Candidatos apresentam diferenças sobre regulação, controle de dados, atuação das Big Techs, proteção do trabalho e uso de conteúdo sintético nas eleições
Da Redação
A inteligência artificial entrou na campanha presidencial de 2026 como uma questão econômica, política e estratégica. A disputa envolve desde o uso da tecnologia nos serviços públicos até o controle dos dados brasileiros, os efeitos da automação sobre o emprego e os limites para a produção de vídeos, imagens e áudios sintéticos durante as eleições.
Os posicionamentos conhecidos mostram uma divisão relevante entre os candidatos. Parte deles defende investimentos públicos, infraestrutura nacional e maior regulação das empresas de tecnologia. Outro grupo aposta na liberdade de mercado, na autorregulação das plataformas e em menos interferência estatal. Há ainda propostas que relacionam a soberania digital à proteção dos trabalhadores, à segurança pública, aos direitos fundamentais ou à saúde mental.
O debate ocorre no primeiro pleito presidencial brasileiro submetido a regras eleitorais específicas para ferramentas de inteligência artificial. O Tribunal Superior Eleitoral determinou, entre outras medidas, a identificação de conteúdos sintéticos, a responsabilização das plataformas em determinadas situações e a limitação da publicação de novos materiais alterados por IA nas horas próximas à votação.
A Atitude Popular reuniu declarações, projetos, entrevistas, ações administrativas e posições partidárias para apresentar o que cada candidato tem defendido sobre o assunto.
Lula: inteligência artificial como projeto de soberania nacional
Entre todos os presidenciáveis, o Presidente Lula é quem apresenta a formulação mais abrangente sobre inteligência artificial. Desde 2023, o tema passou a ocupar espaço recorrente em seus discursos nacionais e internacionais, sempre associado à reindustrialização, à produção científica, à autonomia tecnológica e à soberania digital do Brasil.
Essa visão ganhou forma institucional com o lançamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. O programa estabelece como prioridade ampliar a capacidade nacional de processamento de dados, construir infraestrutura pública de supercomputação, desenvolver modelos de linguagem treinados em português, estruturar uma nuvem soberana e reduzir a dependência brasileira das grandes empresas estrangeiras de tecnologia.
Para Lula, a inteligência artificial não deve ser tratada apenas como uma ferramenta de aumento de produtividade, mas como um instrumento de desenvolvimento nacional. Em seus pronunciamentos, o presidente costuma relacionar a IA ao fortalecimento da Nova Indústria Brasil, à modernização do SUS, à transformação digital dos serviços públicos, ao avanço da pesquisa científica e à formação de profissionais capazes de disputar espaço na economia do conhecimento. A defesa de investimentos em ciência, universidades e infraestrutura tecnológica aparece de forma recorrente como condição para que o Brasil deixe de ser apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas no exterior.
Outro eixo permanente de sua agenda é a soberania digital. Em diferentes fóruns internacionais, Lula afirma que os dados se tornaram um ativo estratégico e defende que o Brasil desenvolva capacidade própria de armazenar informações, treinar modelos de inteligência artificial e estabelecer regras para a atuação das Big Techs. Em seus discursos, também associa a regulação das plataformas ao combate ao que chama de “colonialismo digital”, argumentando que grandes empresas concentram riqueza, dados e poder político sem estarem submetidas às mesmas responsabilidades impostas aos demais setores da economia.
A preocupação com o impacto da IA sobre a democracia também ocupa lugar central em sua campanha. Lula defende regras mais rígidas para o uso de conteúdos sintéticos durante as eleições e afirma que deepfakes e manipulação algorítmica representam riscos à integridade do processo eleitoral. Em maio deste ano, chegou a elogiar publicamente a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de restringir o uso de inteligência artificial nos dias que antecedem a votação, afirmando que “as pessoas não podem votar em mentira”.
O governo também sustenta que a expansão da inteligência artificial precisa ser acompanhada por políticas de qualificação profissional, proteção aos trabalhadores e desenvolvimento de capacidades nacionais de pesquisa e inovação, evitando que a automação aprofunde desigualdades ou amplie a dependência tecnológica do país.
