Da Redação
Em visita a Maputo, o presidente destaca o potencial econômico africano e defende parceria estratégica entre Brasil e países africanos — com foco em comércio, tecnologia, agronegócio e investimentos.
Durante encontro empresarial em Maputo, Moçambique, o presidente afirmou que o continente africano precisa receber um novo olhar do setor privado brasileiro. Segundo ele, a África oferece um potencial econômico extraordinário e representa uma oportunidade para fortalecer relações históricas, ampliar o comércio exterior e integrar cadeias produtivas estratégicas entre os países do Sul Global.
No discurso, o presidente ressaltou que as relações entre Brasil e África carregam uma dimensão civilizatória profunda. Ele afirmou que a dívida histórica brasileira com povos africanos não se resolve apenas com dinheiro ou declarações, mas com cooperação real, investimentos conjuntos, transferência de conhecimento e participação ativa na construção do desenvolvimento do continente.
O presidente destacou ainda que o comércio entre Brasil e diversos países africanos caiu de forma significativa nos últimos anos, reduzindo-se a um conjunto restrito de produtos. Para ele, essa queda não condiz com o tamanho da oportunidade africana e tampouco com a capacidade do setor produtivo brasileiro. Ele citou como exemplo Moçambique, que já importou maquinaria e bens de capital brasileiros, mas hoje concentra grande parte do comércio em poucos itens agrícolas.
Para reverter essa tendência, o governo sinalizou que pretende retomar instrumentos de financiamento e apoio à internacionalização de empresas brasileiras, permitindo que companhias tenham condições de investir no continente, estabelecer parcerias tecnológicas e ampliar o alcance produtivo em setores estratégicos.
Entre as áreas consideradas prioritárias estão energia, biocombustíveis, defesa, saúde, educação, agricultura, mineração, infraestrutura e inovação tecnológica. O presidente defendeu que empresas brasileiras podem se beneficiar da Zona de Livre Comércio Continental Africana, que cria um dos maiores mercados unificados do mundo e favorece a integração entre blocos como o Mercosul e países africanos.
A iniciativa ocorre em um momento em que países do Sul Global consolidam uma reaproximação estratégica, fortalecendo laços que fogem da lógica tradicional centrada em mercados europeus e norte-americanos. Na avaliação do governo, a aproximação com a África é parte fundamental de uma política externa que busca ampliar autonomia, diversificar parceiros, reduzir vulnerabilidades e construir alternativas econômicas mais alinhadas com a multipolaridade emergente.
Para o setor privado, o discurso é também um convite — e um alerta — para repensar prioridades. Em vez de enxergar a África apenas como destino de exportações pontuais, trata-se de compreender o continente como espaço de cooperação estrutural, de projetos industriais conjuntos e de oportunidades que podem se estender por décadas.