No Café com Democracia, Dinorah Chaves relembra a própria trajetória no microfone, fala sobre barreiras de gênero, ambiente digital e aconselha jovens comunicadoras às vésperas do 8 de Março
Às vésperas do 8 de Março, o Café com Democracia, apresentado por Luiz Regadas na Rádio e TV Atitude Popular, abriu espaço para uma conversa sobre a vivência e a importância da figura feminina na comunicação. A convidada foi Dinorah Chaves, locutora e entrevistadora, com duas décadas de experiência no rádio e atuação atual em um projeto de rádio web no Cariri.
As informações e declarações desta matéria têm como base a transcrição do programa Café com Democracia, da Atitude Popular, exibido em 26 de fevereiro, com Luiz Regadas.
Logo no início da entrevista, Dinorah situou sua atuação no presente e contrastou o alcance das redes com o rádio de “outra época”. “É um prazer estar no seu espaço de comunicação, que tem uma ampla abrangência de pessoas nos vendo nesse momento, bem diferente daquela minha época de quando comecei no rádio, há 20 anos”, disse. Atualmente, ela integra um projeto ligado à Rádio Web Cafundó, no Crato, iniciativa que, segundo a comunicadora, está em expansão: “Em breve será a rádio TV”.
Do som da roça ao estúdio
A história de Dinorah com o rádio começa antes da profissão virar ofício. Ela relembrou a infância na zona rural e o vínculo afetivo com as emissoras que entravam em casa em horários ritualizados, no começo e no fim do dia. “Eu fui ouvindo aquelas vozes e fui me encantando”, contou, citando rádios que marcaram sua memória, como Rádio Sociedade da Bahia e Rádio Iracema/Irapuru, em meio ao cotidiano da família agricultora.
A relação com a notícia também veio cedo. Mesmo em períodos em que o rádio não estava tão presente, ela descreveu como a curiosidade pelo jornalismo atravessava a rotina: “Sempre me chamava atenção a notícia, como as pessoas se comunicavam, como eles conseguiam buscar aquelas notícias (…) e levar aqueles fatos ao conhecimento de milhares de pessoas”.
“O rádio é desde barriga da minha mãe”
Foi em 28 de fevereiro de 1997 que o caminho ganhou forma concreta. Dinorah ouviu no rádio um anúncio de concurso para novos talentos — e a busca era, especificamente, por uma figura feminina. Ela pediu permissão à família, enfrentou a seleção com outras candidatas e foi escolhida. Sem grandes etapas formais, aprendeu “na prática” e foi rapidamente inserida nas tarefas do dia a dia.
“Eles já me inseriram. Dentro de uma semana eles já me deram um gravadorzinho (…) e eu fazia desde uma entrevista sobre a quadra invernosa até a área policial”, relatou. Ao narrar o próprio percurso, ela resumiu o sentimento com uma frase que mistura destino, paixão e vocação: “Eu hoje digo muitas vezes (…) que eu acho que o rádio é desde barriga da minha mãe”.
Barreiras, respeito e disputa por espaços
Provocada por Luiz Regadas sobre dificuldades enfrentadas por mulheres no rádio, Dinorah lembrou que o ambiente era predominantemente masculino, mas enfatizou que encontrou respeito na maior parte do percurso profissional. Ainda assim, reconheceu que a presença feminina pode ser vista como ameaça em estruturas hierárquicas.
“Os homens têm algum momento aquele pensamento que a mulher possa ter esse poder de tirar o que eles possuem em termos de cargo (…) e não é assim”, afirmou. Para ela, a mulher não entra para “tomar” o lugar de alguém, mas para contribuir — e descreveu uma percepção sobre habilidades comunicacionais: “A mulher (…) tem uma capacidade de se comunicar melhor, de tentar fazer que tudo seja mais bonito, que seja bom para todos”.
Ela avaliou que houve melhora nos últimos anos e relembrou que as mulheres já carregam uma história longa de presença no rádio. Ainda assim, o debate sobre credibilidade e machismo estrutural permanece — e Dinorah preferiu interpretar episódios de hostilidade como resultado de comportamentos equivocados e conflitos deslocados. “Eu nunca tive [problema]”, disse, ponderando que agressões podem surgir de outras frustrações projetadas no alvo mais visível.
Redes sociais: portão amplo, mas cheio de armadilhas
Ao analisar o ambiente digital, Dinorah apontou ganhos e riscos. Para ela, a internet abre um “portão muito amplo” para circulação de conteúdo e crescimento, mas também amplifica distorções. “O ambiente digital traz o benefício de você poder estar em qualquer lugar do mundo, porém ele traz alguns comportamentos equivocados que nos prejudicam”, afirmou.
Ela chamou atenção para um ponto sensível: o acesso precoce e sem mediação, especialmente para crianças e adolescentes. “Qualquer ser humano hoje tem o acesso muito fácil (…) as crianças muito cedo têm acesso a uma tela, ela não está preparada para conhecer aquele mundo”, disse, relacionando esse cenário a impactos negativos e interpretações sem repertório.
Ainda assim, defendeu que as plataformas podem servir ao fortalecimento de narrativas positivas, desde que haja responsabilidade, cultura diversificada e formação: um uso socialmente mais consciente do que se publica e consome.
Rádio de raiz e jornalismo local
Na parte final, Dinorah descreveu o formato do programa que apresenta aos domingos, em parceria com o professor Anderson, e explicou por que se identificou com a proposta da Rádio Web Cafundó. O encanto, disse ela, está na preservação do “rádio tradicional”, com forte vínculo comunitário, apoio cultural, música e, principalmente, notícia.
“O carro-chefe mesmo é a notícia. Nós levamos a notícia para toda a região”, explicou, acrescentando que o projeto busca dar vez e voz ao território e retomar o sentimento de proximidade: a impressão de “tomar aquele cafezinho” simbólico, com o ouvinte de um lado e a locutora do outro.
Conselho para jovens comunicadoras
Ao ser convidada a aconselhar mulheres que desejam entrar na comunicação, Dinorah foi enfática ao defender perseverança e aperfeiçoamento. “Que sigam, que persigam o seu sonho, que se aperfeiçoem na área”, disse. E arrematou com a frase que sintetiza o espírito do encontro: “O rádio ele é encantador, ele é único”.
Em resposta a uma pergunta sobre treino vocal, ela afirmou que não fez curso ou terapia específica e que aprendeu no próprio exercício do trabalho — mas sugeriu que quem sentir necessidade pode buscar orientação profissional para colocar a voz com mais segurança e liberdade.
A entrevista terminou com agradecimentos, interação com ouvintes e um convite do apresentador para que a audiência acompanhe a programação diária e fortaleça a comunicação popular com engajamento, compartilhamentos e apoio financeiro.
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