Fontes para leitura
Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (MCTI):
https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/transformacaodigital/plano-brasileiro-de-inteligencia-artificial
Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (documento completo):
https://www.gov.br/mcti/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes-mcti/plano-brasileiro-de-inteligencia-artificial/pbia_mcti_2025.pdf
Plano nacional de IA: Lula defende soberania de dados e avanço tecnológico:
https://pt.org.br/plano-nacional-de-ia-lula-defende-soberania-de-dados-e-avanco-tecnologico/
Agência Brasil | Lula defende restrição ao uso de IA nas eleições:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-05/lula-defende-restricao-ao-uso-de-ia-no-periodo-das-eleicoes ([Agência Brasil][3])
Portal do Planalto | Discursos do Presidente Lula (incluindo pronunciamentos sobre IA, soberania digital e proteção de menores):
https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/discursos-e-pronunciamentos/ultimos-discursos
Flávio Bolsonaro: contra restrições e em confronto com a regulação
Flávio Bolsonaro representa a candidatura mais resistente à ampliação das regras sobre inteligência artificial. O senador defende que o desenvolvimento da tecnologia seja conduzido pelo mercado, com mínima intervenção estatal, menor regulação das plataformas digitais e ampla liberdade para o uso de ferramentas de IA.
Na economia, associa a inteligência artificial à redução de custos, à digitalização dos serviços públicos, ao empreendedorismo e à flexibilização das relações de trabalho. Também critica iniciativas que busquem limitar a automação ou ampliar responsabilidades das empresas pelos impactos da substituição de trabalhadores.
A defesa dessa visão ganhou dimensão prática na própria convenção que oficializou sua candidatura. O PL exibiu um vídeo produzido por inteligência artificial reproduzindo a imagem e a voz de Jair Bolsonaro, que cumpria restrições judiciais de comunicação política. Embora o vídeo informasse tratar-se de uma simulação, sua utilização provocou contestação imediata de partidos adversários e abriu um dos primeiros testes das regras do TSE sobre inteligência artificial nas eleições de 2026.
A estratégia também expôs uma tensão entre o discurso da campanha e a preocupação da Justiça Eleitoral com o potencial de manipulação de conteúdos sintéticos. Enquanto Flávio Bolsonaro sustenta que a inteligência artificial deve ser tratada como uma ferramenta legítima de comunicação política, desde que identificada como tal, críticos apontam que o episódio buscou contornar, por meio de um avatar digital, as limitações impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A legalidade da iniciativa ainda depende de análise definitiva da Justiça Eleitoral.
A defesa do candidato afirmou ao TSE que o vídeo não configurava deepfake ilícito, comparando a peça a caricaturas, bonecos ou outras representações artísticas. Também argumentou que a equipe estudou previamente a legislação e que a tecnologia não foi utilizada para induzir o eleitor ao erro.
Fontes para leitura
- CNN Brasil | Entenda as regras do TSE para vídeos e imagens com IA nas eleições
https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/entenda-as-regras-do-tse-para-videos-e-imagens-com-ia-nas-eleicoes/ - CNN Brasil | PL apresenta vídeo de IA com mensagem de Jair Bolsonaro em convenção
https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/pl-apresenta-video-de-ia-com-mensagem-de-jair-bolsonaro-em-convencao/ - CNN Brasil | TSE já espera questionamentos sobre IA de Bolsonaro em convenção do PL
https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/tse-ja-espera-questionamentos-sobre-ia-de-bolsonaro-em-convencao-do-pl/ - JOTA | Defesa compara vídeo de Bolsonaro feito com IA a caricatura e fantoches
- Reuters | Brazil’s Bolsonaro is barred from this year’s election. Can his AI avatar campaign instead?
Ronaldo Caiado: Caiadolândia e aplicação na segurança pública
Ronaldo Caiado procura combinar estímulo à inovação com atuação indutora do Estado. O candidato defende o desenvolvimento de tecnologias de código aberto e critica propostas legislativas que adotem uma abordagem predominantemente punitiva.
Ao mesmo tempo, sustenta que o Brasil precisa de independência tecnológica em setores estratégicos. Durante sua gestão em Goiás, apoiou uma política estadual de incentivo à inteligência artificial e incorporou a tecnologia a projetos de segurança pública.
