Da Redação
Presidente recebe centrais sindicais, reforça pauta trabalhista e pressiona por mobilização social para garantir aprovação no Congresso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu representantes das centrais sindicais e reforçou a centralidade da pauta trabalhista no governo, com destaque para o fim da escala 6×1. Durante o encontro, Lula não apenas acolheu as reivindicações do movimento sindical, como também cobrou mobilização social para garantir a aprovação das propostas no Congresso Nacional.
A pauta entregue pelas centrais tem como eixo principal a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, com a substituição do modelo 6×1 por uma escala mais equilibrada, como o regime 5×2. Essa proposta já foi formalizada pelo governo por meio de projeto de lei enviado ao Congresso em regime de urgência.
Segundo o próprio presidente, a medida tem caráter estrutural.
A ideia é reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso e preservando integralmente os salários.
Mas Lula foi além da proposta institucional.
Ele deixou claro que a aprovação depende de pressão popular.
Nos bastidores e nas declarações recentes, o governo tem reforçado que conquistas históricas no campo trabalhista sempre ocorreram com mobilização social intensa — e que o mesmo deverá acontecer agora.
Esse ponto é central.
A pauta do fim da escala 6×1 já conta com apoio significativo da população. Pesquisas indicam que cerca de 70% dos brasileiros são favoráveis à mudança, o que cria um ambiente político propício — mas não suficiente por si só para garantir aprovação legislativa.
Ao cobrar mobilização, Lula sinaliza que o governo pretende transformar a pauta em um tema de disputa política direta, especialmente em um ano eleitoral.
O movimento também dialoga com uma agenda mais ampla.
Além da jornada de trabalho, as centrais sindicais defendem medidas voltadas à valorização do trabalho, ampliação de direitos e melhoria das condições de vida da classe trabalhadora, consolidando um eixo social como prioridade do governo.
Do ponto de vista político, o tema tem potencial de reorganizar o debate público.
A redução da jornada coloca em confronto direto dois projetos:
um voltado à ampliação de direitos trabalhistas
outro centrado na flexibilização e na lógica de mercado
No Congresso, a proposta deve enfrentar resistência de setores empresariais, que apontam possíveis impactos sobre custos e produtividade. Ainda assim, o governo aposta na combinação entre apoio popular e mobilização sindical para avançar.
No fim, o encontro entre Lula e as centrais sindicais revela mais do que uma agenda de governo.
Revela uma estratégia.
A de transformar o fim da escala 6×1 em um dos principais eixos da disputa política e social no Brasil em 2026.






