Atitude Popular

“Os Estados Unidos representam a maior potência imperialista do século XX”

Professor Nelson Campos analisa histórico de intervenções, bloqueio a Cuba e riscos de escalada militar em debate no Café com Democracia

Na edição de segunda-feira (30) do programa Café com Democracia, apresentado por Luiz Regadas, o professor Nelson Campos, mestre em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), fez uma análise contundente sobre o papel histórico dos Estados Unidos em intervenções internacionais, com foco especial na relação com Cuba. A conversa partiu de declarações recentes envolvendo ameaças à ilha caribenha e avançou para uma leitura mais ampla sobre imperialismo, geopolítica e soberania.

Ao longo da entrevista, Nelson Campos afirmou que a postura dos Estados Unidos ao longo do século XX consolidou o país como principal potência imperialista global. Segundo ele, essa atuação se expressa tanto em invasões diretas quanto em mecanismos indiretos de controle econômico e político. “Os Estados Unidos representam exatamente a maior potência imperialista do século XX”, declarou.

A discussão foi contextualizada por falas recentes do ex-presidente Donald Trump, que voltou a mencionar Cuba como alvo potencial de ação. Para o professor, a retórica utilizada pelos Estados Unidos evita termos explícitos como “invasão”, mas revela uma lógica de domínio. “Ele disse que se sentiria honrado em tomar Cuba, como se Cuba pertencesse a eles”, afirmou, criticando o que considera uma naturalização da intervenção externa.

Campos também destacou que a tensão entre os dois países remonta à Revolução Cubana de 1959, liderada por Fidel Castro, que rompeu com a lógica de subordinação aos interesses norte-americanos. Antes disso, Cuba vivia sob a ditadura de Fulgêncio Batista, apoiada pelos Estados Unidos. O professor relembrou que, à época, a ilha era conhecida como “cabaré das Antilhas”, marcada pela exploração econômica e social. “A revolução buscou mudar essas estruturas e oferecer oportunidades iguais para todos”, disse.

Entre os avanços apontados, ele citou os sistemas de saúde e educação cubanos, frequentemente reconhecidos internacionalmente. Em tom provocativo, retomou uma frase atribuída a Fidel Castro para ilustrar a transformação social: “Em Cuba, até as prostitutas se tornam universitárias”. Para Campos, essa mudança estrutural explica, em parte, a hostilidade persistente dos Estados Unidos.

O professor também criticou o embargo econômico imposto à ilha desde a década de 1960, classificando-o como um dos principais entraves ao desenvolvimento cubano. Segundo ele, o bloqueio dificulta o acesso a crédito, tecnologia e insumos básicos, elevando custos e agravando crises internas. “Cuba não tem acesso a financiamento barato, tudo custa muito mais caro por causa do embargo”, explicou.

A análise se estendeu a outros cenários internacionais, como o Oriente Médio e a América Latina. Campos argumentou que intervenções norte-americanas frequentemente estão associadas a interesses estratégicos, especialmente relacionados ao petróleo. Ele citou casos como Iraque, Líbia, Irã e Venezuela para sustentar a tese de que guerras são motivadas por շահ econômicos. “Uma guerra não se faz para vencer, se faz para ganhar com ela”, afirmou.

Ao comentar o atual cenário político dos Estados Unidos, o professor mencionou manifestações recentes em diversas cidades contra Donald Trump, apontando uma queda de popularidade e crescente insatisfação popular. Ele também levantou críticas à condução política do ex-presidente, classificando-o como autoritário e desrespeitoso às المؤسسات democráticas.

Sobre Cuba, Campos avaliou que, diante de uma eventual invasão, a ilha teria कठिनidade em resistir militarmente, mas ressaltou a importância da solidariedade internacional e da resistência histórica do povo cubano. Ele lembrou ainda o episódio da crise dos mísseis de 1962 como exemplo de tensão extrema entre potências nucleares e alertou para os riscos de uma escalada militar global.

O programa também abordou o papel do Brasil no cenário internacional. Para o professor, o país deve priorizar a soberania nacional e evitar alinhamentos automáticos com interesses externos. Ele criticou setores políticos que defendem a entrega de recursos estratégicos e destacou a importância de políticas públicas voltadas à maioria da população.

Encerrando sua participação, Nelson Campos fez uma reflexão sobre democracia e limites institucionais, destacando que liberdade de expressão não pode ser confundida com ações que atentem contra o próprio Estado democrático. A entrevista reforçou a proposta do Café com Democracia de promover debates críticos e aprofundados sobre temas centrais da política internacional.

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