O programa denominado “IA Contra o Crime” utiliza videomonitoramento e cruzamento de dados para auxiliar na identificação de suspeitos e na localização de veículos e trajetos. Caiado também propõe integrar informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, da Receita Federal e do Banco Central para investigar organizações criminosas e lavagem de dinheiro.
Na disputa eleitoral, defende punições para quem usar IA com a intenção de enganar o eleitor, mas rejeita regras que impeçam aplicações transparentes da tecnologia.
Fontes para leitura
Caiado defende modelo de IA de código aberto e critica projeto punitivo:
https://www.youtube.com/watch?v=-uN0DTyBLwU
Política de inteligência artificial do Estado de Goiás:
https://portal.al.go.leg.br/noticias-dos-gabinetes/162273/governador-ronaldo-caiado-parabeniza-alego-por-avancos-na-regulamentacao-da-inteligencia-artificial-e-destaca-protagonismo-de-goias
Projetos de inteligência artificial do Governo de Goiás:
https://goias.gov.br/inovacao/tags/inteligencia-artificial/
Há um ponto relevante aqui, mas convém formulá-lo de forma precisa. A afirmação de que Zema “praticamente só se manifesta através de vídeo idiota de IA” é opinativa. O que pode ser sustentado jornalisticamente é que o uso de vídeos gerados por IA se tornou uma das principais marcas de sua comunicação política na pré-campanha, frequentemente em tom satírico e de confronto com o STF. (Folha de S.Paulo)
Uma reescrita nesse sentido seria:
Romeu Zema: IA como ferramenta de campanha e defesa da desregulamentação
Romeu Zema defende que o desenvolvimento da inteligência artificial seja conduzido pelo mercado. O candidato se opõe a uma regulação estatal ampla e considera que regras excessivas podem reduzir investimentos, dificultar a inovação e atrasar a adoção de novas tecnologias no Brasil.
Sua visão de soberania digital não está baseada na construção de infraestrutura nacional ou em políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de modelos brasileiros de IA. Em vez disso, defende que empresas e governos tenham liberdade para contratar soluções nacionais ou estrangeiras conforme critérios de custo e eficiência.
Na administração pública, propõe utilizar a automação para reduzir despesas, simplificar processos burocráticos e diminuir o tamanho do Estado. No mercado de trabalho, sustenta que a automação elimina algumas funções, mas cria novas oportunidades, dispensando políticas específicas de proteção aos empregos substituídos.
Embora apresente poucas propostas estruturadas sobre inteligência artificial, Zema transformou a própria IA em uma das principais ferramentas de sua comunicação política. Ao longo da pré-campanha, publicou uma série de vídeos produzidos com inteligência artificial, especialmente a série “Os Intocáveis”, que utiliza bonecos gerados por IA para satirizar ministros do Supremo Tribunal Federal e atacar decisões do Judiciário. A estratégia levou o ministro Gilmar Mendes a pedir sua inclusão no inquérito das fake news e consolidou o uso de conteúdo sintético como uma das marcas de sua campanha.
Levantamentos sobre o uso de IA nas eleições também apontam Zema entre os candidatos que mais recorrem a conteúdos sintéticos nas redes sociais. Apesar dessa presença intensa da tecnologia em sua comunicação, suas propostas para pesquisa científica, soberania digital, infraestrutura nacional de dados ou desenvolvimento de uma política brasileira de inteligência artificial permanecem pouco detalhadas quando comparadas às de outros presidenciáveis.
Fontes para leitura
- Folha de S.Paulo | Zema mantém embate e publica mais um capítulo da série que irritou Gilmar Mendes
- Folha de S.Paulo | Zema publica novo vídeo com sátira a Gilmar e Moraes após pedido de inclusão em inquérito
- Poder360 | Zema se apresenta como candidato “antissistema” em vídeo de campanha
- O Tempo | Pré-candidatos apelam à IA para “fisgar” eleitor pela emoção
- Partido Novo: https://novo.org.br/
Joaquim Barbosa: direitos fundamentais e controle dos algoritmos
Joaquim Barbosa aborda a inteligência artificial a partir de uma perspectiva jurídica. Defende um marco regulatório amplo, inspirado em normas internacionais, que obrigue empresas e órgãos públicos a explicar decisões tomadas com auxílio de algoritmos.
