Da Redação
Morreu neste domingo (22), aos 94 anos, o dirigente cubano Ramiro Valdés Menéndez, uma das figuras históricas da Revolução Cubana e integrante do grupo que, ao lado de Fidel Castro, participou da derrubada da ditadura de Fulgêncio Batista em 1959.
Valdés ocupava cargos de destaque no Estado cubano e era considerado um dos últimos sobreviventes da geração que conduziu a revolução que transformou profundamente a história política, econômica e social da ilha caribenha.
O falecimento foi confirmado pelas autoridades cubanas, que destacaram sua trajetória como combatente revolucionário, dirigente político e servidor público ao longo de mais de seis décadas.
Da Sierra Maestra ao governo cubano
Nascido em 1932, Ramiro Valdés participou da luta contra a ditadura de Batista desde os primeiros anos do movimento revolucionário liderado por Fidel Castro.
Ele integrou o grupo que participou do ataque ao Quartel Moncada em 1953, ação que fracassou militarmente, mas se tornou um marco simbólico da revolução. Após ser preso e posteriormente anistiado, seguiu para o exílio no México, onde participou da reorganização do movimento revolucionário.
Em 1956, embarcou no iate Granma ao lado de Fidel Castro, Raúl Castro, Ernesto Che Guevara e outros combatentes que retornaram a Cuba para iniciar a guerrilha na Sierra Maestra.
Após a vitória revolucionária em janeiro de 1959, tornou-se uma das figuras mais influentes do novo governo.
Ministro, dirigente e homem de confiança de Fidel
Ao longo de sua trajetória política, Ramiro Valdés ocupou diversos cargos estratégicos.
Foi o primeiro ministro do Interior de Cuba, responsável pela organização das estruturas de segurança do novo Estado revolucionário. Também exerceu funções ligadas às comunicações, à infraestrutura e ao desenvolvimento tecnológico do país.
Nas últimas décadas, integrava o Bureau Político do Partido Comunista de Cuba e atuava como vice-primeiro-ministro, permanecendo entre os dirigentes mais influentes da ilha.
Sua trajetória esteve associada a alguns dos momentos mais importantes da história cubana, incluindo a consolidação do processo revolucionário, o enfrentamento ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e as transformações ocorridas após o fim da União Soviética.
Uma geração que marcou a América Latina
A morte de Ramiro Valdés representa mais um capítulo do desaparecimento gradual da geração que protagonizou a Revolução Cubana.
Nos últimos anos, a ilha já havia se despedido de figuras centrais como Fidel Castro, morto em 2016, e de diversos dirigentes históricos que participaram diretamente da luta guerrilheira dos anos 1950.
A revolução liderada por Fidel transformou Cuba em um dos principais símbolos políticos do século XX na América Latina. O processo influenciou movimentos sociais, organizações de esquerda, governos e debates sobre soberania nacional em diversos países da região.
Ao mesmo tempo, também foi alvo de críticas por restrições políticas e pela ausência de pluralismo partidário, tornando-se objeto de intensos debates ao longo das últimas décadas.
Legado histórico
Independentemente das avaliações sobre a experiência cubana, Ramiro Valdés ocupou lugar de destaque em um dos acontecimentos mais importantes da história latino-americana contemporânea.
Sua trajetória atravessou momentos decisivos da Guerra Fria, da disputa geopolítica entre Estados Unidos e União Soviética e dos processos de transformação social que marcaram a América Latina na segunda metade do século XX.
Com sua morte, desaparece mais um dos protagonistas diretos da Revolução Cubana, restando cada vez menos sobreviventes da geração que desembarcou do Granma e mudou o destino político de Cuba.



