Da Redação
Presidente destaca China como principal parceira estratégica para investimentos em infraestrutura, energia e tecnologia, consolidando eixo Brasil–Sul Global em meio à nova disputa geopolítica global.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a destacar a centralidade da parceria entre Brasil e China como eixo estratégico para impulsionar grandes investimentos em infraestrutura no país. A declaração, feita no fim de março de 2026, reforça uma diretriz clara da política externa e econômica do governo: aprofundar laços com o Sul Global como alternativa à dependência histórica das potências ocidentais.
Segundo Lula, a China é hoje o país que demonstra maior disposição em investir no Brasil, especialmente em projetos estruturantes. “Nesse instante, a China é o país que tem mostrado maior disposição de trabalhar junto com o Brasil”, afirmou o presidente, sinalizando uma mudança relevante no eixo de financiamento e cooperação internacional do país .
A parceria não é abstrata. Ela já se materializa em obras concretas de grande escala. Um dos exemplos citados pelo presidente é a ponte Salvador-Itaparica, um dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil contemporâneo, com cerca de 13 quilômetros de extensão e impacto direto em mais de 250 municípios. O projeto conta com financiamento internacional, incluindo capital chinês, e representa bilhões em investimentos .
Outro destaque é o avanço de projetos de mobilidade urbana, como o VLT de Salvador, também inserido no novo Programa de Aceleração do Crescimento. Lula ressaltou que o PAC já contratou cerca de 80% dos recursos previstos, indicando uma aceleração significativa na execução de obras em todo o país .
Mas o significado dessa parceria vai além das obras específicas. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento. O governo brasileiro aposta na infraestrutura como motor de crescimento econômico, geração de empregos e redução de desigualdades regionais, com foco especial no Nordeste, historicamente negligenciado em ciclos anteriores de investimento .
A relação com a China se insere nesse contexto como vetor central de financiamento e tecnologia. Historicamente, o país asiático já ocupa posição de destaque nas relações com o Brasil, sendo seu principal parceiro comercial desde 2009 e um dos maiores investidores em setores estratégicos como energia, logística e indústria .
Nos últimos anos, essa cooperação se expandiu para áreas de alta complexidade tecnológica. Acordos bilaterais incluem desde infraestrutura tradicional até setores como energia renovável, data centers, inteligência artificial e digitalização, refletindo uma relação cada vez mais estruturada e de longo prazo .
Lula também destacou o papel do Brasil no cenário energético global como fator de atração de investimentos. O país possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com mais de 50% de energia renovável, o que o torna especialmente atrativo para projetos ligados à transição energética e à economia verde .
Esse ponto é estratégico. Em um mundo marcado por crise climática e disputa por recursos energéticos, países com capacidade de geração limpa e infraestrutura em expansão se tornam polos de investimento internacional.
Ao mesmo tempo, a fala do presidente revela uma postura pragmática na política externa. Lula afirmou que o Brasil quer manter relações com todos os países, mas deixou claro que a parceria com a China ocupa posição central nesse momento, dada sua disposição concreta de investir e cooperar .
Esse movimento ocorre em um cenário global de transição geopolítica. A crescente tensão entre Estados Unidos e China, somada a conflitos internacionais e à reorganização das cadeias produtivas, abre espaço para países como o Brasil ampliarem sua autonomia estratégica por meio de parcerias diversificadas.
Do ponto de vista estrutural, a cooperação sino-brasileira também responde a necessidades complementares. O Brasil demanda investimentos em infraestrutura e industrialização, enquanto a China busca expandir mercados, garantir acesso a recursos e consolidar sua influência econômica global .
Essa convergência cria uma relação de interdependência que pode redefinir o papel do Brasil na economia mundial. Ao atrair investimentos para áreas como logística, energia e tecnologia, o país busca não apenas crescer, mas também reposicionar-se como ator relevante em uma ordem internacional cada vez mais multipolar.
No fim, a fala de Lula sintetiza um projeto estratégico. Mais do que captar recursos, o governo busca utilizar a parceria com a China como instrumento de desenvolvimento nacional, integração territorial e fortalecimento da soberania econômica.
Em um mundo em transformação, a disputa não é apenas por mercados, mas por infraestrutura, tecnologia e autonomia. E, ao que tudo indica, o eixo Brasil–China será um dos pilares dessa nova etapa.






