Da Redação
Ex-primeira-dama deixa comando do PL Mulher, rompe silêncio sobre crise interna e avalia que novos episódios poderão enfraquecer a candidatura presidencial do senador
A crise interna no Partido Liberal (PL) ganhou um novo capítulo após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmar a aliados que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá enfrentar novos desgastes ao longo da campanha presidencial de 2026. Segundo informações divulgadas pelo Brasil 247, Michelle avalia que outros escândalos envolvendo o senador ainda podem vir à tona, comprometendo sua viabilidade eleitoral.
As declarações ocorrem poucos dias depois de Michelle anunciar sua saída da presidência nacional do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023. O afastamento foi acertado em reunião com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e é interpretado nos bastidores como mais um reflexo do conflito aberto entre a ex-primeira-dama e o enteado.
Crise rompe unidade do bolsonarismo
O embate entre Michelle e Flávio tornou público um conflito que, segundo relatos de dirigentes do partido, vinha se acumulando há meses.
Nos últimos dias, a ex-primeira-dama divulgou vídeos e declarações criticando decisões políticas relacionadas à condução da pré-campanha presidencial e ao comando do PL. A disputa expôs divergências sobre alianças eleitorais, estratégias de campanha e o futuro da liderança do bolsonarismo após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
A tensão levou Valdemar Costa Neto a intervir para tentar conter o desgaste interno. Após a saída de Michelle do PL Mulher, o dirigente decidiu extinguir a presidência nacional da ala feminina do partido, que passará a funcionar por meio de coordenações estaduais subordinadas diretamente à direção nacional.
Michelle prevê novos desgastes
De acordo com interlocutores citados pelo Brasil 247, Michelle considera que a candidatura de Flávio ainda poderá enfrentar novas turbulências durante a campanha.
A avaliação é de que episódios futuros tendem a ampliar o desgaste político do senador, afetando sua capacidade de consolidar apoio dentro da própria direita e junto ao eleitorado conservador.
A ex-primeira-dama não detalhou quais seriam esses possíveis acontecimentos, mas sua manifestação reforça a percepção de que o conflito deixou de ser apenas uma divergência familiar e passou a envolver a disputa pela liderança política do campo bolsonarista.
Direita vive disputa pela sucessão
A crise ocorre em um momento decisivo para o PL.
Com Jair Bolsonaro fora da disputa presidencial, diferentes lideranças passaram a disputar espaço na reorganização da direita brasileira. Flávio Bolsonaro foi lançado como pré-candidato à Presidência com o apoio do pai e da direção nacional do partido, mas enfrenta dificuldades para unificar todas as correntes do bolsonarismo.
Michelle, por sua vez, consolidou nos últimos anos forte influência entre o eleitorado feminino e evangélico, tornando-se uma das figuras mais populares do partido. Seu afastamento do comando do PL Mulher não significa, necessariamente, redução de protagonismo político, já que ela continua filiada à legenda e mantém capacidade de mobilização junto à base conservadora.
Crise pode influenciar a campanha de 2026
Analistas avaliam que a disputa entre Michelle e Flávio poderá produzir efeitos duradouros sobre a campanha presidencial.
Além de expor divisões internas, o conflito dificulta a construção de uma imagem de unidade em torno da candidatura do senador e alimenta especulações sobre o futuro da liderança do bolsonarismo.
Com a saída de Michelle da presidência do PL Mulher e a permanência das divergências no interior da legenda, o principal partido da direita brasileira entra na fase pré-eleitoral enfrentando um dos momentos de maior tensão desde o início da reorganização política para as eleições de 2026.
