Sousa Júnior – Diretor da Atitude Popular
Dados do Ministério do Trabalho revelam que há mais de 17 mil sindicatos de trabalhadores no país, representando 101,3 milhões de trabalhadores, dos quais apenas 8,9% desse total eram sindicalizados em 2024, conforme pesquisa do IBGE.
Mesmo assim, esses 17 mil sindicatos constituem uma força poderosa de comunicação em potencial, pois hoje quase todos possuem, pelo menos, um meio de comunicação com sua base, seja um jornal impresso e/ou eletrônico, um site, uma página de Facebook, Instagram ou mesmo um canal de Youtube ou Podcast.
Outra força de comunicação em potencial são as mais de 5 mil emissoras de rádio comunitárias outorgadas, sem falar nas rádios livres e, ainda, mais de 22 mil rádios web que tocam no portal radios.com.br ou tem estrutura própria de rádio, tv e portal, como a Atitude Popular.
Junte-se a isso milhares de sites, blogs e canais de Youtube progressistas, alguns dos quais com mais de um milhão de inscritos, sem computar a esfera pública, formada pela Rede Nacional de Comunicação Pública com 167 emissoras de tv e 165 de rádio, coordenada pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação).
Porém, todo esse contingente de meios alternativos à mídia tradicional e hegemônica não passa de uma força de comunicação em potencial, pois como não se cansa de repetir Admirson Greg, ex-coordenador geral do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) e atual secretário nacional de economia solidária da CUT, “é cada um em seu quadrado”, não há, portanto, ações conjuntas de comunicação desses milhares de veículos, salvo algumas iniciativas isoladas, pontuais, reunindo alguns veículos da mídia alternativa, como tem feito de forma exemplar o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Praticamente todos os veículos citados têm interesses e reivindicações em comum, a exemplo do fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho, sem anistia para golpistas e a não reeleição de parlamentares considerados inimigos do povo que formam a maioria do Congresso Nacional. Eis porque estamos defendendo a criação de um FÓRUM NACIONAL DE COMUNICAÇÃO POPULAR, formado por entidades representativas dos movimentos sociais, a exemplo do FNDC, que tem mais de 500 entidades filiadas.
O objetivo desse Fórum é justamente elaborar campanhas publicitárias, envolvendo peças de tv e de rádio, e materiais para impressão e publicação, para cada assunto de interesse comum das entidades, possibilitando que a campanha seja reproduzida por todos os veículos de comunicação interessados, sem custo algum de exibição, apenas o custo de criação e produção das peças publicitárias, irrelevante diante do benefício da ampla exibição que terá cada campanha.
Algumas iniciativas têm sido feitas nesse sentido, como a elaboração de vídeos por IA feitos pelo PT contra o Congresso Inimigo do Povo. Mas além da falta de articulação com as entidades, não há adesão do conjunto dos meios populares de comunicação por conta dos interesses diversos partidários. Sendo uma iniciativa de entidades que representam o conjunto dos movimentos sociais, a adesão seria muito maior, incomparável, e poderia se tornar uma prática comum dos meios de comunicação popular e progressista, fortalecendo cada veículo junto às suas bases.
Em 2026, em que a eleição do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, dos governos de Estado e da presidência da República vão determinar o futuro do país e será a mais importante do mundo, a disputa das ideias vai se dar de forma intensa através de todos os meios de comunicação e durante todo o ano, 24 horas por dia, e não apenas no rádio e na tv nos 45 dias do reduzido Horário da Propaganda Eleitoral. Com apoio das Big Tech e do grande capital, as forças de extrema-direita estão preparadas para esse enfrentamento. E nós?
