise estratégica: força e fragilidade do modelo
A abertura de quase dez mil vagas reforça o papel central do IBGE na formulação de políticas públicas. Num país continental como o Brasil, com forte desigualdade regional e necessidade permanente de dados atualizados, ampliar a força de trabalho para pesquisas é essencial para monitoramento econômico, demográfico, de habitação, mobilidade, mercado de trabalho e programas sociais.
Porém, o modelo temporário é visto com ressalvas por especialistas:
- Alta rotatividade
Contratos curtos podem comprometer a continuidade de equipes de campo, exigindo treinamento repetido e perda de conhecimento acumulado. - Risco de desmobilização regional
Locais de difícil acesso podem sofrer com falta de reposição ou alta desistência. - Desafio de atrair profissionais qualificados
Com salários relativamente modestos, a disputa por mão de obra em regiões economicamente aquecidas pode ser desfavorável ao IBGE. - Dependência de seleções frequentes
O caráter temporário obriga o instituto a refazer seleções periodicamente, o que gera custos operacionais.
Ainda assim, diante do contexto pós-Censo e da necessidade de ampliar pesquisas contínuas, o processo é considerado indispensável para manter o IBGE operacional em sua capacidade máxima.
Conclusão
O novo processo seletivo do IBGE representa uma oportunidade importante para quem tem nível médio e busca atuação no serviço público. As vagas são amplas, os salários são atrativos para muitas regiões e a possibilidade de atuar em pesquisas nacionais agrega experiência relevante.
Ao mesmo tempo, a contratação temporária reforça um debate antigo sobre a necessidade de concursos públicos efetivos e sobre a importância do IBGE na arquitetura estatal de produção de dados — especialmente em um momento em que a sociedade brasileira depende, mais do que nunca, de estatísticas confiáveis.






