No Democracia no Ar, Luciano Simplício e Osmar de Sá Ponte analisam a ofensiva da mídia e do Parlamento contra direitos trabalhistas e defendem mobilização social e disputa de narrativa
A ofensiva contra a classe trabalhadora no Congresso Nacional e na grande imprensa foi o eixo central do programa Democracia no Ar, apresentado por Sara Goes na Rádio e TV Atitude Popular. A edição recebeu Luciano Simplício, presidente da CTB Ceará, e o professor Osmar de Sá Ponte, que analisaram desde a derrubada da taxação das bets até o embate em torno do fim da escala 6×1.
As informações e declarações desta matéria têm como base a transcrição do programa Democracia no Ar, da Atitude Popular, exibido em 25 de fevereiro.
Logo na abertura do debate, o foco recaiu sobre a votação na madrugada que barrou a taxação das apostas esportivas. Para os convidados, a decisão não foi um episódio isolado, mas parte de um padrão de atuação parlamentar que dificulta qualquer medida de justiça tributária ou ampliação de direitos sociais.
Osmar foi direto ao caracterizar o cenário político atual: “Nós temos um Congresso absolutamente reacionário, talvez um dos mais reacionários da história do Brasil”. Segundo ele, há um movimento recorrente para impedir políticas públicas que enfrentem desigualdades ou melhorem a qualidade de vida da população.
A narrativa contra o trabalhador
O debate também abordou o papel da mídia tradicional na construção de narrativas que, segundo os participantes, fragilizam direitos. Sara mencionou a divulgação de um estudo associado à FGV que teria sido utilizado para sustentar a ideia de que o trabalhador brasileiro “trabalha pouco”. Para ela, houve uma combinação entre interpretação enviesada de dados e manchetes alarmistas.
Osmar argumentou que a discussão sobre jornada de trabalho não pode ser reduzida a slogans. Para ele, há base técnica e econômica para a redução da carga horária sem perda de produtividade. “Eu posso produzir mais com menos horas”, afirmou, defendendo que o avanço tecnológico permite reorganizar o trabalho e ampliar eficiência.
Ele destacou que, historicamente, as reduções de jornada ocorreram tanto por luta social quanto por transformações econômicas estruturais. “Todas as transformações no mundo do trabalho se deram na luta dos trabalhadores e também no fato econômico de que é possível fazer mudanças que favoreçam a sociedade”, declarou.
6×1, saúde mental e precarização
A escala 6×1 apareceu como símbolo do embate atual. Luciano Simplício avaliou que o momento exige mobilização sindical mais intensa e articulação entre centrais. Para ele, o desgaste físico e mental dos trabalhadores já é visível.
“Um em cada dois trabalhadores está com angústia, ansiedade, depressão, insônia”, afirmou, relacionando a sobrecarga à precarização crescente. Ele citou categorias como comerciários e trabalhadores que enfrentam longos deslocamentos diários, o que amplia o impacto sobre a vida familiar.
O dirigente sindical também criticou a resistência de setores empresariais e parlamentares à mudança na jornada. Para ele, há uma tentativa de manter um modelo que concentra renda e fragiliza a organização coletiva.
Bets, financeirização e disputa de projeto
A não taxação das bets foi apontada como exemplo de prioridades invertidas. Simplício sugeriu que o crescimento do setor impacta diretamente trabalhadores de baixa renda, estimulando endividamento e adoecimento. “O trabalhador vai acelerar a própria morte financeira”, disse, ao criticar a ausência de regulação mais rigorosa.
Osmar acrescentou que o debate precisa ultrapassar a polarização e alcançar a sociedade como um todo. Para ele, é necessário dialogar “fora da bolha” e disputar racionalmente o sentido econômico das propostas. “Nós temos argumentos econômicos, sociais e humanitários”, afirmou, defendendo que a redução da jornada pode ampliar consumo, melhorar a qualidade de vida e não necessariamente reduzir lucros.
Juventude e movimento sindical
Questionado sobre o papel do movimento sindical na aproximação com a juventude e trabalhadores precarizados, Simplício reconheceu desafios, mas apontou sinais de recuperação nas filiações. Ele defendeu que o momento exige formação política e presença ativa nas bases.
“Não podemos ficar esperando. Temos que mobilizar”, afirmou. Para ele, a pauta da jornada e da dignidade no trabalho pode ser um ponto de reconexão com trabalhadores que hoje se sentem distantes das estruturas sindicais.
Eleição no horizonte
Para Osmar, a disputa em torno da escala 6×1 já antecipa o clima eleitoral. “O 6×1 já é a prévia da eleição”, declarou, sugerindo que o debate sobre jornada se tornou marcador de posição política.
Ele concluiu defendendo que o enfrentamento deve combinar mobilização social e argumentação técnica: “Temos que abrir o debate com a sociedade e mostrar quem defende, de fato, melhores condições de vida”.
Ao longo do programa, ficou claro que a batalha não é apenas legislativa, mas também simbólica. Entre a disputa por narrativas e a organização concreta da classe trabalhadora, o embate sobre jornada, tributação e direitos tende a ocupar o centro da agenda política nos próximos meses.
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