Presidente do IBGE responde à pergunta do jornalista cearense Sousa Júnior e aponta que sem investimento estrutural o país continuará vulnerável a retrocessos
O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, participou de uma coletiva realizada pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, com retransmissão simultânea de diversos veículos da imprensa independente. A resposta mais contundente do economista ocorreu após a pergunta formulada por Sousa Júnior, da Rádio e TV Atitude Popular, que questionou de forma direta: “O povo brasileiro vai sempre depender de um governo Lula para ter melhores condições de vida?”
A pergunta foi feita após Sousa Júnior citar levantamentos do próprio IBGE: a menor taxa de insegurança alimentar grave da série histórica em 2013 (3,2%); a saída do Brasil do Mapa da Fome em 2014; o retorno ao mapa após o “desgoverno anterior”; e novamente a redução da insegurança alimentar grave para 3,2% em 2024, com queda do desemprego. Tudo isso, segundo o jornalista, refletia “políticas concretas de governo”.
Ao responder, Pochmann foi categórico ao reconhecer que os resultados positivos recentes não surgem espontaneamente. Eles derivam, sobretudo, da reversão do desastre econômico ocorrido entre 2015 e 2022 — um período que ele qualificou como “década perdida”, marcada por recessão, inflação, cortes sociais e o desmonte da legislação trabalhista e previdenciária.
“O que estamos colhendo agora é a reversão de uma década perdida”
O presidente do IBGE explicou que o desempenho atual da economia e dos indicadores sociais decorre de três fatores: crescimento econômico, retomada do emprego e recomposição do salário mínimo — além da ampliação dos programas de transferência de renda.
“A recuperação do salário mínimo, o crescimento do emprego e a expansão do gasto social ajudam a entender os resultados positivos que estamos vendo agora.”
Entretanto, advertiu que essa melhora é frágil e depende de ações permanentes do Estado brasileiro.
“Para não depender apenas de governos, o Brasil precisa retomar o investimento”
A resposta mais incisiva veio quando Pochmann abordou a preocupação de Sousa Júnior: como evitar retrocessos futuros?
“Para termos melhores remunerações e mobilidade social, o Brasil precisa voltar a investir. Sem investimento, ficamos apenas ocupando capacidade ociosa e gerando empregos de baixo salário.”
O economista lembrou que 9 em cada 10 vagas formais abertas hoje pagam menos de R$ 2 mil, reflexo de um mercado de trabalho ainda frágil, que responde ao crescimento econômico, mas não gera saltos qualitativos.
Segundo ele, o investimento privado segue travado por uma razão óbvia: a taxa de juros.
“Quem tem dinheiro compara: desmobilizo recursos para investir ou deixo o dinheiro parado rendendo juros altos? Essa equação permanece sem solução desde o Plano Real.”
Além disso, Pochmann apontou que o Brasil não possui uma política anti-inflacionária robusta, dependendo exclusivamente da taxa Selic, o que fragiliza a economia e aumenta sua vulnerabilidade diante de choques externos.
“O Brasil precisa de políticas de Estado, não apenas de políticas de governo”
O presidente do IBGE defendeu a construção de um projeto nacional de desenvolvimento capaz de garantir estabilidade institucional, proteção social e crescimento sustentado — independentemente de quem ocupe o Executivo.
“Para não depender apenas do Estado ou do governo de plantão, precisamos de políticas de Estado que garantam investimento, emprego e segurança alimentar.”
A resposta ecoou diretamente o questionamento de Sousa Júnior: se nada estrutural for modificado, o país seguirá oscilando entre avanços em governos progressistas e retrocessos em governos de extrema direita.
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