Sua preocupação principal está nos riscos de discriminação racial, social ou de gênero. Para Barbosa, sistemas utilizados na Justiça, na concessão de benefícios, na segurança e na contratação de trabalhadores precisam ser auditáveis.
O candidato também defende o uso de IA para reduzir a demora em processos judiciais, localizar irregularidades e ampliar a transparência administrativa. Ressalva, porém, que decisões automatizadas não podem substituir completamente a análise humana nem comprometer o direito de defesa.
Nas eleições, sustenta punições rigorosas contra candidatos, empresas e plataformas que utilizem deepfakes ou manipulação comportamental para alterar a decisão do eleitor.
Fontes para leitura
O material consultado não apresenta entrevista recente de Joaquim Barbosa dedicada exclusivamente ao tema. A posição descrita parte de sua atuação jurídica e de manifestações relacionadas à proteção constitucional, à responsabilização das plataformas e ao devido processo legal.
Regulamento europeu de inteligência artificial:
https://digital-strategy.ec.europa.eu/en/policies/regulatory-framework-ai
Renan Santos: defesa da soberania tecnológica ainda aparece de forma abstrata
Renan Santos e o Partido Missão afirmam que o Brasil precisa reduzir sua dependência tecnológica do exterior. A proposta apresentada na convenção partidária, porém, permanece ampla e pouco concreta sobre financiamento, execução, controle dos dados e relação com as empresas estrangeiras que dominam o setor.
Ao apresentar medidas reunidas no chamado Livro Amarelo, dirigentes do partido defenderam investimentos em uma inteligência artificial nacional, na instalação de data centers no Brasil e no fortalecimento da ciência e da tecnologia. Não foram detalhados, no entanto, o volume de recursos, os órgãos responsáveis, os prazos ou o modelo de propriedade dessas estruturas.
Durante a convenção, Kim Kataguiri afirmou: “Nós teremos investimento em uma inteligência artificial nacional, em data centers também aqui no nosso país.”
A proposta também prevê o uso de inteligência artificial na administração pública. Ao tratar do Sistema Único de Saúde, Pedro Deiró declarou que “o nosso programa visa reorganizar tudo isso com inteligência artificial para priorizar quem precisa ser atendido primeiro”.
As declarações indicam uma tentativa de associar inovação tecnológica, soberania nacional e modernização dos serviços públicos. Ainda não esclarecem, porém, como uma inteligência artificial brasileira seria desenvolvida, quais dados seriam utilizados, que garantias seriam adotadas contra discriminações algorítmicas ou como o partido pretende impedir que a infraestrutura anunciada permaneça dependente das grandes empresas internacionais de tecnologia.
Também faltam posições mais definidas sobre os efeitos da automação no emprego, a proteção dos trabalhadores, a regulação das plataformas e os limites para o uso de conteúdos sintéticos nas campanhas eleitorais.
Fontes para leitura
Livro Amarelo, página oficial do Partido Missão:
https://loja.partidomissao.com/livro-amarelo/
Terceiro fascículo do Livro Amarelo, “Para onde vamos?”, dedicado a industrialização, inovação, ciência e tecnologia:
https://loja.partidomissao.com/produtos/livro-amarelo-terceiro-fasciculo-para-onde-vamos/
Partido Missão propõe uso de inteligência artificial no SUS:
https://www.missaoapoio.com.br/noticia/inteligencia-artificial-sus-partido-missao
Página de apresentação do Livro Amarelo:
https://www.missaoapoio.com.br/
Augusto Cury: proteção da saúde mental e da autonomia cognitiva
Augusto Cury concentra sua abordagem nos efeitos psicológicos da inteligência artificial e dos sistemas de recomendação. Para o candidato, a soberania digital não depende apenas da localização de servidores ou do controle dos dados, mas da capacidade das pessoas de tomar decisões sem manipulação emocional.
Cury defende regras para restringir algoritmos concebidos para provocar dependência, exposição compulsiva e alteração do comportamento, especialmente entre crianças e adolescentes.
Na educação, propõe combinar ensino tecnológico com formação emocional e preparação para as mudanças no mercado de trabalho. Na saúde pública, apoia o uso de IA para agilizar atendimentos, desde que a tecnologia não elimine a dimensão humana do cuidado.
Nas eleições, condena deepfakes, ataques automatizados e sistemas destinados a explorar medo, ansiedade ou hostilidade para influenciar o voto.
Fontes para leitura
Augusto Cury apresenta proposta de governo durante visita à Associação Comercial de São Paulo:
https://www.cmecmulher.com.br/post/pr%C3%A9-candidato-%C3%A0-presid%C3%AAncia-augusto-cury-visita-acsp-e-apresenta-proposta-do-governo
Outras candidaturas: diferentes visões sobre o papel da IA
As candidaturas de Cabo Daciolo (Mobiliza), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) apresentam abordagens bastante distintas sobre inteligência artificial, embora todas façam críticas ao atual modelo de concentração tecnológica.
Cabo Daciolo manifesta preocupação com a vigilância digital, o poder das Big Techs e a substituição de trabalhadores pela automação. Defende o uso da tecnologia para melhorar serviços públicos e combater a corrupção, mas rejeita o emprego de deepfakes e conteúdos sintéticos nas campanhas eleitorais.
Samara Martins, Hertz Dias e Edmilson Costa compartilham uma visão mais estatizante. Os três defendem maior controle público sobre dados, infraestrutura tecnológica e plataformas digitais, associando a inteligência artificial à soberania nacional e à proteção dos trabalhadores. Também propõem que os ganhos de produtividade proporcionados pela automação sejam revertidos em redução da jornada de trabalho, preservação de direitos e fortalecimento dos serviços públicos. No campo eleitoral, apoiam restrições severas ao uso de deepfakes e outras formas de manipulação digital.
Rui Costa Pimenta ocupa posição diferente dentro desse grupo. Embora critique o poder das grandes empresas de tecnologia, rejeita qualquer regulamentação estatal da inteligência artificial, das redes sociais ou da internet. Para o candidato, esse tipo de controle tende a resultar em censura política. Também se opõe às restrições impostas pelo TSE ao uso de conteúdos sintéticos durante as campanhas, defendendo que cabe aos eleitores julgar a credibilidade das informações divulgadas.
Fontes para leitura
Cabo Daciolo (Mobiliza): https://mobiliza.org.br/
Unidade Popular (UP): https://www.unidadepopular.org.br/
PSTU: https://www.pstu.org.br/
Partido Comunista Brasileiro (PCB): https://pcb.org.br/portal2/
Partido da Causa Operária (PCO): https://www.pco.org.br/
O que separa as candidaturas
A principal diferença entre os presidenciáveis está no significado atribuído à soberania digital.
Para o Presidente Lula, Aldo Rebelo e as candidaturas socialistas, a soberania depende de infraestrutura nacional, controle dos dados e maior capacidade de intervenção do Estado. As divergências dentro desse campo dizem respeito à propriedade dos sistemas e ao grau de participação das empresas privadas.
Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Renan Santos e Rui Costa Pimenta, por razões políticas diferentes, rejeitam regulações mais extensas. Os três primeiros privilegiam a liberdade de mercado e a inovação privada. Pimenta concentra sua oposição no risco de censura estatal.
Caiado procura associar inovação tecnológica, segurança pública e responsabilização por fraudes. Joaquim Barbosa enfatiza direitos fundamentais e controle jurídico. Augusto Cury coloca a saúde mental e a autonomia das pessoas no centro da discussão.
A campanha de 2026 deverá mostrar se essas posições serão transformadas em programas detalhados. Até o momento, apenas parte dos candidatos apresentou planos abrangentes sobre infraestrutura, financiamento, formação profissional e proteção dos trabalhadores. Em várias candidaturas, as posições ainda precisam ser reconstruídas a partir de declarações isoladas, experiências administrativas ou posições gerais dos partidos.
A ausência de propostas detalhadas não reduz a importância do tema. O próximo governo terá de decidir quem controla os dados produzidos no país, quais obrigações serão impostas às Big Techs, como a automação afetará o trabalho e até onde campanhas poderão utilizar sistemas capazes de reproduzir a aparência e a voz de pessoas reais.


